FC Porto-Nacional, 0-4: Uma exibição da treta do dragão tetraplégico
Uma goleada incrível e uma vitória histórica do Nacional da Madeira. O campeão nacional caiu com estrondo no fundo do poço
Muitas vezes a comédia confunde-se com a tragédia. O Estádio do Dragão foi ontem à noite palco de um desses momentos dramáticos: o campeão nacional e europeu, sem Maniche e McCarthy, mostrou as suas limitações e acabou goleado. Os adeptos começaram a abandonar o estádio antes do 0-4 mas o coro de "olés", a assinalar a troca de bola dos jogadores do Nacional, ainda se ouviu bem nos momentos finais da partida.
Esta foi a quarta derrota em casa do FC Porto, que já perdeu 22 pontos no seu reduto e a continuar assim vai comprometer o "tri"-título que persegue. Na antecâmara de um jogo europeu, esta pesada derrota explica-se pela ineficácia dos jogadores portistas, pelo erro de avaliação do seu treinador e pela concentração dos vencedores.
Couceiro perdeu pela primeira vez como líder do FC Porto e não saiu sem culpas no cartório. Ao intervalo, o treinador portista abriu uma cratera no flanco direito da sua defesa – ao deixar Seitaridis no balneário, encarregando R. Costa de vigiar esse corredor, onde Ibson aparecia muito adiantado – e foi por aí que o Nacional construiu o segundo e o terceiro golos.
Desequilibrada já a equipa portista estava na primeira parte, sobretudo depois de sofrer mais um golo a frio. Só a troca de flancos, aos 37', de Quaresma com Bomfim (improvisado extremo) provocou um certo impulso ofensivo dos dragões. E foi precisamente desde esse momento até ao intervalo que aconteceu o menos mau período de jogo portista, com Costinha e Bomfim a construírem duas boas oportunidades para empatar.
Ultrapassado pela direita
Com Luís Fabiano perfeitamente apático, no dia em que soube que a mãe tinha sido raptada, Couceiro reentrou com Postiga no seu lugar e foi mais longe ao trocar Seitaridis por Cláudio Pitbull, recuando Bomfim e passando a jogar com dois extremos de raiz mas... sem defesa-direito.
O FC Porto foi ultrapassado pela direita, sofre o 0-2 com dez homens em campo (Costinha estava a ser assistido fora das quatro linhas) enquanto João Carlos Pereira faz "bingo" ao optar pela troca de Miguel Fidalgo por Nuno Viveiros, que praticamente na primeira vez que toca na bola faz o terceiro golo, explorando mais uma vez o lado direi to da defesa portista.
Os factos são estes e, apesar de a bola ser redonda, são indesmentíveis: andou mal o treinador portista ao destapar um flanco, andou muito bem o treinador nacionalista ao explorar o caminho que se abria.
Estocada final
Já com todas as substituições feitas, a perder por 3-0, com o tempo a escoar-se, sobrou muito pouco para a reacção do dragão mortalmente ferido. Pitbull ainda tenta "morder", chega mesmo a gritar-se "golo" no Dragão, mas ainda dá para aparecer Bruno a dar mais uma estocada. É por aqui que o povo começa a sair da bancada e que começam a ouvir-se "olés" a pontuar o passa-repassa dos jogadores do Nacional.
A "escola de samba" portista ontem nem sequer foi capaz de se sacudir perante um Nacional da Madeira que não pode ser castigado com os erros e a anemia do seu adversário na explicação deste resultado histórico.
O Nacional fez o FC Porto "entrar pela madeira dentro" com um futebol simples, de pé para pé, rápido e geométrico. Sobretudo, a equipa de João Carlos Pereira defendeu bem e atacou com mapa e depressa. Pareceu fácil...
Árbitro
Mário Mendes (3). Com o apito demasiado perto da boca, errou algumas vezes mas nos lances capitais esteve muito bem auxiliado. No lance do segundo golo, é Ricardo Costa quem agarra Adriano antes do passe deste para Alonso; e no terceiro golo, Viveiros saiu disparado em posição legal, com Quaresma a colocá-lo em jogo. No 1º golo, Fidalgo está em jogo quando marca.