Bobby Robson: «Sporting e FC Porto dividem as minhas emoções»
GOMES FERREIRA e MIGUEL BARREIRA, enviados especiais
Barcelona - Bobby Robson tem 67 anos. A 3 de Setembro do ano passado substituiu Gullit no Newcastle. O presidente fez-lhe um contrato renovável ano a ano com uma cláusula que se deixar de treinar a equipa passa a “manager”. Cansado de não parar durante seis meses, trocou a chuva de Newcastle pelo sol catalão e chegou domingo a Sitges, um local tranquilo, perto do mar, a fazer recordar Cascais, para jogar golfe, uma paixão antiga. Nem de propósito. Na semana do Sporting-FC Porto, a dupla técnica que orientou leões e dragões, entre 92/93 e 95/96, e depois o Barcelona (96/97), estava reunida na cidade condal. Um reencontro muito saudado de uma dupla que pode voltar a juntar-se em Newcastle, naquele que é o último trabalho do treinador Bobby Robson, um homem que preza a amizade no “mundo estranho” do futebol.
“Estou de férias. Como é que me descobriram aqui?” No “hall” do hotel SuburMaritim, cujos donos são amigos íntimos do técnico inglês, Robson continua o mesmo brincalhão de sempre. Aquele jeito de fazer um ar sério, fingindo enfado para logo depois estabelecer o diálogo e entrar na amena cavaqueira. À hora combinada, como bom inglês que se preze, Bobby Robson chegou ao hotel para a entrevista, depois de um passeio à beira-mar. O técnico inglês mantém a jovialidade de sempre. O tempo passou mas ele está bem e recomenda-se. Em relação à última vez que o vimos, nos tempos do Barça, até parece que rejuvenesceu. Assim que se senta é ele que chama a si as atenções. Abre o Record, procura a classificação da I Liga: “Cinquenta e sete [FC Porto], cinquenta e cinco [Sporting]. O jogo é no campo do Sporting, não é?”
- Treinou o Sporting. Treinou o FC Porto. De que lado estará o seu coração no sábado?
- (uma longa pausa...) Em toda a minha vida de treinador respeitei sempre os clubes para os quais trabalhei. Fui feliz no Sporting, assim como fui feliz no FC Porto. Tenho muito orgulho de ter sido treinador dos dois clubes. Decidir de que lado poderei estar no sábado é difícil, muito difícil. Aconteceu o mesmo a semana passada quando o FC Porto jogou com o Barcelona. Para mim era estranho optar por um clube. Respeito-os a todos, adoro-os a todos. O que posso dizer mais? Que ganhe o melhor, seja o Sporting ou o FC Porto, o melhor.
- Se o Sporting ganhar passa à frente do FC Porto e fica numa situação privilegiada para ser campeão...
- Pode vir a ser, não quer dizer que vá ser. Quantas jornadas faltam para o fim do campeonato, dez jogos? Tudo pode acontecer no futebol, é um mundo muito estranho. Temos de esperar pelo jogo. O Sporting pode ganhar ao FC Porto, mas o FC Porto também pode ganhar. E pode haver um empate. O FC Porto talvez seja uma equipa ligeiramente mais forte. Mas o facto de o jogo ser já no sábado pode favorecer o Sporting. Repare: é uma grande semana para o FC Porto. Três dias depois do jogo com o Hertha defrontam o Sporting em Alvalade. É muito pouco tempo de recuperação.
“BOM TRABALHO INÁCIO!”
- Tem acompanhado a carreira dos dois clubes?
- Vou acompanhando. Sei que o Sporting tem estado bem, que mudou de treinador, que Inácio, o meu adjunto no FC Porto, tem feito um bom trabalho. Sei também que o FC Porto tem oscilado em alguns jogos mas continua a ganhar. E vai na frente do campeonato e com hipóteses de atingir os quartos-de-final da Liga dos Campeões.
