Este resultado engana

Este resultado engana
• Foto: Manuel Araújo

Para quem chegou aqui e olhou apenas para o resultado final fica desde já avisado que o mesmo é enganador! O FC Porto ganhou, sim senhor, e até ganhou bem, acima de tudo porque tem melhor equipa, como é natural, do que o Paços de Ferreira. Mas esta é uma daquelas vitórias que valem só pelo essencial: são três pontos importantes na luta pelo título e que colocam um pouco mais de pressão para o dérbi de Lisboa adiado para amanhã.

Consulte o direto do encontro.

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O resto é uma história que até incluiu muitos assobios, alguns deles de certa forma incompreensíveis, mas um sinal claro de um divórcio entre o exigente público do Dragão, ontem mais despido do que nunca em jogos do campeonato, e a equipa de Paulo Fonseca. A realidade é nua e crua e este FC Porto, mesmo quando ganha assim e logo com um 3-0, continua sem encantar. A exibição de ontem foi, no mínimo, sofrível, com momentos em que o Paços de Ferreira parecia ainda ter aquela “estrela” de Champions com que começou a época em que se encontra a lutar por sair dos lugares perigosos.

A equipa de Henrique Calisto mostrou grande personalidade, assumindo até a gestão do jogo em determinados momentos, começando por um início de grande atrevimento e que incluiu duas enormes defesas de Helton. O guarda-redes do FC Porto desviou para canto um grande tiro de Seri (18’) e atirou-se com tudo aos pés de Del Valle (25’) quando o venezuelano surgiu isolado após primorosa tabela com Minhoca. Por esta altura havia razões para o FC Porto estar verdadeiramente assustado, até porque nada saía bem à equipa de Paulo Fonseca, nomeadamente num pormenor que é decisivo para quem quer ganhar um jogo sem deixar dúvidas: era só passes errados nos primeiros 20 minutos!

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Plateia exigente

Mas o que conta é mesmo o resultado e quem marca lá vai levando a água ao seu moinho. Quaresma fez o 1-0 de penálti a fechar a primeira parte e parecia que tudo estava resolvido. O segundo ato, julgava-se, seria uma mera questão de pormenor, com os dragões a confirmar a sua ainda assim evidente superioridade. Puro engano!

O Paços de Ferreira voltou a entrar com coragem, assumindo a vontade de chegar perto da baliza de Helton e respondendo de pronto à melhor ocasião do FC Porto em todo o jogo, com Degra a negar o golo a Josué (51’).

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Com Minhoca desgastado pela função de falso ponta-de-lança que implicava recuar muito para ajudar no meio-campo, Henrique Calisto “meteu” Del Valle entre Mangala e Abdoulaye, este a grande surpresa no onze dos dragões, e incluiu a frescura de Fernando Neto na ala direita. No espaço de dez minutos, os castores tiveram mais três ocasiões que, no mínimo, voltaram a assustar o guarda-redes do FC Porto e foi por esta altura que a impaciência dos sócios dos dragões mais se fez sentir, nomeadamente no momento em que Quaresma foi rendido por Licá. O curioso de tudo isto é que seria o mesmo Licá a assistir para o golo de Jackson, o do absoluto descanso aos 88 minutos, e seria também Licá a rematar para Degra largar e Ricardo, ao fim de 1 minuto em campo, ainda ampliou para o 3-0 final.

O jogo acabou, em suma, com todas as razões e mais uma para Paulo Fonseca sorrir. Afinal, duas decisões acertadas e no momento certo, mas a plateia não perdoou mais uma vitória com golos a fechar a 1.ª parte e a 2.ª, tal como com o Estoril.

Ou seja, no Dragão ainda se cobra a tal nota artística, mas principalmente percebe-se que este FC Porto não consegue ser feroz para impor demasiados receios à concorrência...

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NOTA TÉCNICA

Paulo Fonseca não teve vida fácil porque a equipa esteve sem chama e amorfa. Ouviu muitos assobios e acabou com um tiro de sorte na entrada de Ricardo. (2)

Henrique Calisto prometeu não colocar o autocarro e provocou o atrevimento possível com as armas que tem. A lesão de André Leão queimou a reação final. (3)

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Árbitro do encontro: Cosme Machado (nota 3)

Colocado em alerta logo aos 6 minutos, quando não viu intencionalidade na bola que foi ao braço de Rodrigo António dentro da área do Paços, o árbitro de Braga decidiu sem hesitações o penálti de Seri, que estava com o braço aberto. No resto, apenas um fora-de-jogo mal tirado a Del Valle (67’) e o venezuelano ia isolado...

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