Década de golos
O primeiro 0-0 no FC Porto-Sporting só chegou em 1960/61, no 25º encontro entre as duas equipas. O último empate a zero aconteceu em 92/93, repetindo-se o resultado da temporada anterior. A partir daí, sempre que os leões visitaram os dragões, houve pelo menos dois golos no final da contenda.
Que a década de golos sirva de exemplo para um jogo de nervos. Frente a frente estarão dois jogadores com grande propensão para manter a tradição: McCarthy e Liedson.
O sul-africano já sabe o que é marcar ao Sporting no ninho do dragão. Fê-lo na época passada, nas Antas, contribuindo para a goleada (4-1) do FC Porto. Liedson tem ainda de se estrear, quer fora quer em casa, mas está num bom momento de forma e pode ser que resolva, como pedem os adeptos.
Nos actuais plantéis, poucos jogadores marcaram golos num clássico disputado em casa do FC Porto. Maniche fez dois, Hélder Postiga, Derlei e McCarthy um cada. No lado oposto, Pedro Barbosa bisou e Beto e Rochemback acompanham-no com um golo cada.
Há dias assim
Nem McCarthy nem Liedson sonham em liderar a lista dos goleadores no FC Porto-Sporting. O passado dita leis. Correia Dias dizia que era jogador de futebol, mas ninguém acreditaria ao olhar para o seu físico. Natural de Ovar, o moço parecia mais guarda-costas. O que mais gostava de fazer era mesmo marcar golos, balançando de alegria os 100 quilos que muitas vezes ostentava.
Era tanta a paixão pelo desporto-rei que se dizia contra o profissionalismo e nem queria ouvir falar em salários quando jogava com a camisola do FC Porto. A dada altura foi mesmo obrigado a aceitar o dinheiro. Disse que sim, foi juntando o pecúlio e no final da carreira... devolveu-o ao clube. Porque gostava de ser amador e não precisava dele para viver.
Este valente idealista, de traços de lenhador, gostava de participar no FC Porto-Sporting. Era um clássico recente nos anos 40, mas já muito apetecível e importante. Só não lhe podiam pedir hospitalidade quando recebia os leões no campo da Constituição. Afinal era sua casa e lá mandava.
Quando marcou ao Sporting, nunca ficou satisfeito com um golinho apenas. A 5 de Abril de 1942, na 12ª jornada, marcou dois na vitória (3-0) da equipa portista. Na época seguinte, a 17 de Janeiro de 1943, na 2ª jornada, fez mais dois, em jogo que acabou com empate (2-2).
Quando o fantasma já parecia estar morto e enterrado, regressou a 8 de Fevereiro de 1948, com três golos (4-1) ao guardião Azevedo. São sete no total, em clássicos como visitado, o que o coloca à frente da lista, seguido de Peyroteo (6) e Jardel (5).
Correia Dias não foi o primeiro jogador a conseguir um "hat-trick" no clássico disputado em casa do FC Porto, nos jogos de campeonato. Antes, o dragão Kordnya fizera o mesmo, em 39/40. Foi preciso esperar por 79/80 para ver feito idêntico. Autor: Oliveira.
Jardel marcou nos dois lados
Mário Jardel marcou muitos golos ao serviço do FC Porto e Sporting. Nas Antas, defrontou ambas as equipas com as respectivas camisolas, tornando-se no único jogador da histórias a marcar pelos dois lados num clássico disputado em casa dos dragões. Ao serviço do FC Porto, apontou quatro golos, bisando em 99/00. Em 01/02, de verde e branco, bateu Baía de "penalty".