O regresso aos locais onde o FC Porto se sagrou campeão da Europa fez reviver na memória de Octávio aqueles momentos de glória e a equipa fantástica que os tornou possível. "Com a estrutura sólida que havia em termos de organização e com os jogadores que tinha, o FC Porto corria o sério risco de ser campeão europeu. Jogadores com a classe de Madjer e Futre, com a capacidade goleadora de Gomes, com a velocidade de um Juary, uma defesa sólida, onde Mlynarczyk, Celso e João Pinto eram pilares de dimensão mundial. Um meio-campo onde se aliava a versatilidade e dinâmica de um Frasco com a classe de Jaime Magalhães, que podia ter gravado o seu nome a "letras de ouro" no futebol português. A meia distância e visão de jogo de Sousa, a capacidade de trabalho e cultura tácticas de Quim e André. Esta seria sempre uma grande equipa, fosse qual fosse o contexto e a época."
Mas os obreiros da grande proeza não foram só os jogadores. Octávio faz justiça a outras figuras: "Tivemos a felicidade de ter dirigentes da estirpe de um Teles Roxo e de Reinaldo Teles, os 'priminhos', como eles se tratavam entre si, poder contar com Álvaro Braga Júnior, Luís César, uma referência do clube, um departamento médico gerido pelo dr. Domingos Gomes, Diamantino e Rodolfo Moura, uma bandeira do clube como o massagista José Luís, os roupeiros. Reunir no tempo toda esta gente, com a cultura e a filosofia que existiam na instituição, permitiu colocar o FC Porto no patamar mais alto do futebol mundial. Nesse tempo, a instituição estava acima de qualquer um de nós, fosse quem fosse. E quem tocava em um, tocava em todos."
Hoje os tempos são outros, muita coisa mudou e evoluiu, mas Octávio considera que seria possível conciliar essas transformações com valores e princípios que nortearam o FC Porto. "A renovação tinha de ser feita, mas perderam-se valores a nível das cúpulas. Quem viveu esses momentos em Viena e Tóquio estranha muitas coisas que se passam agora, como a relação promíscua dos empresários com os dirigentes que fragiliza um elo que devia ser forte, que é o treinador, e que está na origem de muitos conflitos. Há quinze anos também havia empresários, como Luciano D'Onofrio e Lucídio Ribeiro, que trouxeram jogadores fabulosos como Mlynarczyk, Branco, Madjer, mas o relacionamento era completamente diferente. Para os jogadores, hoje, os empresários são mais importantes que os treinadores. Devem-lhes as carreiras porque atingem certos patamares de forma artificial, porque não têm condições para lá chegar. Por isso é que os clubes enfiam tantos barretes, com a conivência dos dirigentes. Não estou contra os empresários, que só fazem aquilo que os dirigentes querem. Há quinze anos não era assim – e também havia transferências gordas".
O que se passa actualmente no FC Porto traz à memória de Octávio a figura de Teles Roxo: "Foi uma perda irreparável para o clube. E estou à vontade para o dizer, porque estive do lado contrário ao dele no célebre Verão Quente. Comparar dirigentes como Teles Roxo com Adelino Caldeira é uma heresia. Este exemplo é significativo para estabelecer a diferença entre a estrutura que havia no FC Porto, e que fazia forte o presidente, e a que há hoje, que faz fraco o presidente."
Ter ou não ter paciência para Madjer
Era conhecido o feitio difícil e irreverente de Rabah Madjer, que chocava muitas vezes com a austeridade e o rigor do treinador Artur Jorge. O argelino quebrava, por vezes, a disciplina que o profissionalismo ao mais alto nível exigia. Octávio Machado, nas suas recordações da final de Viena, evoca Madjer com condescendência e carinho: "A sua dificuldade em adaptar-se às regras tinha a ver com valores da sociedade de onde vinha. Lembro-me de uma vez, num torneio em Foggia, em que não saiu do quarto durante dias porque, dizia ele, tinha dores de cabeça. Deixámo-lo estar, mas não permitimos que regressasse ao Porto como pretendia. Fomos para Barcelona, ao Torneio Juan Gamper, e o Madjer renasceu das cinzas. Ficou bom de repente, fomos à final com o Bayern de Munique e voltámos a vencer, dessa vez por 2-0, um ano depois de Viena. O Madjer partiu a loiça."
Em Viena foi o que se sabe. O argelino revelou-se determinante para a reviravolta no marcador. "Quando punha todas as suas virtualidades ao serviço do colectivo, era imparável. No Estádio de Prater esteve à sua dimensão."
Com um sorriso paternalista, Octávio caracteriza Madjer numa palavra: "Era bom rapaz e merecia, pelo seu talento ímpar, que fôssemos pacientes com ele..."
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