«Capacidade financeira é um pouco diferente dos números que lemos na comunicação social, onde parece que podemos gastar 20 ou 30 milhões aqui e ali»
Disse que o plantel estava mesmo necessitado de reforços para tornar a equipa mais competitiva - não abriu o jogo relativamente aos jogadores de que precisa, nomeadamente para a lateral esquerda e avançado. Essa necessidade tem muito a ver com a presença na Liga dos Campeões e com o reforço dos rivais?
"Acho que é bastante natural e penso que a minha análise da equipa foi sempre muito lógica sobre o que temos, o que precisamos e o que é o futuro próximo para nós. Foi assim no verão passado, foi assim em janeiro, altura em que acredito que, conjuntamente com o clube, nos movimentámos muito bem no mercado, adicionando os jogadores de que precisávamos para competir e preparar-nos de acordo com diferentes cenários possíveis.
De certa forma, se pensarmos nas últimas movimentações - como a chegada do Terem [Moffi] e do Seko [Fofana], juntando à do Thiago [Silva] e à do Óscar [Pietuszewski] -, foram cartadas para reforçar a equipa em posições que já precisávamos, porque tínhamos uma lesão e faltava-nos um extremo na frente. Mas as movimentações do Seko e do Terem foram de dois jogadores para dar força e reforçar a equipa. E, no final, pela forma como as coisas correram — a lesão do Samu que se seguiu e o impacto do Seko e a oportunidade para o Victor [Froholdt] poder 'respirar' um pouco —, sinceramente deu-nos a oportunidade de chegar ao fim da época a competir nas três competições com muita qualidade e com várias soluções possíveis para mim e para a equipa.
Por isso, nessa parte, com o clube estamos absolutamente alinhados sobre o que a equipa precisa para dar um passo em frente, para manter um certo nível de competitividade no campeonato e pelo facto de termos de elevar o nosso nível. Após um ano de trabalho, sabes perfeitamente onde precisas de mexer e do que a equipa precisa.
Por outro lado, é claro que é também porque o nível da competição está a subir. Acho que se pode ver claramente o impacto das decisões dos rivais em mudarem de certa forma para tentar alcançar um determinado nível de competitividade. E depois, claro, a Liga dos Campeões, que é claramente um nível superior de competição. Penso que as palavras do presidente há poucos dias sobre as nossas prioridades e o que temos de fazer no mercado estão lá, não dão margem para interpretações. Nessa parte há alinhamento, alinhamento total sobre o que queremos fazer.
E agora, claro, há a outra parte: o que podemos fazer. E é aqui que reside a razão pela qual as coisas se estão a atrasar um pouco, porque a possibilidade - a capacidade financeira - é um pouco diferente dos números que lemos diariamente na comunicação social, onde parece que podemos gastar 20 ou 30 milhões aqui e ali. A realidade é um pouco diferente, por isso é o momento de sermos criativos, encontrar a solução adequada para ter, no fecho do mercado, um plantel que possa competir novamente com a energia certa.
Mas, por outro lado, sem esquecer o poder da equipa que temos atualmente, a qualidade que temos em campo e a qualidade que temos no grupo em termos de liderança e valor. Porque, no final, se estamos onde estamos e se a expectativa sobe tanto, é porque estes rapazes já foram capazes de elevar a fasquia. E acho que não há ninguém no balneário e no clube que queira baixar..."