A época dourada do FCPorto, associada a Pinto da Costa, começou verdadeiramente com José Maria Pedroto, o treinador que construiu o discurso contra “o centralismo de Lisboa”, encadeado numa série de mensagens simples tornadas bandeiras da causa portista.
Enquanto treinador do FCPorto, Pedroto foi protagonista de um dos períodos mais difíceis na concorrência com os clubes da capital, crónicos campeões, e sentiu na pele os efeitos dessa rivalidade.
Em 33 jogos disputados no comando dos portistas, na zona de Lisboa, o Zé do Boné, assim também era conhecido Pedroto, só conseguiu vencer três: um em Alvalade, frente ao Sporting, e dois no Restelo, com o Belenenses. Pedroto nunca conseguiu derrotar o Estoril fora, nem o Benfica, eleito por ele como o símbolo dos símbolos do centralismo.
Mais do que um treinador, considerado um verdadeiro ideólogo, Pedroto abriu duas frentes de batalha. Uma interna e outra externa. Em casa, o seu trabalho passou por convencer os jogadores de que seriam capazes de ganhar a qualquer adversário, em qualquer campo. Mas para isso teriam de passar a ponte do Porto para Gaia sem medo, confiantes.
A frente externa passou pela diabolização dos adversários e das estruturas de governação do futebol. A arbitragem, que cometia “roubos de igreja” a favor dos adversários, numa terminologia que passou de geração em geração, foi um dos seus principais alvos. Mas também as instâncias disciplinares o foram, numa estratégia que Pinto da Costa tomou como sua até à atualidade. Na verdade, não com ele, mas a partir dele, o FCPorto começou a ganhar muitas vezes na Grande Lisboa. E a somar títulos em série.
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