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Hilário: «Nunca senti o ''fantasma'' Vítor Baía»

Hilário: «Nunca senti o ''fantasma'' Vítor Baía»
Hilário: «Nunca senti o ''fantasma'' Vítor Baía»

HILÁRIO não se assusta com o "peso" da responsabilidade de defender a baliza dos pentacampeões. "Regressou às Antas no início desta temporada.

Isso, regressou. É que Henrique Hilário M. Alves Sampaio já tinha envergado a camisola dos dragões de 96 a 98, começando a coleccionar, com 21 anos de idade, títulos nacionais, situação que repetiria na segunda temporada portista com a particularidade de, nesta, "abraçar", também, a Taça de Portugal. Depois, um "estágio" no Estrela da Amadora e a confirmação de que o seu valor o "condenaria" a regressar ao reino do dragão. Dito e feito. Apesar de a "concorrência" ser de respeito - Vítor Baía e Rui Correia -, Hilário não ligou muito à teórica possibilidade de vir a ser considerado o terceiro guarda-redes e apostou no trabalho diário como único "meio de prova" das suas capacidades.

A lesão de Vítor Baía - depois da de Rui Correia - acabou por lhe escancarar as portas da titularidade e trazê-lo à ribalta.

Um objectivo perseguido desde que voltou a entrar no grupo campeão?

"Sinceramente, se calhar não era um objectivo traçado no início da época, juntamente com a equipa técnica e Direcção e, por via disso, até acabou por ser uma surpresa o que aconteceu. O que era importante, isso sim, era tentar ganhar experiência diariamente e se eventualmente surgisse a oportunidade de jogar, quer na Taça de Portugal ou noutros encontros, julgo que seria benéfico para mim. Mas apostar num trabalho com o objectivo da titularidade, isso não.

Infelizmente - é bom frisar isto - por motivo de lesões dos meus companheiros, fui chamado à equipa e, nessa situação, há que dar sempre o melhor de nós próprios e colaborar na conquista dos bons resultados."

- Empurrado para a titularidade, é o que quer dizer?

- De certa maneira, fui. Mas lá está, por ter trabalhado bem durante todo o período em que não jogava e por ter transmitido aos técnicos a confiança que eles também necessitam ter no atleta, estava preparado para responder à chamada, após a forte adversidade que aconteceu a um colega de equipa. O importante, neste caso, é estar em condições para enfrentar esta coisa boa que é a titularidade.

- E o "fantasma" de Vítor Baía?

- Nunca o senti. Nem agora nem há 3 anos quando o substituí. Estou com o Vítor todos os dias e ele não é nenhum fantasma.

- Mas o peso da responsabilidade em o substituir é grande...

- A responsabilidade que há, quando se joga pelo FC Porto, não é a de substituir este ou aquele jogador, mas o de contribuir para o êxito do clube, para o êxito da grande instituição. Não sinto a responsabilidade de substituir quem quer que seja; sinto, sim, a responsabilidade de representar um clube com a grandeza deste.

"O ESTRELA DA AMADORA FOI UMA BOA AVENTURA"

Sair do FC Porto depois de dois títulos conquistados - mais a mais, altura coincidente com o regresso de Vítor Baía... - não terá funcionado como o fim de um ciclo e o início de uma nova etapa? Ou será que Hilário sentia que o regresso ao FC Porto aconteceria mais tarde ou mais cedo?

"Nem uma coisa nem outra. Pensei que iria ser uma boa aventura para mim. Sou optimista por natureza e quando fui para o Estrela, apesar de me sentir um bocadinho triste por sair do clube, do meu clube do coração, achei que iria ser bom para mim porque teria maiores probabilidades de jogar e, jogando, iria tirar grandes dividendos disso não só em termos de uma evolução lógica e natural como, também, relativamente ao conhecimento que iria adquirir no tocante às equipas que defrontasse.

Por tudo isto, como vê, não posso deixar de dizer que foi extremamente importante essa época, ganhando maturidade, experiência, confiança e conhecimentos. A tal evolução de que falei e que seria capaz de não conseguir aqui, exactamente porque, na altura, as opções eram muitas."

