Documentário do FC Porto: lágrimas de Vasco Sousa, a lesão de Samu e as palavras de João Costa na Luz
Jogadores falam da "importante" derrota em Rio Maior e Jorge Costa é evocado pelo guarda-redes antes do clássico com o Benfica
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O FC Porto publicou esta quinta-feira o documentário que mostra os bastidores da conquista do título de campeão nacional. O terceiro dos quatro episódios, intitulado "Reação de campeão", começa com o estágio de janeiro no Algarve, onde foram integrados os reforços Thiago Silva e Pietuszewski. Moffi e Fofana chegariam mais tarde, mas os pontos fortes dessa passagem da época de sucesso portista estão relacionados com o regresso de Vasco Sousa ao Olival, a grave lesão que Samu pensou não ser preocupante e ainda o discurso de João Costa, quando o FC Porto foi à Luz empatar com o Benfica a duas bolas. Isto para não falar da derrota "importante" frente ao Casa Pia.
Depois da grave lesão sofrida no Moreirense, onde iniciou a época passada por empréstimo, e das constantes presenças no bloco operatório, Vasco Sousa voltou ao Olival para iniciar a sua recuperação. O momento ficou marcado por muitas lágrimas do jovem médio, que foi recebido pelo treinador Francesco Farioli e pelo capitão Diogo Costa, antes de falar ao grupo na sala de reuniões.
"Foi muito bom sentir a energia que recebi aqui, depois do maior pesadelo da minha vida. Senti-me uma força para o grupo", começa por dizer Vasco Sousa, antes de voltar a quebrar quando falou para todo o grupo de trabalho, ainda apoiado num par de canadianas.
"Vi o meu sonho quase a ir por água abaixo. Tive uma força extra desde o início, a que vinha de cada um de vocês. O meu sangue é azul e estou pronto para mais uma luta. Obrigado e prometo ser mais um a ajudar", disse ainda.
A derrota importante
Logo de seguida, no mesmo episódio do documentário, é feita uma análise já a frio à derrota com o Casa Pia, a primeira de duas do FC Porto no último campeonato. E todos os jogadores que falaram dela, falam da importância desse momento.
" Após a derrota contra o Casa Pia, houve mais pressão de fora do que aqui dentro. As pessoas diziam que estávamos a perder a confiança, que já não sabíamos ganhar. Esses momentos fizeram-nos quem fomos ao longo da época. E se nos vissem ao longo da época, fosse em que prova fosse, estivemos sempre juntos e acho que esse foi o nosso grande poder", começa por afirmar Pablo Rosario.
"Foi a nossa primeira derrota e achas que pode realmente abanar alguma coisa ou a malta mais jovem sentir ali, de alguma forma, o peso da derrota, mas não. Chegamos ao autocarro e todos diziam que era só jogo, uma derrota, que não podíamos em stress. Era só continuarmos a fazer aquilo que tínhamos vindo a fazer até aquele momento. Ainda bem que aconteceu uma derrota nessa fase para percebermos que nem tudo é um mar de rosas e que íamos ter que sofrer para sermos campeões", prosseguiu Cláudio Ramos.
O capitão Diogo Costa seguiu na mesma linha de raciocínio dos colegas: "Uma derrota nunca é positiva, mas eu acho que foi positivo no que trouxe depois. Aí sentimos que é sempre preciso mais um bocadinho em todos os jogos, é sempre preciso estar com a ficha bem ligada na tomada. Houve conversas entre nós, tivemos que falar dos problemas que estavam a existir naquele momento, mas soubemos reagir, trabalhar bem todos os dias, com foco, e a equipa uniu-se ainda mais. Um jogo bastante importante."
Gabri Veiga saiu dessa derrota com sentimento igual: " "É difícil explicar, mas a derrota com o Casa Pia foi um jogo muito importante para nós. A partir daí seguimos ainda mais unidos. Outra equipa podia cair nesse momento, mas nós tínhamos muita confiança em nós, trabalhávamos uns pelos outros todos os dias."
Fofana abraçado por quem mal conhece
Logo depois, o FC Porto empata com o Sporting, no Dragão, a uma bola, no jogo de estreia de Fofana, que abriu o ativo dessa partida pouco depois de ter saltado do banco. O médio recorda o momento do golo com grande emoção.
"Se o treinador te dá um minuto tens de fazer a diferença. Quando chegas e marcas é uma boa mensagem. Quando marquei foi um loucura. Ainda nem conhecia bem alguns jogadores e eles abraçavam-me daquela maneira. Depois do jogo percebi que tinha sido algo muito importante para o clube e para os meus colegas", afirmou Fofana, cabendo, depois, a Diogo Costa comentar o golo que sofreu e que permitiu o empate de Luis Suárez.
"Foi bastante frustrante porque atirei-me com tudo e a bola não foi assim tão colocada. Ao tentar encolher-me, tentei defendê-la mas, se calhar, dei tanta energia nesse lance que acabei por prejudicar um bocado a equipa. Foi com essa vontade de querer esticar ao máximo como se a bola fosse o mais encostada possível ao poste e acho que depois ao tentar encolher-me foi o problema".
Samu e a lesão grave que não o iria retirar de mais do que um jogo
Nesse clássico com o Sporting, Samu lesionou-se com gravidade e continua sem jogar desde aí, mas as primeiras impressões do atacante foram mais leves.
"Na altura não percebi o que se tinha passado. Foi um choque, senti uma dor forte no joelho, mas era como uma pancada e continuas a jogar. Sentia alguma instabilidade. 15 a 20 minutos mais tarde o joelho estalou. Quando o doutor me veio ver eu disse que queria continuar a jogar. Mesmo no balneário queria seguir a jogar. O míster perguntou-me e eu disse que jogava, mas depois ele olhou para o doutor e o doutor disse que era melhor nao continuar. Comecei a ficar um pouco preocupado. mas no final no jogo não sentia muita dor. Borja perguntou-me como estava, disse-lhe que acreditava que não seria nada. que falharia um jogo e depois voltava", explicou Samu.
João Costa pôs o balneário visitante da Luz em chamas
Mais à frente, quatro jornadas depois, o FC Porto desloca-se à Luz para defrontar o Benfica e Farioli convidou João Costa a falar ao grupo, no balneário, antes da subida ao relvado para o jogo. O discurso do terceiro guarda-redes do plantel foi vibrante e ofereceu energia aos colegas.
"O míster convidou-me a falar e eu aceitei com todo o gosto. Quero dizer-vos que, pela história, o Benfica é um clube de vedetismo, de mediatismo, de vaidade... E nós, pelo nosso ADN, pelas nossas pessoas, a nossa região, somos um clube de trabalho, de superação, de sacrifício. E todos juntos, ninguém nos bate, car***o. Eles acham que têm vantagem, mas eles não sabem que já estão a perder aqui dentro, porque eles não têm aquilo que nós temos, que é esta família... Todos juntos, vamos correr uns pelos outros, vamos superar-nos. Em cada sprint, sprintamos mais do que eles, nos duelos metemos o pé por cima do deles. E nunca se esqueçam o que disse o nosso eterno Jorge, car***o, nós voltámos a ser uma equipa, nós voltamos a ser o FC Porto. Vamos lá."