Faleceu Hernâni Ferreira da Silva
O ANTIGO futebolista internacional português Hernâni Ferreira da Silva, que brilhou no FC Porto nos anos 50 e 60, faleceu quinta-feira, no Porto, aos 69 anos. De acordo com a família, Hernâni, nascido em Águeda a 1 de Setembro de 1931, morreu subitamente em sua casa, vítima de um colapso.
Hernâni iniciou a sua carreira no Recreio de Águeda, onde alinhou nos juniores até 1950, e embora adepto declarado do Benfica, aceitou o convite do FC Porto, que representou entre 1951 e 1964, alinhando com o nº 8 na camisola, com um breve intervalo em 1952, quando alinhou no Estoril, ao abrigo da lei militar. Jogou com José Maria Pedroto, de quem foi grande amigo, e um dos seus treinadores foi Yustrich, que levou a equipa ao título de 56 mas que era conhecido por ser muito autoritário, qualidade com que Hernâni não se deu muito bem – aliás, em boa parte Yustrich deixou o clube logo a seguir por causa da contestação de Hernâni e Pedroto. Nesse ano de 56, Hernâni marcou um decisivo “penalty” nas Antas, frente à Académica, no último jogo da prova, perante um estádio em silêncio a um quarto de hora do fim.
Aos 33 anos, Hernâni colocou um ponto final na sua carreira, marcada por dois títulos nacionais (55/56 e 58/59), duas Taças de Portugal (nas mesmas épocas), 28 internacionalizações ao serviço da selecção portuguesa principal e uma na selecção B, tendo ainda jogado sete vezes pela selecção militar, da qual foi capitão – Hernâni esteve ligado aos melhores momentos desta selecção. Na Europa, Hernâni disputou quatro jogos da Taça dos Campeões Europeus e outros tantos da Taça UEFA.
Foi ainda chefe do departamento de futebol do FC Porto e, depois de deixar o clube, Hernâni dedicou-se às suas empresas. Foi um dos ídolos da juventude de Pinto da Costa e era amigo do escritor Manuel Alegre, que fez dele uma das personagens do seu romance “Alma”. Era um virtuoso, sobretudo de pé direito, exímio marcador de livres, muito rápido, e foi um dos grandes símbolos do clube, juntamente com “Pinga”.