O FC Porto ganhou, ontem à noite, aos holandeses do Groningen à vontade e sem a mínima dificuldade, e chegou, por vezes, a divertir-se, deixando ficar o seu selo, e sem precisar de jogar muito.
A equipa regressou ao 4x3x3 - um dos seus dois sistemas de jogo - e os atletas voltaram a dar sinais de que dominam, sem esforço, a filosofia desse sistema. As combinações tácticas foram bem trabalhadas, verificou-se que tudo foi feito sem grande dificuldade, e essa situação aconteceu sobretudo no ataque. O que deve ser dito, desde já, é que o FC Porto foi superior ao seu adversário na atitude e nas soluções. A sua equipa surgiu quase sempre de cabeça alta, assumiu o protagonismo do jogo, e deixou ficar, aqui e ali, detalhes interessantes - sobretudo através de Deco, aliás como já é normal - e facilmente derrotou o Groningen logo no ponto de partida.
O FC Porto recorreu, quase sempre, a um tipo de futebol directo e sobretudo prático, e foi pois sem surpresa, ou melhor, com toda a naturalidade que dispôs de algumas oportunidades para marcar. Como já se disse, Marco Ferreira marcou o único golo logo no início do jogo, e essa vantagem poderia ter saído reforçada ainda antes do intervalo. Alguma precipitação no momento do remate - sobretudo por parte de César Peixoto, mas também de Marco Ferreira - impediu, no entanto, que a equipa conseguisse mais golos.
Depois de uma primeira parte alguns pontos acima da média, e muito por força da ordem e critério de jogo estabelecida no meio campo, a parte final subiu de nível, sem atingir, no entanto, grande brilho. Para essa melhor fase muito contribuiu, sem dúvida, a presença em campo de Deco. O número 10 foi essencialmente fundamental para o seguinte: o tempo de chegada à grande área à guarda de Beukenkamp foi muito melhor, ou se preferirmos chegou-se lá mais depressa e com mais facilidade. As aberturas de espaço funcionaram, desta vez como deve ser, ou seja, de frente para trás. A equipa fez pois um futebol de chegada, tirando, deste modo, um maior aproveitamento porque naturalmente teve mais espaço.
O meio-campo manifestou, então, um bom critério na circulação da bola, houve melhor ordem e melhor organização, e sem se perder a liberdade que, acrescente-se, é cada vez mais evidente de jogo para jogo. Os jogadores apresentaram boa qualidade de passe, e uma boa atitude ofensiva. A equipa soube então correr riscos, tornou-se mais ameaçadora, e visitou com muito mais frequência a área contrária, e, muitas das vezes, com perigo.
Digamos que a equipa jogou de maneira inteligente, soube assegurar a posse de bola, jogou fundamentalmente curto para levar a iniciativa e marcar o ritmo que mais lhe interessava, e soube ainda utilizar a variante do passe longo quando a defesa holandesa saía a pressionar.
A exemplo do que se tinha verificado na primeira parte, o FC Porto só voltou a falhar no momento de disparar à baliza, ou melhor, rematou muito, por 15 vezes no total, mas revelou aí alguma precipitação - um pormenor que, acrescente-se, deve ser corrigido.
Em suma, o FC Porto provou, ontem, mais uma vez, que está pronto para as duras batalhas que se aproximam, a primeira delas já este domingo contra a União de Leiria.
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