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Treinador do FC Porto mencionou partida de 1958, que na realidade decorreu em 1959, quando questionado sobre os 12' que o VAR nos Açores necessitou para chamar João Pinheiro a assistir o lance
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O Santa Clara-Sporting, duelo dos oitavos de final da Taça de Portugal que os leões venceram no prolongamento (e com muita polémica) por 3-2, não passou despercebido aos olhos de Francesco Farioli.
Em declarações no final do FC Porto-Famalicão, que os dragões venceram com uma margem confortável (4-1), o técnico italiano comentou a polémica relacionada com arbitragem que havia acontecido em Ponta Delgada - onde o VAR necessitou de 12 minutos para assinar um penálti a favor dos leões, já nos descontos, momento em que os açorianos estavam em vantagem no marcador - e referiu um encontro, segundo ele, disputado em 1958.
"Relativamente à última pergunta, não. Estamos com a cabeça no campeonato. Dentro de alguns dias, isso vai estar à nossa frente. Depois, o que vai acontecer em meados de janeiro, teremos tempo suficiente para nos prepararmos. Relativamente à situação que referiu, esta não é a única, mesmo para esta noite. Não tenho muitas palavras. Acabei de dizer que as imagens falam muito claramente. Não podem ser mais claras do que isto. A necessidade de receber uma chamada de cima [VAR], penso que está absolutamente lá. Talvez estivessem ocupados noutro canal. Sim, acho que a última vez que um jogo durou tanto tempo foi em 1958 [n.d.r.: foi em 1959]. Portanto, sim, a história repete-se", disse Francesco Farioli, durante a conferência de imprensa.
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Contudo, a partida a que o treinador do FC Porto se referia aconteceu um ano depois, mais concretamente a 22 de março de 1959, e envolve o seu outro rival, o Benfica, e um dos casos mais polémicos da história da arbitragem portuguesa. Falamos de Inocêncio João Teixeira Calabote, antigo árbitro internacional português da Associação de Futebol de Évora que ficou conhecido por ser o primeiro árbitro português a ser irradiado da arbitragem após acusações de corrupção relacionadas com o Benfica.
Tudo aconteceu durante a época 1958/59, cujo título de campeão foi disputado até ao último segundo por Benfica e FC Porto, que viria a conquistar o troféu. À entrada para a última jornada, os dois rivais estavam empatados em números de pontos na tabela classificativa e o único critério que os separava era a diferença de golos, que antes do início dos dois encontros era favorável aos dragões (+4). Os dois encontros começaram à mesma hora - e havia comunicação entre Torres Vedras e Lisboa -, porém um terminou uns 10 minutos depois, e sem justificação aparente.
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Mas não é tudo. Enquanto o FC Porto vencia por 3-0 no terreno do Torreense, com dois golos nos últimos minutos, o Benfica goleava a CUF por 7-1 na Luz, num encontro em que Inocêncio Calabote assinalou três penáltis - um quarto terá ficado por marcar. Ainda assim, dado o triunfo azul-e-branco em Torres Vedras, a goleada benfiquista verificou-se insuficiente... por apenas um golo.
Na sequência de tudo isto, Inocêncio Calabote é acusado de corrupção e afastado da arbitragem e ganha um lugar na história do futebol português, embora nas páginas mais negras da modalidade.
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