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RUBENS Júnior foi o primeiro jogador que o FC Porto contratou para reforçar o plantel na temporada 1999/2000. Trata-se de um defesa esquerdo de 24 anos nascido no interior do estado de São Paulo, na cidade de Taubaté, e com algumas passagens por selecções amadoras. O novo dragão quer mostrar-se aos adeptos e está ansioso pelo momento de vestir a camisola azul-e-branca.
— Como surgiu o interesse do FC Porto na sua contratação?
— No campeonato brasileiro de 98 tive um grande destaque jogando pelo Coritiba. Os dirigentes do FC Porto observaram algumas partidas minhas, gostaram do que viram e resolveram tentar a contratação, já que na altura precisavam de um defesa-esquerdo. Foi uma negociação difícil, uma vez que o Palmeiras não queria vender-me. Por isso, acabaram por contratar o Esquerdinha, porque precisavam de um jogador para aquela posição até final da temporada. Mas, mesmo assim, o interesse em mim continuou e eu mesmo pedi à Direcção do Palmeiras que me negociasse.
— Conhece bem o seu rival Esquerdinha?
— Conheço. Acho que ele é um grande jogador. Já nos defrontámos algumas vezes e o treinador poderá até utilizar os dois, já que eu sei fazer a posição de médio e defesa. Quem ganhará é a equipa, que vai passar a ter dois elementos de qualidade para o lado esquerdo.
— O que conhece do FC Porto que foi pentacampeão
— Não tenho grandes informações sobre como é o esquema de jogo. Sei que tem jogadores de grande nível, como o Jardel, que foi o melhor marcador da Europa, e o Vítor Baía, que é o guarda-redes titular da selecção.
— Quando é que se vai apresentar no FC Porto?
— Pelo que está previsto será dia 12 de Julho e eu vou sair do Brasil dia 10.
— A Liga dos Campeões já tinha passado pela sua cabeça?
— É uma grande competição parecida com a ”Libertadores”. Todo o jogador aqui deseja participar na ”Libertadores” e na Europa todos almejam a Liga, que me parece até uma Copa do Mundo, já que os participantes têm jogadores das selecções de vários países. É uma prova mais forte, mais popular e mais cara.
— Ter Argel, Jardel, Aloísio e Esquerdinha no elenco pode facilitar a adaptação?
— Quando se tem vários jogadores brasileiros que já conhecem bem quais são as dificuldades fica mais fácil para qualquer um adaptar-se.
— Quais são os grandes adversários do FC Porto?
— É estranho o Benfica e o Sporting não estarem com a competitividade do Porto. São equipas de tradição e consagradas na Europa. Talvez seja pela quebra desses conjuntos que o campeonato português perdeu um pouco.
— O que esperar da nova etapa na carreira?
— O futebol europeu é aguerrido e veloz. É diferente do Brasil, onde um jogador segura e trabalha muito a bola. Na Europa os jogadores jogam junto e é tudo muito rápido e de explosão.
— Você e o Argel têm tido muito contacto sobre a ida para o FC Porto?
— Nós virámos amigos depois que a transferência dele foi concretizada. Saímos para almoçar e conversar muito sobre a nova vida. Até somos amigos dentro do campo, apesar de termos sido rivais até terça-feira passada, já que é importante termos uma grande união por sermos novatos. Esperamos fazer sucesso como Jardel e Aloísio.
— Quanto custou o seu passe?
— Dois milhões e meio de dólares e assinei um contrato por seis anos.
— O que gostaria de deixar de mensagem para os adeptos do FC Porto?
— Nós já estamos com a cabeça preparada para enfrentar mais este desafio na carreira. Espero poder conquistar o mesmo espaço que tenho no Brasil. No Palmeiras tenho feito uma boa época e em Portugal quero ter o mesmo sucesso, principalmente nos grandes jogos com o Benfica e o Sporting.
— Os jogadores que vão para a Europa dizem que é um trampolim para a selecção do Brasil...
— Se se tiver um bom desempenho, despertar o interesse de vários clubes europeus e estiver na média europeia o seleccionador vai dar uma olhadela com carinho.o
ANTÓNIO CARLOS, correspondente no Brasil