- Surpreende-o o trabalho de Inácio no Sporting?
- Não, de jeito nenhum. Não é uma surpresa para mim. Inácio trabalhou comigo, aprendeu comigo. Fico satisfeito por o ter ajudado um pouco a desenvolver as suas aptidões como treinador. Ele trabalha muito bem. Depois do FC Porto foi para o Marítimo, Chaves, até que surgiu a grande oportunidade de treinar o Sporting, onde está a provar as suas enormes qualidades... Este é um dos meus problemas. Adoro o FC Porto e adoro o Sporting. Inácio trabalhou comigo no FC Porto e agora está no Sporting. O futebol é isto, feito de mudanças constantes.
- Peixe, Nélson, Capucho, que jogaram consigo no Sporting, estão no FC Porto; Rui Jorge, Bino, Edmilson, antes no FC Porto, estão agora no Sporting...
- Está a ver. Eu não lhe disse? Sou um homem dividido, tenho as emoções divididas [Edmilson no Sporting? Rui Jorge joga a titular? Bom jogador, com carácter; Peixe era jovem naquela altura, hoje está mais maduro; Nélson é titular? Bom jogador, rápido, gostava dele; oh!, Capucho, adoro Capucho, o seu estilo, a sua maneira de ser; Bino fez alguns jogos no meu último ano, estava emprestado, não é?]. É óbvio que tive mais sucesso no FC Porto, também porque estive lá mais tempo. Naquela altura o FC Porto tinha os melhores jogadores, um grupo muito forte, com uma mentalidade muito forte, um presidente muito inteligente. É um clube poderoso e eu gostei de trabalhar lá. Mas também nunca esquecerei o Sporting porque foram eles que me trouxeram para Portugal. Mas... Não é pelos jogadores, nem pela cidade, nem pelos adeptos, mas apenas por aquilo que me aconteceu no Sporting, o meu despedimento, que os meus sentimentos talvez se inclinem mais pelo FC Porto.
“SPORTING, FABULOSA EQUIPA!”
- Já lá vamos. Lembra-se do dia em que recebeu o convite para treinar o Sporting?
- Sim. Lembro-me de Sousa Cintra. Ele foi até Eindhoven e persuadiu-me para ir para Portugal.
- Estamos a falar da época 92/93. O Sporting, visto à distância de oito anos, tinha uma equipa recheada de grandes jogadores...
- Oh!, se tinha. Lembro-me bem dessa fabulosa equipa. Trouxe o Stan Valckx, lembra-se? Vocês diziam “Vólckx”, mas diz-se “Váléckx”. Ele era um fantástico jogador, um fantástico jogador. Gostava muito dele. Tinha uma personalidade muito forte. Em 92/93 terminámos em terceiro lugar mas na temporada seguinte tínhamos uma equipa superior, com Peixe, Nélson, Valckx, Cherbakov, Balakov, Cadete, Figo, Capucho, Juskowiak, Pacheco, Sousa. Que equipa! Íamos ganhar a Liga. Tínhamos um grupo muito forte, com muito mais qualidade. Éramos uma família.
- É então que o Sporting é eliminado pelo Casino Salzburgo da Taça UEFA e Sousa Cintra despede-o...
- [com um ar entristecido] Ainda hoje não sei o que se passou. Só Cintra poderá responder.
- Ficou zangado com ele?
- [cerra os punhos] Muito. Muito mesmo. De repente, após a derrota em Salzburgo, ele despediu-me. Estávamos no topo do campeonato. Ele era o presidente e não podemos ir contra as decisões de um presidente. Mas foi a decisão dele, não a minha decisão. Estive 14 anos no Ipswich Town. 14 anos é muito tempo. Pensei que podia ficar muitos anos no Sporting. Futebol precisa de continuidade, e não que os treinadores mudem constantemente.
- Havia o desejo por parte de Sousa Cintra de contratar Carlos Queiroz, o que acabou por acontecer.
