Deco na corrida à Bola de Ouro
Deco foi nomeado pela "France Football" para lista dos 50 melhores futebolistas a actuar na Europa, de entre os quais será eleito o vencedor da Bola de Ouro, troféu com que a revista desportiva francesa distingue o que considera ter sido o melhor jogador do Mundo em 2003.
É a primeira vez que o FC Porto tem um candidato ao troféu individual mais prestigiado do Mundo, atribuído segundo a escolha dos jornalistas da publicação, cujo vencedor é aceite como rei pela generalidade dos amantes do futebol, credibilizando-o mais do que o prémio para o melhor jogador do ano instituído pela FIFA, com base nas votações dos seleccionadores nacionais de todo o planeta. Deco está, assim, na corrida à sucessão de Ronaldo no trono de melhor jogador do Mundo, que Figo conquistou em 2001, e que pode retomar este ano, pois volta a figurar entre os eleitos. Aliás, Portugal consegue um momento ímpar de glória com três nomeações, dada a presença neste grupo restrito do avançado do Paris-SG, Pedro Pauleta.
Como é fácil imaginar, os 50 nomeados são jogadores fantásticos e para todos os gostos, tornando a eleição um exercício de enorme dificuldade. Deco, Pauleta e Figo têm a honra de figurar numa parada de estrelas que vai desde Zidane (Real Madrid) a Oliver Kahn (Bayern Munique), incluindo vedetas como Ronaldo, Raúl Beckham, Del Piero, ente outros, num desfile que cega de tanto brilho. Será, por certo, um motivo de orgulho para todos os portugueses que gostariam, e até defenderão, que a presença lusitana poderia ser mais expressiva. Mas a presença de Deco, como a de Pauleta, ganha uma dimensão fantástica devido a uma certa desigualdade de condições competitivas e até sociais, futebolisticamente falando, que existe entre jogar no FC Porto e no Paris-SG e no Real Madrid, que só à sua conta tem oito nomeações, ou nove, se se considerar que a presença de Makelele (Chelsea) deve-se em grande parte do que fez ao serviço dos "merengues".
A carreira do FC Porto a época passada, com destaque para a conquista da Taça UEFA, é um fenómeno estreitamente ligado à nomeação de Deco, talvez ainda um pouco beneficiado pelo público interesse do Barcelona na sua contratação. Mas no outro lado da balança pesará a ausência de competição com a Selecção Nacional, dedicada, como se sabe, apenas a jogos de preparação, dada a sua condição de anfitriã no Euro-2004.
O eleito será conhecido em Dezembro e aos portugueses resta esperar para ver se o Pai Natal põe uma bola de ouro no sapatinho.
Alguma surpresa pela ausência de Rui Costa
A ausência de Rui Costa entre os 50 nomeados para a Bola de Ouro causa alguma surpresa. O contributo decisivo para a conquista da Liga dos Campeões, reconhecido pelo técnico Carlo Ancelotti e pelos companheiros de equipa, é um argumento que deveria ter algum peso para a escolha. Rui Costa pode não ter feito a melhor época de sempre, mas deixou no banco uma vedeta como Rivaldo e conquistou San Siro, conseguindo conciliar aquilo que lhe escapou nos anos em que tinha a admiração de toda a Europa: títulos. É pena.