André Villas-Boas sobre as dívidas: «Sporting teve perdão que o deixou em patamar desigual»

Antigo técnico do FC Porto falou sobre o atual momento do futebol português e sobre os modelos de gestão

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• Foto: Ricardo JR
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O atual momento do futebol português, marcado pela perda de um lugar no ranking da UEFA e pela subida da dívida da generalidade dos clubes, é um facto de preocupação para André Villas-Boas. O antigo técnico do FC Porto falou sobre essa temática no Clube dos Pensadores, no qual participou esta segunda-feira, e apontou que é necessário mudar, deixando, pelo caminho, um reparo ao perdão que, diz, o Sporting teve recentemente.

"Durante tantos anos vimos entrar capital através das vendas, a maior fonte de receita a par da Liga dos Campeões, e de repente encontramos dívidas absurdas. Apesar de um dos clubes recentemente ter tido um perdão de dívida que o põe num patamar desigual", apontou, esclarecendo, de pronto, que estava a falar do Sporting.

Aprofundando depois o tema da dívida, André Villas-Boas explicou o que, na sua ótica, deve ser aprimorado. "Há um lado de governância que terá de chegar ao futebo. A UEFA e a FIFA cada vez introduzem mais restrições, sobretudo no que é paralelo ao futebol, como o agenciamento, agora fala-se em tetos salariais. Há cada vez mais controlo. A próxima década é fundamental para futebol português. Acaba de perder lugar no ranking para a Holanda e pode ser um cozinhar lento do fim do futebol português. Teremos de estar à altura com as medidas certas. A Liga tem estado ativa para tentar acertar as coisas. Há proposta do presidente do Sp. Braga, António Salvador, para reformatar os quadros competitivos. É altura de urgência máxima e, felizmente, na Cimeira dos Presidentes tem-se constatado dinâmica por parte dos presidentes para inverter situação. Fase é de urgência", apontou.

Para Villas-Boas, o futebol associativo está a chegar ao fim, algo que, como adepto do FC Porto, é difícil de encarar. "Há algo fundamental de que é importante ganhar consciência. Os clubes dentro do associativismo estão para terminar, infelizmente, porque se encontram, tirando alguns que estão na elite, como o Real Madrid, enterrados em dívidas, como o Barcelona. O associativismo representa a essência do futebol, principalmente para nós portistas. A invasão das propriedades é o reformatar da cultura do futebol. Representa a chegada de novo investimento, mas representa também a falência das antigas gestões. É um caso sensível. Enquanto consideramos estar virados para a modernidade, haver capital estrangeiro nas SAD's portuguesas representa o falhar do que aconteceu anteriormente. Entrada de capital é essencial de certa forma, tendo em conta a situação dos clubes portugueses", concluiu.

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