Eleição de Pinto da Costa aconteceu há vinte anos

Foi a 17 de Abril de 1982 que Pinto da Costa ganhou as eleições para a presidência do FC Porto. Tendo sido decisivo no regresso dos azuis e brancos aos títulos quando assumiu a chefia do departamento de futebol na vigência de Américo de Sá, o actual presidente portista culminou a sua ascensão no seio do clube e abriu um novo ciclo. São já duas décadas recheadas de êxitos, de alegrias, mas também de algumas polémicas

Eleição de Pinto da Costa aconteceu há vinte anos
Eleição de Pinto da Costa aconteceu há vinte anos • Foto: Luís Vieira
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PINTO da Costa foi eleito presidente do FC Porto há precisamente 20 anos. No entanto, o acto eleitoral acabou por ser uma mera formalidade para ratificar o protagonismo que já detinha na vida do clube. Associado desde 1954, Pinto da Costa começou a exercer funções de dirigente nas Antas a partir de 1962. Fez um pouco de tudo. Esteve no hóquei em patins, na secção de boxe, foi até o responsável das modalidades amadoras.

Percorreu um caminho seguro no FC Porto até chegar à principal modalidade, o futebol. Isto como consequência dos esforços que tinha realizado para viabilizar o regresso de José Maria Pedroto às Antas. O nome do técnico tinha sido vetado em Assembleia Geral, pelo que Pinto da Costa desempenhou um papel importante na reabertura das portas do clube a um treinador que ficaria na sua história. O "mestre", em primeira instância, cumpriu a palavra que tinha dado a Valentim Loureiro, ficando no Boavista. Mas na época de 1976/77 finalmente regressou ao FC Porto.

Teve então início uma parceria de sucesso, que conjugava excelentes resultados desportivos com a abertura de uma impiedosa guerrilha verbal contra a supremacia lisboeta. Uma atitude que criou feridas até a nível interno. O presidente de então, Américo de Sá, preferiu afastar Pinto da Costa do que aceitar a existência de uma frente de combate contra o poder do Sul.

Essas divergências resultaram, em 1980, no que ficou conhecido por "Verão Quente". A equipa técnica mostrou-se solidária com Pinto da Costa e também foi afastada. Um grupo que incluía os principais jogadores tomou partido contra a Direcção e refugiou-se em Santa Cruz do Bispo. Chegava então austríaco Hermann Stessl para treinar o FC Porto.

Foram dois anos sem sucessos relevantes mas, quando já se temia o início de mais um período de insucesso, Pinto da Costa acedeu a candidatar-se à presidência para suceder a Américo de Sá. Em primeira instância, Pinto de Magalhães também apresentou uma lista, mas nos últimos dias de campanha acabou por retirá-la. Pinto da Costa surgiu nas urnas sem oposição, mas ainda assim viu a sua eleição ratificada pela afluência de mais de cinco mil votantes. Poucos dias depois tomava posse como o 31º presidente da história do FC Porto. O que aconteceu nas últimas duas décadas é do conhecimento geral. Foram enormes os êxitos, incontestável o crescimento, bem como intensas algumas polémicas. Mesmo nos momentos de maior agitação, a figura de Pinto da Costa é a única que não merece contestação por parte da massa associativa.

Pedroto manteve ligação muito forte a Pinto da Costa

Formaram uma dupla temível. José Maria Pedroto e Pinto da Costa tiveram as suas vidas interligadas durante alguns dos momentos mais saborosos da afirmação portista. O presidente lutou pelo seu regresso em duas ocasiões, o treinador fez questão de contar sempre com o seu apoio. A morte de Pedroto foi particularmente dolorosa para Pinto da Costa.

Homens do presidente ainda estão em funções

Do primeiro elenco directivo apresentado por Pinto da Costa, três elementos ainda se encontram em funções no FC Porto. São eles Ilídio Pinto (Modalidades), Álvaro Pinto (Conselho Cultural) e Júlio Marques (Filiais e Delegações), para além de Sardoeira Pinto, presidente da Mesa da Assembleia Geral que ainda se mantém.

Sufrágio deixou patente confiança dos associados

Não tendo opositor nas urnas, Pinto da Costa não deixou de se regozijar pela comparência no acto eleitoral de 1982 de 5028 associados. A sua lista, a B, recebeu 4591 votos válidos, tendo sido os restantes considerados nulos. O Conselho Superior foi o único órgão ao qual a lista A se apresentou, mas ainda assim recebendo somente 700 votos.

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