- Corpo no Estrela e coração nas Antas?

- Não. Tudo no Estrela. Corpo, mente, alma e coração! Aquilo que disse de o FC Porto ser o meu clube do coração, era-o nas épocas em que cá estive, é-o agora, de novo. No ano do Estrela outra situação não poderia acontecer senão o estar lá "por inteiro". E terá sido essa atitude - normal e natural num profissional - que me possibilitou tirar proveitos da temporada da Amadora.

- Disse "confiança". Que melhor para provar isso do que defender uma grande penalidade?

- É verdade, defender uma grande penalidade dá confiança, dá moral, mas numa situação dessas há sempre o factor sorte. Não adianta estar a esconder o que penso: grande penalidade bem marcada não tem defesa. Naturalmente que a "nível interno", poderemos analisar repetidamente o estilo dos jogadores que, por norma, se encarregam da transformação desses lances e, nesse caso, conhecermos para que lado poderá ir a bola. Ajuda um bocado, dá mais hipóteses ao guarda-redes. Mas, volto a dizer, se ele for bem marcado, não há voo que o defenda. Uma coisa é certa: é sempre um grande momento, uma grande alegria e, para a equipa, um forte empurrão no moral.

- É uma vantagem estar atrás de um bloco defensivo coeso...

- Sem dúvida que é uma mais-valia para qualquer guarda-redes e muito mais quando esse guarda-redes é jovem como eu! Sentir essa firmeza, essa fortaleza à minha frente, dá-me muita tranquilidade, muita calma. Porém, para isso acontecer, eles também têm de ter confiança em quem está atrás. E sinto que existe essa reciprocidade: confio neles e eles confiam em mim.

"CAMPEONATO ESTÁ MAIS COMPETITIVO"

Depois do penta, o hexa. No entanto, e pelas amostras que se vão vendo, a luta promete. Para já, um escasso ponto separa os dois da frente. Uma situação que parece dizer que há maior competitividade...

"E há. Já o campeonato passado, em minha opinião, o foi. E não só "por cima", isto é, não só os chamados grandes estão cada vez mais fortes como os outros, tidos por "pequenos", encurtaram distâncias. E senti isso no Estrela que não sendo um clube grande, é um grande clube, com gente séria à sua frente e onde se viu o bom trabalho desenvolvido. Hoje já não há grande diferença em métodos de trabalho, em condições de treino, em capacidades humanas e estruturais. Essa competitividade é que faz com que o campeonato tenha interesse, vida!"

- Pois, mas só um ponto "à maior" é escassa vantagem...

- Será escassa mas ainda é vantagem. Quem me dera a mim que mantivéssemos até final da época essa magra vantagem. Seríamos campeões de certeza absoluta. Mas ainda faltam muitas jornadas para o final e a filosofia desta casa é pensar jogo a jogo e, claro, somar sempre os três pontos em causa para chegarmos ao fim e, com um ponto ou apenas com um golo, alcançarmos o hexa.

- Mais um título é um sonho?

- Não é sonho mas, sim, objectivo. Faltam 15 jornadas para acabar o campeonato e isto "é" um comboio que irá parar em 15 estações. Temos de ganhar os pontos todos em cada estação para conseguirmos o tão desejado "bi-tri", sem descurarmos, note, a Liga dos Campeões e a Taça de Portugal.

Estamos nessas provas e não as queremos perder.

- Dessas "estações", qual a mais difícil?

- Todas. É uma frase feita dita mil vezes, mas é real: já não há jogos fáceis. E o último, com o Alverca, é bem o paradigma daquilo que lhe acabo de dizer. E quando se joga com aqueles que se dizem menos grandes, estes transcendem-se de tal maneira que causam mais problemas do que os mesmo grandes. No Estrela vivi esse momento de "transcendência".

- Contra o FC Porto?

