FC Porto frente à Lazio: Muita bola entre Baía e Derlei
Foi mais uma demonstração de classe, digna dos momentos mais brilhantes da história do futebol português. De Vítor Baía (até um “penalty” defendeu) a Derlei (que não deixou morrer a ideia do golo), o FC Porto impôs-se com ideias e muita bola. Ricardo Carvalho varreu tudo atrás; Maniche ditou leis no campo todo
VÍTOR BAÍA - O senhor está de volta
Início marcado pela surpresa, com falta assinalada por mais de seis segundos com a bola nas mãos. A noite estava a ser tranquila, com o jogo a decorrer longe da sua área, quando foi sobressaltado com uma grande penalidade inexistente (56’). Adivinhou o remate de Cláudio Lopez e fez uma defesa assombrosa. O grande senhor das balizas está de volta.
RICARDO COSTA - Prova de maturidade
Mais uma prova de confiança de José Mourinho no seu jovem jogador. Sobre a direita da defesa, Ricardo Costa revelou enorme maturidade na abordagem a um jogo que requereu atributos adultos, como saber, responsabilidade e experiência. Soube enquadrar-se no espaço e perante o adversário directo sem prejuízo de, sempre que possível, ter avançado no terreno.
JORGE COSTA - A voz da experiência
Actuação marcada pela sobriedade e pela experiência como agiu perante a exuberância do parceiro do lado. Geriu as emoções, controlou os adversários e dominou imperialmente a sua zona de acção. Foi-lhe atribuída a falta da qual nasceu a grande penalidade defendida por Vítor Baía, mas até isso foi irrepreensível: foi pouco faltoso ao longo da hora e meia.
RICARDO CARVALHO - Um monstro
O grande monstro de Roma rubricou actuação quase perfeita. Não perdeu um lance e fez uso de vigor, concentração, antecipação e velocidade para varrer positivamente a sua zona, dominando-a com indiscutível autoridade. Em mais uma demonstração de grande categoria, Ricardo Carvalho acabou o jogo como protagonista de um lance de contra-ataque. Uma noite inesquecível.
O grande monstro de Roma rubricou actuação quase perfeita. Não perdeu um lance e fez uso de vigor, concentração, antecipação e velocidade para varrer positivamente a sua zona, dominando-a com indiscutível autoridade. Em mais uma demonstração de grande categoria, Ricardo Carvalho acabou o jogo como protagonista de um lance de contra-ataque. Uma noite inesquecível.
PAULO FERREIRA - Em toda a parte
No culminar de uma temporada em que mostrou ser o melhor lateral-direito português da actualidade, cumpriu mais uma etapa na afirmação plena como grande jogador: actuou à frente de Ricardo Costa e chegou a pisar terrenos no flanco esquerdo. Ou seja, impôs-se em toda a parte, dando uma demonstração de valor e, talvez ainda mais importante, de personalidade.
NUNO VALENTE - Deu o primeiro sinal
Aos 6’ deu o primeiro sinal de inconformismo do FC Porto, com boa iniciativa, culminada com remate defendido por Marchegiani – era o anúncio de que a equipa não estava disposta a abdicar do ataque. No resto do tempo foi o espelho da equipa, revelando sintomas da indispensável confiança que potencia a qualidade. Uma noite segura e tranquila.
MANICHE - Com nível europeu
Uma actuação que respeita na íntegra os parâmetros de toda a época. Como na Luz, fez de Costinha e não se deu pela diferença; como tem sido hábito, defendeu e atacou, exercendo um peso avassalador sobre o conjunto. Depois de solidificar o estatuto na SuperLiga, a exibição de Roma acrescentou um dado novo: provou nível europeu. Simplesmente notável.
DECO - Inspiração reprimida
Teve um início espectacular; chegou mesmo a dar indícios de grande inspiração – aos 10’, por exemplo, isolou Derlei, com um passe mágico. Seguiu-se um festival de requintes no trato da bola, evidenciados nas mais pequenas coisas. O tempo fez-lhe mal: tornou-se mais distante e até pareceu reprimir os sinais que vinham de dentro. Saiu para evitar o amarelo que o afastaria de Sevilha.
ALENITCHEV - Como em sua casa
Um dos maiores talentos do futebol russo dos últimos anos está a cumprir, com titularidade regular, a etapa mais feliz da sua presença nas Antas. Ontem, em Roma, agiu como se estivesse em sua casa: porque não se perdeu (nunca se perde) por aqueles caminhos do meio campo e também porque já não acusa a responsabilidade destes grandes momentos.
HÉLDER POSTIGA - Veredicto: inocente!
Começou por ser importante arma para alimentar a qualidade do jogo que nascia nas suas costas, por movimentação, coragem e qualidade na forma como esconde a bola. Até que foi vítima de um crime: expulso por dois amarelos absolutamente inacreditáveis, que lhe custam a presença em Sevilha. Veredicto para tão grave acusação? Inocente! Claro.
DERLEI - Manter a chama acesa
Foi o principal responsável por uma das armas que condicionaram a hora e meia: a pressão portista, sempre presente, no sentido de chegar à área contrária. Depois da expulsão de Postiga, jogou pelos dois e foi sempre uma seta apontada à baliza de Marchegiani. Merecia ter apontado um golo o surpreendente melhor marcador da Taça UEFA 2002/03.
TIAGO - Dar força ao miolo
O substituto natural de Costinha começou o jogo no banco. Mourinho preferiu dar consistência à equipa por outra via, o que penalizou o antigo jogador da U. Leiria. Entrou a 11" do fim, para o lugar de Deco, levando a intenção de dar força ao miolo. No entanto, mais do que isso, Tiago notabilizou-se com iniciativa atacante, de trás para a frente, à qual faltou apenas o último drible.
JANKAUSKAS - Podia ter marcado
Cinco minutos em campo. Substituiu o desgastado Derlei e, como de costume, por pouco não marcava um golo, quando chegou ligeiramente atrasado a um cruzamento vindo do flanco direito. Com a expulsão de Postiga, Jankauskas tem abertas as portas da final de Sevilha. Um prémio com sabor amargo e doce para o goleador que não se diminui com o banco dos suplentes.
PEDRO EMANUEL - Para marcar presença
O parceiro preferencial de Jorge Costa ao longo da temporada foi preterido no jogo de Roma. Entrou a 2' do final, para o lugar de Alenitchev, prova de confiança e respeito pelo seu trabalho até ao momento. A verdade é que, face ao acerto da nova dupla, não se apresenta fácil o regresso de Pedro Emanuel ao onze titular. Contas para fazer noutra altura. Não agora.