FC Porto-Rio Ave, 1-1: Quem dá o que tem merece ser premiado
Por tudo o que fez, o Rio Ave justificou o ponto conquistado. Realce-se a entrega de cada um dos seus jogadores a cem por cento
A equipa de Carlos Brito apresentou-se ontem, no Estádo do Dragão, equilibrada, com ordem e critério, mas também com alguma liberdade. O que se tornou evidente sobretudo na primeira hora de jogo. Os seus atletas souberam, quase sempre, o que fazer à bola, e executaram de uma forma clara. O ponto conquistado ficou igualmente a dever-se à forma como todos se entregaram ao combate, isto é, a cem por cento, uma condição cada vez mais indipensável, hoje em dia, na alta competição. Por todo o trabalho desenvolvido, o prémio final – um ponto ganho – é justíssimo. O FC Porto, por sua vez, só despertou na última metade, mas também aí a sua equipa não evidenciou qualidade suficiente para justificar a vitória. Jogou menos mal, é verdade, mas o volume do seu jogo não merecia mais. O campeão nacional acabou, ontem, por entregar a liderança ao Sporting, no seu próprio terreno, tendo já perdido, esta época, 12 pontos em jogos no Dragão, o que é muito, de facto.
Tranquilos
O Rio Ave entrou muito bem no jogo. Como é seu hábito, a sua equipa colocou em campo três dos seus valores essenciais: tranquilidade, ordem e atrevimento. Todos pensaram essencialmente em jogar à bola, apresentaram-se animados, assumiram uma atitude ofensiva, jogaram para a frente, evidenciaram bom toque de bola, e tudo feito com grande tranqulidade, e aqui e ali com perigo.
Carlos Brito formatou a equipa em 4x4x2 – uma defesa em linha (muito atenta e sobretudo concentrada), que soube pressionar muito bem os dois avançados (Luís Fabiano e McCarthy) e que soube reduzir-lhe os espaços; o meio-campo, desenhado em forma de losango, apresentou-se solidário e efectivo; na frente Paulo César e Gaúcho, dois homens que, por força da sua boa velocidade, colocaram a defesa portista em permanente estado de alerta – sobretudo Paulo César.
Por tudo o que acaba de ser dito, não se estranhou que o primeiro sinal de perigo tivesse surgido na área de Baía – Delson cruzou muito bem, do lado direito, aos 12', e Gaúcho, na zona frontal e livre de marcação (a defesa ficou a reclamar um fora-de-jogo inexistente), rematou por cima da barra.
A equipa de Vila do Conde evidenciava, nesta primeira fase, um óptimo sentido colectivo e revelava essencialmente grande rigor e autoridade. Chegou então ao golo, aos 29', numa jogada bem pensada e melhor executada – Ricardo Nascimento colocou a bola em Paulo César que, depois de um "sprint" vigoroso, cruzou rasteiro para a pequena área, surgindo aí Gaúcho a atirar para o golo.
Melhoras
Até ao golo do Rio Ave, os campeões nacionais jogaram mal, por vezes muito mal, e só em duas ocasiões é que conseguiram lançar alguma aflição na área de Mora – Quaresma, de livre directo, atirou ao poste (25'), e no minuto seguinte Fabiano, depois de uma boa iniciativa de McCarthy, precipitou-se no remate, e perdeu uma boa oportunidade. O FC Porto jogava mal, é verdade, e essa situação ficava a dever-se ao facto de o seu meio-campo não existir, ou melhor, não havia ninguém que conseguisse colocar a bola nas devidas condições lá na frente, e depois a transição defesa-ataque era lenta e complicada.
Essa situação só seria corrigida depois do intervalo, quando Víctor Fernández mexeu na estrutura – Seitaridis e César Peixoto (ambos muito mal) foram substituídos por Hugo Leal e Diego. Bosingwa ocupou o lugar do grego, Hugo Leal impôs uma melhor organização na zona central do meio-campo, e Diego trouxe mais vivacidade, embora a sua acção no jogo não tivesse sido determinante. A qualidade de jogo dos visitados melhorou um pouco, é um facto, a equipa não ficou tão partida, os sectores ficaram mais próximos, e o perigo finalmente surgiu na área de Mora, que em toda essa fase se mostrou à altura, ou seja, soube sempre corresponder aos desafios que lhe foram colocados. Excepção feita ao tento de Luís Fabiano – um golo em que se impôs a classe de Hugo Leal (grande passe) e do brasileiro.
O FC Porto pressionou bastante nos últimos minutos, tudo tentou para desfazer o empate, mas aí valeu o comportamento defensivo da equipa do Rio Ave que, aqui e além, ainda conseguiu dar profundidade ao seu jogo, embora sem grande perigo.
Um ponto para cada lado é justo e retrata o que se passou.
Árbitro
João Vilas Boas (3). Num jogo com um grau de dificuldade médio, o árbitro de Braga merece nota positiva. Disciplinarmente nada a registar, todos os cartões amarelos foram bem mostrados, embora alguns deles (dois) a pedido. No plano técnico, um lance com algumas dúvidas: há falta de Jorge Costa sobre Gaúcho na grande área? O árbitro estava próximo e nada marcou...