José Mourinho adopta estratégia da unificação

José Mourinho adopta estratégia da unificação
• Foto: D.R./Record

JOSÉ Mourinho sabe ao que veio e trouxe a estratégia bem preparada para conseguir a recuperação do FC Porto.

Tal como o seu antecessor, Mourinho sabe que, como em qualquer lado, mas, pela tradição, em especial no FC Porto, a força do balneário é importante. E o seu plano para conseguir conquistar o balneário portista, idêntico ao de Octávio na forma, é diferente no conteúdo. Mourinho adoptou numa estratégia de unificação, que iniciou já antes de chegar às Antas ao solicitar a não dispensa do brasileiro Rubens Júnior, e continuou ao reintegrar Nélson, até anteontem a treinar-se na equipa B. O jovem avançado Pedro Oliveira foi também chamado ao plantel principal, mas esta decisão do técnico prende-se com questões tácticas.

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Mourinho iniciou o seu primeiro dia nas Antas bem cedo, reunindo-se com o plantel e adoptando um discurso de confiança sem reservas que, após o treino, repetiu para o exterior na conferência de Imprensa que serviu também para o apresentar aos sócios.

Seguiu-se o almoço no qual fez questão de reunir toda a equipa técnica. Eventualmente, porque gato escaldado de água fria tem medo, definiu as funções e regras de relacionamento entre todos, dado que trouxe Baltemar Brito como o seu adjunto de mão, e ainda o preparador físico Rui Faria, para aliar a André, Silvino e Aloísio, que são mobília da casa. Outra decisão de Mourinho foi permitir que os sócios assistissem aos dois treinos, possibilitando-lhes, assim, que testemunhassem de perto os seus métodos de trabalho, que, claramente, são muito influenciados pelo estilo do inglês Bobby Robson.

Outro produto da «quinta»

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O novo técnico do FC Porto supreendeu ao chamar para os treinos de ontem do plantel o jovem avançado da equipa B, Pedro Oliveira.

Deduz-se facilmente que Mourinho conhece o potencial do jogador, habitual presença na selecção de sub-20, que o FC Porto contratou no último defeso, a par do central Ricardo Costa, ambos oriundos das escolas do Boavista. Trata-se de um avançado robusto, sem ter um grande físico, de grande potência física e bastante objectivo no ataque à baliza. Características que, descontando a experiência e talvez maior capacidade técnica, o tornam num tipo de jogador semelhante a Derlei.

Mais próximo dos jogadores

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Cada técnico tem a sua maneira de trabalhar. Uma dos aspectos para que Mourinho chamou a atenção na primeira análise ao que poderia ser o seu desafio nas Antas foi a compreensão para o necessário tempo de adaptação dos jogadores ao seus métodos de trabalho.

Nas duas sessões de treino de ontem, marcadas por um estilo muito dinâmico, impondo um ambiente descontraído e alegre, o treinador esteve bastante interventivo nas correcções técnicas e tácticas, sempre muito próximo dos jogadores. Uma imagem de marca de Mourinho que conquistou o apreço dos sócios que acompanharam a sua estreia nas Antas como líder técnico.

Relação com os média

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O novo técnico portista sabe da importância do relacionamento com os Média e é inteligente nesta gestão. O convívio com Robson, mas, principalmente, a experiência com a exigente imprensa espanhola durante quatro anos marcaram a sua formação nesta matéria. Ontem nas Antas, tal como já o havio feito na Luz e em Leiria, demonstrou toda o seu à-vontade para lidar com as questões mais difíceis. No entanto, espera-o algum trabalho a nível interno se quiser influenciar as normas do clube neste âmbito. Terá que ser uma missão de paciência. Vedar, como ontem, o acesso da Comunicação Social aos treinos não combina consigo.

Discurso de confiança

Mourinho é dos que não deixa por dizer o que pensa, assumindo os riscos inerentes. O sucesso do seu percurso prova que tem valido a pena. O novo técnico conhece a importância das palavras, não só para dentro mas também para o exterior. Só um discurso de confiança pode ajudar a recuperar a equipa psicológicamente mas é necessário fazer passar a mensagem quer para a nação portista conquistando, assim, um importante aliado, quer para os adversários. Mourinho não estremeceu no momento de assumir as suas responsabilidades, utilizando um discurso de força, de confiança no clube, na equipa e em si próprio.

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Estilo de Robson

Abrir as portas dos treinos de ontem aos sócios foi outra medida de que Mourinho fez questão. Havia um certo risco nesta decisão, dados os recentes conflitos entre a massa adepta e os jogadores na sequência da derrota no Bessa. O novo técnico ganhou a aposta, conquistando o favor dos muitos sócios que ontem se repartiram pelas duas sessões. A da tarde foi presenciada por algumas centenas de sócios, numa afluência que há muito não se via, a recordar os tempos de Bobby Robson nas Antas que conseguia juntar milhares nas bancadas para assistirem aos seus treinos, rendidos aos seu estilo vivo. Mourinho adoptou-o.

Estratégia para a retoma

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A unificação é a maior aposta de José Mourinho na missão de reabilitar a força portista. Eliminar qualquer tipo de cisões, estreitando o relacionamento não só no balneário mas também entre todos os sectores internos para que se verifique, de facto, concentração de esforços foi o ponto de partida. Mourinho sabe que foi talvez por aí que começou a queda de Octávio. Purgar esses problemas é essencial para ser possível um recomeço. A chamada de Nélson da equipa B para o plantel principal, a continuidade Rubens Júnior e o almoço com toda a equipa técnica reunida são apenas alguns exemplos que demonstram o processo de unificação.

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