A Constituição do Dragão

A Constituição do Dragão
A Constituição do Dragão • Foto: Paulo César
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Em face dos documentos existentes, não será razoável colocar em causa a questão da data de fundação do FC Porto. O nascimento em 1893, pela mão de Nicolau de Almeida, está comprovado, tal como o facto de terem sido realizados jogos de futebol sob a égide do clube num hipódromo de Matosinhos e em terrenos do Campo Alegre, onde chegaram a marcar presença o rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia.

Após um período de letargia, o FC Porto ressurgiu em força por altura de 1906, impulsionado por José Monteiro da Costa. Deu-se aí início a um percurso que permitiu ao clube azul e branco crescer, passando por cinco estádios até desaguar, no próximo domingo, no majestoso Estádio do Dragão.

Para a maioria dos adeptos, o Campo da Constituição continua a ser a principal referência dos tempos passados, tendo o clube demonstrado o cuidado de manter uma fachada que desperta nostalgia. Todavia, o grémio portista começou a dar os primeiros pontapés na bola no Campo da Rainha, situado na que agora se designa por Rua de Antero de Quental. Por lá foi ficando até que a construção de uma fábrica nos terrenos que pertenciam à Companhia Hortícola Portuense obrigou, em 1912, à mudança para a Constituição. Isso deu um novo impulso ao FC Porto, mas acabou também por ser limitativo, dada a impossibilidade de ampliar o espaço disponível, pois estava enquadrado numa zona urbanizada. Após utilizar campos alugados e falhar algumas tentativas de conseguir um espaço próprio mais digno, em 1952 chegou finalmente a inauguração do Estádio das Antas.

Rivalidade inaugurada

O primeiro evento no Campo da Constituição foi torneio internacional, celebrado entre 26 de Janeiro e 2 de Fevereiro de 1913. Diz quem sabe que se tratou do primeiro certame do género em Portugal, tendo contado com a presença do FC Porto, Benfica, Oporto Cricket e Real de Vigo. Curiosamente, os azuis e brancos perderam 1-3 logo no primeiro embate, contra o Benfica. A rivalidade não seria a de agora, mas foi certamente um resultado mal digerido.

Pela utilização da Constituição, os portistas pagavam um aluguer de 350 escudos por ano. Compensado pelo facto de terem encontrado forma de praticar ténis nas instalações, criando ainda uma sede para o clube, situada num barracão. A quota mensal de 2 escudos e 50 centavos paga pelos sócios não permitia outros luxos, mas o crescimento que o FC Porto conheceu em termos sociais e desportivos mudou o cenário.

Indemnização pagou as bancadas

A luta pela melhoria das condições do Campo da Constituição foi hercúlea, tendo conhecido diversos esforços falhados. Os meios não abundavam e mesmo as bancadas só foram construídas depois do clube receber uma indemnização de 80 contos pela quebra de um contrato que lhe poderia ter disponibilizado os terrenos para a construção de um luxuoso complexo.

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