Áustria Viena-FC Porto, 0-1: Longe da classe de 87 mas com naturalidade

Nem José Mourinho nem os jogadores do FC Porto esperavam, seguramente, um jogo tão fácil de ganhar. Foi como "limpar o rabo a meninos", perdoe-se-nos a expressão. O Áustria é uma equipa muito inferior ao FC Porto, seja qual for o parâmetro de avaliação, mas o fosso ainda se acentuou mais a partir do momento em que a equipa austríaca entrou completamente amedrontada perante o nome do seu adversário.

De resto, Christoph Daum contribuiu para que esse estado de espírito entre os seus jogadores vingasse ao optar por um 4x4x1x1 muito encolhido, quando há quatro dias atrás, frente ao seu rival Rapid, apresentou um 4x2x3x1 muito mais elástico, dinâmico e balanceado para o ataque. É claro que o FC Porto não é o Rapid, que o "pressing" que exerceu desde o primeiro minuto foi determinante para desmontar toda a estratégia austríaca, mas há, de facto, uma diferença de andamento, de ritmo, entre as duas equipas que não são comparáveis. O próprio Daum confessou-nos isso mesmo dois dias antes do jogo.

De realçar a atitude personalizada do FC Porto, como equipa mais batida e experiente nestas andanças, ao exercer uma pressão alta desde o início do jogo, que teve o condão de perturbar ainda mais a já de si intranquila equipa austríaca. Essa pressão obrigou os seus jogadores a cometeram erros sucessivos. Foi impressionante o número de passes transviados e perdas de bola dos jogadores austríacos cada vez que eram pressionados.

Cedo o FC Porto sentiu a fragilidade do adversário. Aos 9' e 10', Deco atirou uma bola à barra e Postiga ofereceu a Derlei boa chance para inaugurar o marcador. Que tremideira nas hostes austríacas! Pressionada logo na primeira linha por Derlei, Clayton e Postiga, a defesa era um susto cada vez que saía com a bola controlada. O lateral-direito Scharner era um passador, de tal modo que Daum viu-se obrigado a fazer entrar o "negão" Akoto ainda na primeira parte.

Pressionando logo no meio-campo adversário, o FC Porto não o deixou respirar. Sem jogadores com qualidade individual para inventar espaços e fugir às marcações, o Áustria ficou refém do FC Porto durante todo o jogo, sempre a quilómetros da baliza de Baía, que não fez uma defesa. O Áustria fez um único remate enquadrado à baliza portista, o que é sintomático.

Esta "décalage" entre as duas equipas não teve expressão no resultado, porque o FC Porto falhou na transposição do jogo no último terço do campo, onde sentiu notórias dificuldades para criar espaços e desequilíbrios em ataque planeado [excepção quando pressionava e ganhava a bola logo à entrada da área adversária]. A equipa falhou essencialmente no penúltimo e último passes, que poucas vezes saíram em condições. Uma das excepções foi a abertura para Clayton, de que resultou o único golo.

Daum bem gritava lá para dentro para a sua equipa subir e pressionar, mais à frente, mas simplesmente não tinha capacidade para o fazer.

Significativo foi o facto de só depois do golo o FC Porto ter tido oportunidades claras de fazer o segundo e o terceiro, por Derlei e Jankauskas. A perder, o Áustria lá teve de arriscar tudo e subir no terreno, abrindo mais espaços no último terço do campo. Em resumo, longe de uma exibição com a classe de há quinze anos [o adversário e o contexto eram totalmente diferentes], o FC Porto cumpriu o mínimo que se lhe exigia perante uma equipa do terceiro escalão europeu, vencendo com naturalidade. A eliminatória está resolvida.

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