Gil Vicente-FC Porto, 3-5: Uma ''abébia'' a este dragão é a ''morte do artista''
Pois é... o Gil fez uma grande 1ª parte, colocou o líder em grandes dificuldades nesse período, porventura como nenhum outro adversário o fez até esta altura, mas à beira do intervalo, no espaço de um minuto, cometeu dois deslizes de marcação que se revelaram fatais. Perante "este" FC Porto não se pode dar uma "abébia" sem se pagar um alto preço por isso. No espaço de um minuto, duas falhas de marcação deitaram por terra 43 minutos em que o Gil justificou a posição que ocupa na tabela classificativa e a condição de equipa sensação do campeonato.
O carrasco do Gil foi Costinha, que até estava a fazer uma das suas exibições menos conseguidas que lhe vimos esta época, e que surgiu na área gilista com o instinto dos "matadores". Uma diagonal a desmarcar-se para a área, a convidar à bola pingada de Deco e o remate cruzado indefensável; um minuto depois nova desatenção: Deco bateu o canto, Pedro Emanuel livre de marcação ao primeiro poste tocou de cabeça para Costinha fazer de Postiga. Ou seja, o médio portista, que no dia dos seus anos, frente à Académica, nas Antas, ofereceu 4 mil bilhetes aos sócios azuis e brancos, "matou" o jogo ao intervalo, quase privava de meia parte quem ontem pagou bilhete inteiro.
Digo quase porque o FC Porto facilitou de mais na 2ª parte, sobretudo no último quarto de hora, a ponto de ter permitido ao Gil Vicente passar de 1-4 para 3-4, fazendo acreditar aos jogadores da casa que era possível chegar ao empate. Uma primeira desconcentração de Jorge Costa, aos 74', num canto, ao primeiro poste, resultou no 2-4, por Gaspar. Seis minutos depois foi a vez de Alenitchev perder uma bola numa zona proibida e dar origem ao contrapé gilista que redundou no 3-4. Faltavam dez minutos para o fim e um jogo perdido voltava a ser relançado. Aliás, entre os dois golos, Costinha quase permitia noutro canto o golo a Luís Loureiro.
Só aí é que o FC Porto reagiu e não deu qualquer chance ao Gil. A equipa relaxou, facilitou, mas quando sentiu a "pimenta no nariz" aumentou o ritmo e repôs as coisas no seu devido lugar com o quinto golo, deixando a ideia clara de que tinha capacidade para dar uma "sapatada" no jogo sempre que o Gil a isso obrigasse.
Seja como for, de realçar a excelente exibição gilista até ao fatídico minuto 43. Não teve medo de um "mano a mano" com o líder, fiel ao 4x3x3, ao qual imprimiu a dinâmica e a agressividade necessárias para criar sérias dificuldades ao líder, que não se deu bem com uma equipa que pressionou "à FC Porto", que ganhou muitas vezes as primeiras e segundas bolas e os despiques individuais a meio-campo, que foi desinibida, solta e veloz a partir para o ataque, que teve alguns jogadores muito inspirados até ao intervalo.
A reviravolta operada por Costinha obrigou Vítor Oliveira a arriscar mais, com a troca de Braíma por Manoel após o intervalo, e a arriscar tudo com a entrada de Marco Nuno e o sacrifício de um defesa, Geraldo, aos 64'. Ressuscitou o jogo e obrigou, pelo menos, o FC Porto a "puxar dos galões" para não ser surpreendido.
Mesmo num dia "assim-assim" o FC Porto foi suficientemente eficaz para resolver o jogo numa altura em que estava a ser posto à prova. Realmente, não se vislumbra, para já, que a primeira derrota portista esteja para breve...
Costinha facilitou a vida a Augusto Duarte à beira do intervalo, mas valha a verdade que ele também teve o mérito de nunca complicar.