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FC Porto-Boavista, 0-1: Um campeão europeu para consumo interno

O FC Porto manteve o nível exibicional médio das suas actuações no campeonato português - logo, sentiu grandes dificuldades para ultrapassar o Boavista. Salvo raros períodos de excepção, como, por exemplo, na 1ª parte do jogo com o Benfica, este FC Porto é um FC Porto de dimensão nacional, para consumo interno apesar do estatuto de campeão europeu que ostenta.

Ontem, para complicar a situação, não pôde contar com Diego e Carlos Alberto, sobretudo o primeiro, e viu Mc Carthy cometer um disparate que deixou a equipa reduzida a dez jogadores desde o minuto 36. Sem Diego, o FC Porto fica órfão no meio-campo, sem ninguém que pegue no jogo, e a transição defesa/ataque é feita aos solavancos, sem fluidez, criatividade e profundidade.

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Jaime Pacheco efectuou uma revolução na equipa, após o descalabro de Alvalade. Saíram seis titulares desse jogo, Kadhim, Carlos Fernandes, Lucas, Martelinho, Zé Manuel e João Pinto. Fez entrar, de uma assentada vários jogadores pouco utilizados e armou a equipa num 4x5x1, compacto, curto, cedendo poucos espaços de penetração. Optou por um meio-campo de "fato-macaco", na expectativa de retardar o nulo o mais tempo possível para, então, lançar os seus jogadores mais criativos e tecnicamente mais evoluídos na tentativa de ganhar o jogo. A estratégia resultou em pleno, por algum mérito próprio, mas sobretudo por demérito do FC Porto.

Meio-campo órfão

Vamos por partes: o campeão europeu fez três remates à baliza, dois na execução de livres, e um por Derlei de fora da área, à figura de Carlos. Como explicar tão fraca produção atacante? É simples: a transição defesa/ataque foi um desastre. Sem Diego, ninguém pegou no jogo.

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O 4x3x3 do FC Porto não era assumido, na medida em que Fernández jogou com dois médios interiores [Bosingwa e Maniche] e incumbiu Derlei de preencher o espaço nas costas de McCarthy, derivando da esquerda para o "miolo". Quando tal acontecia, Quaresma derivava para dentro, encostando em McCarthy, Bosingwa abria à direita, Areias entrava pelo flanco esquerdo.

A aplicação prática desta movimentação revelou-se um "flop" porque a equipa nunca foi capaz de imprimir velocidade e dinamismo às suas acções. Em parte pelo elevado número de faltas na 1ª parte (25) com constantes interrupções de jogo, outro tanto pela incapacidade do FC Porto ligar o seu jogo, dar-lhe fluidez.

Nem pressão alta a "sufocar" o adversário, nem tão-pouco a dinâmica e o sentido posicional por parte dos jogadores de modo a criarem linhas constantes de passe, coisa que tão bem faziam a época passada. Pelo contrário, o jogo emperrava, os jogadores não acertavam o tempo de passe, logo, sem linhas de passe, tendiam a individualizar. Uma caricatura do campeão europeu.

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É certo que o Boavista foi zero em termos ofensivos durante a 1ª parte, mas conseguiu o seu objectivo: chegar ao intervalo com 0-0.

Pacheco tenta

Na 2ª parte, com mais um jogador, Pacheco sentiu que podia ganhar o jogo. A sua "linha operária" já cumprira a missão. Perspicaz, deixou Eder, que estava à beira da expulsão, no balneário, adaptou Hélder Rosário a central, e lançou os seus "TGV's": Martelinho, a lateral-direito, Zé Manuel e João Pinto, este um quarto de hora depois.

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Todavia, a 2ª parte não foi nada daquilo que, porventura, imaginou. A verdade é que a subida no terreno do Boavista, que passou a jogar em 4x3x3, com Zé Manuel, João Pinto e Cafú na frente, abriu espaços lá atrás, pelos quais o futebol portista passou a respirar. Sobretudo, através do flanco direito, por Bosingwa, que encostou à linha e deixou de ter a cobertura de Diogo Valente, substituído ao intervalo.

O FC Porto soltou-se, ganhou dinamismo, o Boavista passou a fazer menos faltas, Maniche derivou para o "miolo" e passou a pegar mais no jogo, a entrada de Hugo Almeida conferiu uma presença na área até aí inexistente. A verdade é que aos 73', 75' e 81', o FC Porto desperdiçou ocasiões soberanas de golo [Hugo Almeida revelou-se pouco feliz a finalizar e Bosingwa a cruzar] e esteve muito perto de ganhar o jogo.

Não merecia, de todo, aquele golpe final, pelo que fez na 2ª parte, na qual foi a única equipa a criar oportunidades de golo [o Boavista só através de um "brinde" de Vítor Baía, a oferecer o golo a Martelinho].

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Árbitro

LUCÍLIO BAPTISTA (2). O assistente António Godinho, que viu, e bem, a agressão de McCarthy, e a acção activa de Cafú (em fora-de-jogo) quando Toñito introduziu a bola, já não esteve tão atento no golo de Cafú que parte de posição irregular. Para além do rigor de Lucílio nos amarelos, o mesmo auxiliar tirou dois foras-de-jogo inexistentes ao ataque do Boavista na 2ª parte.

Poupanças

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Com Diego e Carlos Alberto em "estágio" para Moscovo, Víctor Fernández voltou a dar-se mal (agora, pela primeira vez, na SuperLiga, onde o FC Porto era a única formação invencível) com a poupança dos seus melhores criativos. A primeira vez fora, em Guimarães, onde o treinador espanhol acabou por ver a sua equipa ser eliminada da Taça de Portugal.

Cafú repete proeza de há três anos

Cafú obteve o golo da vitória do Boavista frente ao FC Porto. O facto, só por si, seria relevante exactamente por isso, mas torna-se ainda mais se relembrarmos que o mesmo jogador já há três anos tinha marcado a Vítor Baía.

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Em 2001/2002, o Belenenses recebeu os portistas e venceu por um surpreendente 3-0, com o segundo golo do conjunto do Restelo a ser marcado por Cafú, avançado cabo-verdiano que se transferiu depois para as cores do Bessa.

Seis alterações na equipa do Boavista

Tendo em conta o onze que apresentou, em Alvalade, diante do Sporting, na jornada passada da SuperLiga, Jaime Pacheco efectuou seis alterações na equipa axadrezada, para o "derby" da Invicta. Assim sendo, Khadim, João Pinto, Zé Manuel, Lucas, Carlos Fernandes e Martelinho perderam a titularidade para Carlos, Toñito, Diogo Valente, Cafú, Milhazes e Hélder Rosário.

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Segunda enchente da época

As bancadas do Estádio do Dragão registaram, ontem, a segunda maior enchente desta temporada, com 43611 adeptos presentes. Curiosamente, a melhor marca registada esta época foi alcançada frente ao Sporting, para a SuperLiga, há duas semanas (46477 adeptos marcaram presença no clássico).

O Estádio do Dragão celebrou o seu primeiro aniversário no passado dia 16 de Novembro. Desde então, o jogo de ontem, com o Boavista, foi o primeiro realizado no novo palco portista e, por isso mesmo, antes do "derby" se iniciar, os sócios cantaram os parabéns ao Dragão.

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