- Não faço ideia. Não posso responder a essas questões. Não sei o que se passa nas minhas costas. Nem gosto desse tipo de situações. O Sporting fez aquilo que entendia ser o melhor para ele. Mas não quero falar mais desse assunto. Não estou aqui para isso. Não quero destruir pessoas. Foi algo que aconteceu na minha vida e pronto. Mais nada.
- Como explica o desaire em Salzburgo? 2-0 em Alvalade e depois uma derrota por 0-3, já no prolongamento, e a consequente eliminação da Taça UEFA.
- Pouca sorte. Perdíamos por um a zero, o jogo estava quase a acabar e o Manuel Fernandes gritava para dentro do campo “está na hora” e eles fizeram o dois a zero mesmo no fim. No prolongamento, marcaram o terceiro golo.
Figo atirou ao poste, Balakov perdeu uma grande “chance”. Fomos eliminados. Mas estávamos no topo da Liga.
- Que jogadores lhe deixaram melhor impressão na passagem pelo Sporting?
- Nenhum jogador em especial. Todos tinham a sua personalidade. Valckx tinha uma mentalidade muito forte, Balakov era fantástico, Figo tinha um grande potencial. Via-se logo que Figo iria ser um jogador de topo mundial. No primeiro ano Figo e Capucho concorriam para o lado direito do ataque. Depois dei mais liberdade a Figo.
- Numa entrevista ainda em Portugal disse que o que faltava a Figo para atingir o topo era começar a marcar mais golos.
- Agora ele faz isso. Ele sempre teve um talento muito grande, tecnicamente teve sempre tudo. Eu só lhe dizia: “Tens que marcar mais golos.” E agora ele faz isso. Marca golos espectaculares. Figo é um excelente jogador. Precisa de se sentir mais livre, às vezes, mas na minha opinião quando ele joga na direita é muito forte.
“FC PORTO ERA EXPERIENTE”
- Após o despedimento no Sporting, seguiu-se o FC Porto. No mesmo ano.
- Fiquei de rastos quando perdi o meu emprego no Sporting. Ainda por cima, Sousa Cintra não me quis pagar os últimos seis meses do meu contrato. Todos os meses me dizia que pagava. Continuei em Portugal, no Monte Estoril, até que chegou o convite de Pinto da Costa e acabei por ir para o FC Porto. Nunca mais recebi o dinheiro do Sporting.
- Quais as principais diferenças que encontrou quando chegou ao FC Porto?
- Os jogadores eram outros, o clube era outro. Mas deu para perceber que estava perante um poderoso clube, liderado por um presidente muito inteligente, e que tinha à minha disposição jogadores com grande experiência, como Semedo, André, João Pinto, Vítor Baía, Jaime Magalhães.
Era uma extraordinária equipa. Os jogadores do FC Porto eram muito fortes psicologicamente. Ao contrário do que aconteceu no Sporting, desta vez eu tinha uma equipa experiente, jogadores com muita qualidade. Gostei muito de trabalhar com eles.
- Custou-lhe a mudança de Lisboa para o Porto?
- São duas cidades completamente diferentes. Adorei o Porto, é uma cidade mais portuguesa, as pessoas têm um calor humano especial. Lisboa é uma cidade cosmopolita, onde coabitam diferentes nacionalidades. O Porto é uma cidade mais íntima.
- Na final da Taça de Portugal, em 93/94, e em 94/95 para o campeonato ganhou ao Sporting, então treinado por Carlos Queiroz.
- Deu-me um grande prazer ser campeão pela primeira vez pelo FC Porto em Alvalade. Foi uma espécie de vingança. Porque aquilo que o Sporting fez comigo não foi correcto. Nesse dia, antes do jogo, disse ao presidente que íamos ganhar a Alvalade e que seríamos campeões. Ganhámos 2-0. Alvalade foi o lugar perfeito para nos sagrarmos campeões.
