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Treinador do FC Porto pede ainda uma "avaliação" do papel do VAR, de forma a evitar que o mesmo seja "um instrumento para julgar os árbitros"
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Francesco Farioli considera que se fala demasiado de arbitragem em Portugal e apelou a uma "avaliação" do papel do VAR, no nosso país e em todo o Mundo, para evitar que o mesmo seja atualmente "um instrumento para julgar os árbitros". Numa entrevista à Sport TV, o treinador do FC Porto disse ainda que a sua equipa já esteve "envolvida em alguns casos que são realmente difíceis de compreender".
Já disse que em Portugal se fala muito de arbitragem, escreve-se muito sobre arbitragem. Receia que a segunda volta possa ser pior? Onde é que está o problema: nos árbitros ou neste ruído que os grandes criam à volta dos árbitros? Qual é a sua opinião?
"Do meu lado, nunca me coloquei numa situação polémica. Acho que em quase 200 jogos que fiz como treinador principal, tive dois cartões amarelos ou talvez três. Acho que estou a comportar-me bastante bem e respeito e recebo respeito dos árbitros. E isto é o que eu gosto e o que quero. Mas em Portugal é um tópico. Quando cheguei, desde o dia 1, comecei a ver nas redes sociais, começando pela Supertaça e tudo isso. É claro que é um tópico quente. Como disse numa conferência de imprensa anterior, acredito que é uma responsabilidade de toda a gente baixar um pouco as coisas. E isto vai, talvez, com algumas decisões que precisam de ser tomadas a um nível diferente. E depois do nosso lado... do nosso lado falo das pessoas que estão a falar muito durante a semana, porque acho que não é possível que, assim que o jogo acaba, já existam dois, três programas de TV que mais do que falar sobre os jogos, estão a analisar o desempenho dos árbitros. No jornal há páginas e páginas de análise dos árbitros. Acho que seria ótimo para um país como Portugal, com tanto talento e tantos bons jogadores e tantos bons treinadores e boas equipas, falar um pouco mais sobre futebol. Mas mais uma vez, claro, o que é importante e acho que o que todos queremos, é ter justiça na competição. Mencionei outro tópico que para mim é muito relevante, que é o uso do VAR. E isto não é apenas para Portugal, é em geral no mundo. Quando o VAR apareceu, supunha-se ser um instrumento para ajudar o árbitro a tomar melhores decisões e a tornar o jogo mais justo e com menos erros. A realidade é que hoje o VAR é um instrumento para julgar os árbitros. Se eles recebem uma chamada do VAR, vão ter, digamos, dedução de pontos no seu ranking... se eles vão lá e mantêm a decisão... tudo vai num sistema ou numa forma que tudo é, em vez de ajudar e facilitar a vida dos árbitros, estamos a criar, na minha opinião, monstros na forma de que há um pânico sobre cada decisão. E para ser honesto, porque durante a sessão de treino... não eu, mas um dos meus colegas está a arbitrar... é muito difícil de gerir porque o jogo está a ficar mais rápido. A velocidade do jogo é louca. Tens ações de contra-ataque de 80 metros com jogadores a sprintar a 37, 38 quilómetros por hora... não é fácil estar lá. Acredito que, como sistema, o árbitro, o árbitro assistente, o quarto árbitro e também o VAR e o AVAR precisam de estar lá para apoiar, com a prioridade que é ter um jogo justo, uma competição honesta e tentar minimizar os erros."
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Sente que é possível ganhar sem falar de arbitragem? Ou, pelo que já viu do ambiente, sente que não?
"Vamos desejar que sim. Como te disse, do meu lado adoraria preferir falar mais sobre os jogos. Depois, claro, nós estivemos envolvidos em alguns casos que são realmente difíceis de compreender. Dou-te um exemplo: acho que foi um dos últimos jogos aqui no Dragão, foi uma ação do Pepê que foi falta fora da área, mas na realidade foi dentro da área. Podemos discutir se foi falta ou não. Fui para perto do quarto árbitro e disse: 'Ok, basta ir ao VAR porque se é falta, é dentro da área e se não é falta, é falta contra nós e cartão amarelo para o Pepê. Sem problema. Mas não podemos aceitar ter um livre direto fora da área enquanto toda a gente viu que a falta foi dentro da área. E depois é uma questão: é falta sim ou não?'. Eu prefiro, mais uma vez, receber um cartão amarelo e um livre direto contra nós do que ter um livre fora da área enquanto é penálti. Quando falo sobre justiça, para mim justiça é isto."
Erros resultam da qualidade dos árbitros ou do condicionamento?
"Não, há tantas coisas. Honestamente, acho que não é fácil ser árbitro aqui porque a pressão está acima do céu. Acho que não é o meu trabalho julgar ou ir lá. Como te disse, acredito que há algumas coisas como o uso do VAR que precisam de ser avaliadas não em Portugal, mas em geral no mundo, e ser usado de uma forma diferente. E pronto. E para mim libertar um pouco a pressão que está no sistema e esperançosamente, mais uma vez, ter uma competição mais justa e mais honesta que acho que é o que toda a gente, adeptos e todos os clubes, gostaria de ter."
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