Apito Dourado: «Ele decide aquilo que o senhor quiser»
O nome de Jorge Nuno Pinto da Costa consta do rol de arguidos do grande processo relativo a uma eventual viciação das classificações dos árbitros, na época de 2003/04.
Ao lado de nomes como os de Pinto de Sousa, Mário Graça, ex-membro da Comissão de Arbitragem da Liga, Valentim Loureiro, e de vários árbitros de 1.ª categoria: Paulo Paraty, Carlos Xistra, Martins dos Santos, Paulo Baptista, Augusto Duarte, João Vilas-Boas, Lucílio Baptista, Nuno Almeida, Paulo Pereira, Artur Soares Dias, Rui Silva e Cosme Machado.
O processo está ainda nas mãos da equipa de Maria José Morgado e pode ser o último a conhecer uma decisão, no sentido ou não da acusação.
Neste momento, tenta-se apurar até que ponto as diversas personalidades envolvidas participaram num eventual esquema que permitia melhorias de notas e fazer acertos na classificação final. Como pode ter acontecido com Pedro Henriques – que não consta do lote dos arguidos – no caso da final da Taça de Portugal de 2003.
Neste caso particular, há registo de uma conversa entre Pinto da Costa e Pinto de Sousa, na altura presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, no sentido de colocar o árbitro lisboeta na 3.ª posição, à frente de João Ferreira, e com isto tornando-o tecnicamente o árbitro a nomear para o jogo entre FC Porto e U. Leiria – Pedro Proença, o 1.º, estava em Toulon e Paulo Costa, o 2.º, não podia apitar esse jogo por ser da AF Porto.
Influência
O papel de Pinto de Sousa na classificação dos árbitros não era o mais preponderante, pois à FPF compete apenas classificar os árbitros nas eliminatórias da Taça de Portugal enquanto a Comissão de Arbitragem da Liga supervisiona as suas classificações nos jogos da Liga.
E a verdade é que Luís Guilherme, então o presidente da CA da Liga, não é arguido neste processo. Inquestionável é, isso sim, o facto de Pinto de Sousa ter muito em conta a opinião de Pinto da Costa na hora de nomear os árbitros. Como o confirma uma conversa de Joaquim Oliveira, patrão da Olivedesportos, com o próprio em Novembro de 2003.
Oliveira diz: “O Pinto de Sousa decide aquilo que o senhor mandar decidir!” Reagindo PC: “Não, disse-lhe para dar isso ao Conselho de Arbitragem…” Em causa estava a nomeação do árbitro para o jogo de inauguração do Estádio do Dragão e a possibilidade de ser Martins dos Santos o árbitro. Como, efectivamente, foi, tendo sido coadjuvado nesse jogo por António Perdigão e António Neiva.