“PINTO DA COSTA JOGA XADREZ”
- Pinto da Costa era diferente de Sousa Cintra.
- Sousa Cintra não tinha experiência no mundo do futebol. Pinto da Costa, pelo contrário, é um homem muito experiente. Esta era a diferença entre os dois. O FC Porto está sempre um passo à frente dos outros clubes porque Pinto da Costa pensa pela sua própria cabeça, antecipa as situações. É um belíssimo jogador de xadrez. Possui grandes convicções e é dono de uma grande personalidade. O FC Porto é assim. Nunca trabalhei com o dr. Roquette, mas tenho as melhores impressões dele. Continua ligado ao clube, não continua? (Robson fica a par da situação)
- Já recebeu o dinheiro que o FC Porto lhe deve?
- Não quero falar sobre isso. Não estou aqui para isso.
- A época de 94/95, no seu primeiro ano completo à frente do FC Porto, marcou o início do penta do FC Porto.
- Melhorámos ainda mais a equipa. Foram duas equipas seguidas maravilhosas. Contratámos Emerson, que foi muito importante para desenvolvermos o nosso futebol, Latapy, o húngaro Lipcsei, um bom jogador, Rui Barros regressou do Marselha, Edmilson veio do Salgueiros. Era uma grande equipa: Vítor Baía, Rui Jorge, Paulinho Santos, ah!, eu gosto de Paulinho Santos, que carácter, que agressividade. Jorge Costa, outro grande jogador, ele é espectacular. E depois tínhamos Domingos, um jogador fantástico.
- Era o Jardel da altura.
- São jogadores diferentes. Lembro-me bem de Domingos. Um grande jogador. Não era um ponta-de-lança forte fisicamente, mas era muito dotado tecnicamente, muito esperto, tinha um bom drible. Jardel é fantástico, gosto muito dele. É um verdadeiro “striker”. Tem condições para jogar em qualquer clube do Mundo, Manchester, Barcelona, Real Madrid... Domingos e Jardel jogam juntos agora? Fantástico. Para mim, eles são compatíveis. Formam uma dupla terrível.
- Em dois anos e meio ganhou no FC Porto dois campeonatos, duas supertaças, uma Taça de Portugal. Só na Europa falhou.
- Em 93/94, chegámos a uma meia-final com o Barcelona. Perdemos 0-3, no Camp Nou, num só jogo. Tínhamos de ganhar se quiséssemos seguir em frente. Mas o Barcelona tinha uma equipa melhor: Stoitchkov, Romário, Koeman. Em Portugal, o FC Porto era o melhor. Mas na Liga dos Campeões, contra a Lazio, contra o Barcelona, contra o Manchester United, é diferente, é muito diferente. Mas mesmo assim chegámos a uma meia-final no meu primeiro ano. E vencemos 5-0 em Bremen.
- Para terminar: quem eram os verdadeiros líderes no FC Porto e no Sporting?
- João Pinto, André, Jorge Costa no FC Porto. No Sporting, Stan Valckx era o pai. E também Balakov. Dos portugueses, já se notava em Figo características que faziam adivinhar que daria um grande líder, como acontece hoje no Barcelona.
- E qual a melhor recordação que tem da passagem pelos dois clubes?
- A vitória, por 2-0, frente ao Benfica. Balakov marcou um golo logo no primeiro minuto. Toda a gente estava excitada. Havia um ambiente de loucura no estádio. No FC Porto adorei quando vencemos a Taça de Portugal ao Sporting, e ganhámos o campeonato em Alvalade. Foram os meus primeiros títulos em Portugal.
