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Fredy Guarin, antigo médio que passou pelo FC Porto entre 2008 e 2011, recordou os momentos mais duros da sua vida, admitindo que se refugiou no álcool para lidar com a separação da ex-mulher e o afastamento dos filhos.
"Estava mal devido à minha situação familiar. Estava a separar-me da minha ex-mulher, vivia noutra casa e estava longe dos meus filhos. Não aceitava isso. O álcool era uma tentativa de responder ao meu mal-estar, um refúgio onde me esconder", lembrou numa entrevista ao 'Corriere della Sera'.
Fredy Guarin deixou Itália e rumou à China para representar o Shanghai Shenhua, mas a situação "piorou": "O meu vício piorou. Estava num país novo. Estava sozinho com o meu problema. Bebia, treinava, jogava. O futebol foi o meu terapeuta naqueles anos. Era a única coisa que me obrigava a cumprir a minha agenda, os meus compromissos e as minhas responsabilidades".
Depois de três anos na China, o antigo jogador do FC Porto mudou-se para o Brasil e, depois, regressou ao país natal, à Colômbia, para representar o Millonarios, onde teve uma recaída. Chegou mesmo a tentar suicidar-se.
"Quando fui para o Brasil, a Covid-19 surgiu. Naquele momento, a única coisa que ainda me salvava também desapareceu: o futebol. Com a pandemia, o mundo inteiro parou, incluindo o futebol. E eu fiquei sem nada a que me agarrar, ainda mais sozinho comigo mesmo. Em 2021, cheguei ao Millionarios. Tinha parado de beber, mas depois de alguns meses recomecei. Foi o fim. Parei com o futebol. Começaram três anos de autodestruição. Bebia e pronto, sem reagir".
"Pensei em suicidar-me. E tentei tirar a minha vida três vezes. Deus salvou-me", contou.
Fredy Guarin pediu ajuda e tratou-se numa clínica de reabilitação. Voltou a ver os seus filhos e hoje ajuda pessoas que passam pela mesma situação.
Por Teresa Dinis Oliveira