O ACIDENTE DE CHERBAKOV
“Se não tivesse perdido o meu emprego no Sporting não teria acontecido. Os jogadores quiseram-me fazer um jantar de despedida. Naquela noite, no final, despedimo-nos, desejei aos jogadores as maiores felicidades, e Cherbakov foi a um clube nocturno. Depois toda a gentes sabe o que aconteceu, foi para casa muito tarde e teve um terrível acidente, que o deixou num estado muito grave... É horrível pensar nisso tudo. Cherbakov ia ser um fantástico jogador, de top mundial”
A MORTE DE RUI FILIPE
“Foi terrível. Morreu num acidente estúpido. Rui Filipe era um bom jogador, muito forte na marcação, tinha um bom “tackle”. A morte dele é daquelas coisas que eu nunca mais esquecerei. Foi um dos piores momentos da minha vida. Ele era um rapaz maravilhoso, bonito, tão jovem, tinha um grande carácter, dava-se bem com toda a gente. Terrível o que aconteceu. Andei sempre com uma fotografia dele até ao fim do campeonato”
A IDA PARA BARCELONA
“Dois meses antes de ir para Barcelona comprei uma casa na Foz. Só lá estive praticamente um mês. Barcelona é outro nível. É outro patamar de competição, a qualidade é muito superior. É um clube grandioso e gostei tanto de ter estado cá que sempre que tenho um tempo livre, como agora, volto a Sitges para estar com os amigos. Levei para o Barcelona o Vítor Baía, o Fernando Couto, o Amunike, voltei a encontrar o Figo. Apesar de não ter ganho o campeonato, tive uma passagem de sucesso pelo Barcelona.”
A CONFIANÇA EM MOURINHO
“Levei Mourinho comigo para o FC Porto e depois para o Barcelona porque confio nele. Nunca se sabe o que se está a passar nas nossas costas.
Mourinho é uma pessoa inteligente e que gosta de aprender. Tem evoluído muito e pode vir a ser um bom treinador. Ele é muito inteligente. Acho que um dia, José Mourinho vai regressar a Portugal e será um grande treinador em Portugal. Tem uma grande experiência, trabalhou comigo, com Louis van Gaal, trabalhou em grandes clubes, com grande sucesso. Acho que está preparado para treinar um FC Porto ou Sporting, por exemplo.”
CAMPEÃO EM INGLATERRA
“Estou num fantástico clube. Newcastle é o meu último trabalho. Gostava de ser campeão em Inglaterra, no clube do meu pai. Fui campeão na Holanda, em Portugal, tive um grande sucesso no Barcelona. Peguei na equipa em último e agora estamos a meio da tabela. Para o ano vamos fazer um grande investimento para tentar combater o Manchester United, Liverpool, Arsenal, Leeds United, Chelsea, clubes com um “budget” superior ao Newcastle, actualmente de 18 milhões de contos.”
REFORÇOS PORTUGUESES E NÃO SÓ
“Hélder tem um pequeno problema no joelho. Foi operado. Quando está em perfeitas condições joga bem. Gosto dele, tem carácter, o único problema são as constantes lesões que lhe aparecem. Se estou a pensar contratar um jogador português (risos). Bem, gostava de ter o Figo no Newcastle (risos).
Gosto de muitos jogadores portugueses, mas para levar para o Newcastle. Deixe-me pensar: talvez Jorge Costa e Vítor Baía. Gosto muito deles. O Sporting tem lá um jogador muito bom, Mpenza. É muito rápido e forte no drible. No FC Porto, Deco tem muito talento.”
ADJUNTOS NÃO INGLESES
“Acredito que a vida é muito curta. E quando se trabalha, deve-se fazê-lo com bom coração, devemos ser todos companheiros uns dos outros. Na minha vida, no Sporting, no FC Porto, no Barcelona, nunca levei um adjunto inglês. Souness fez isso, por exemplo, no Benfica. E porquê? Porque prefiro trabalhar com pessoas da zona onde estou a trabalhar. No Sporting aceitei Manuel Fernandes e José Mourinho; no FC Porto, Inácio e Murça; no Barcelona levei Mourinho e trabalhei com adjuntos espanhóis.”