- E não só. Mas contra o FC Porto... por razões especiais, foi diferente. Ao nível de emoções. Foi um jogo que me marcou muito.

- O futuro. O FC Porto vai entrar no já chamado "ciclo terrível"...

- Vai, mas não se faça disso um bicho de sete cabeças. O FC Porto já viveu fases semelhantes e deu sempre boa conta do recado, estando muito bem lançado na Liga dos Campeões, sendo primeiro na I Liga e continuando na Taça de Portugal. Admitindo que tudo isto é passado, podemos dizer que o plantel está em condições de continuar a dar o mesmo rendimento, de ter a mesma atitude. Claro que irá ser muito desgastante, mas temos a confiança e um acompanhamento muito grande da equipa técnica, que saberá dar resposta a todos os problemas que possam surgir.

- Sem secundarizar as outras provas, a aposta principal está na Liga dos Campeões?

- Não concordo com isso. O FC Porto tem uma equipa que aposta vencer todos os jogos. Se assim acontecer, ganharemos todas as provas. E o que penso é exactamente isso, ganhar todos os jogos, sejam eles da Liga dos Campeões, da I Liga ou da Taça de Portugal. Temos de render o máximo em todas as provas.

- Jardel não marca e o FC Porto não ganha...

- Foi o que aconteceu. Mas o Jardel tem marcado em jogos que o FC Porto também não conseguiu vencer. E se o Jardel não marca, outros podem cumprir essa função. Claro que o que quer dizer é que o FC Porto está um bocado dependente da produtividade de Jardel, mas julgo que isso não é totalmente correcto. É lógico que tendo o Jardel na equipa - se eu fosse treinador tentaria aproveitar sempre as suas qualidades natas - esta tem de jogar um pouco para ele porque é um "matador" nato. No entanto, há outros bons jogadores e outras boas peças capazes de, na altura exacta, criar os desequilíbrios e proporcionar à equipa a vitória desejada. Como é normal em qualquer equipa, há sempre alguém que, pelas suas características, pode sobressair mais, mas isso não quer dizer que outros não possam, também, aparecer na missão concretizadora. O FC Porto é um todo e como um todo actua, sem menosprezar quem quer que seja. Os exemplos do que digo são vários e evidentes...

"SPORTING ESTÁ NUMA BOA FASE"

Por muita autoconfiança que se tenha, ignorar que o Sporting está a "coçar" os calcanhares ao guia classificativo será, no mínimo, poder brincar com o fogo. Hilário não foge à questão...

"Acho que o Sporting está num momento de grande estabilidade. Mas já a teve noutros tempos e acabou por se perder na classificação. Outro exemplo: o Benfica, neste momento, está a atravessar uma fase de nítida instabilidade, mas já teve, no início da temporada, uma fase estável. Tudo isto é feito de ciclos, de altos e baixos.

No entanto, nós, no FC Porto, o que vivemos na cabina não tem nada a ver com os outros. Preocupamo-nos exclusivamente com o nosso trabalho, com a nossa casa. Aquilo que se passa noutros lados não nos diz respeito."

- Mas são "estações" onde o vosso "comboio" tem de parar...

- Na altura própria se verá como as coisas acontecerão. Até lá importante é, jogo a jogo, irmos somando os pontos.

"SILVINO FARÁ CARREIRA"

Neste regresso às Antas, Hilário reencontrou um antigo "rival": Silvino.

Só que, agora, as funções são outras. Se, antigamente, disputava a titularidade com o então mais jovem guarda-redes, agora faz trabalhar no duro e apura as qualidades dos que lhe sucederam...

"Julgo que é benéfico para todos nós. O Silvino, há bem pouco tempo, era guarda-redes, estava inscrito como um dos guarda-redes do Salgueiros e foi meu companheiro no FC Porto. No início desta temporada, os guarda-redes do FC Porto, o Vítor Baía, o Rui Correia e eu, eram treinados, também, por um grande profissional - Joszeph Mlynarczyc -, mas dada a sua ausência o clube teve de recorrer a outro grande profissional que foi o Silvino. Penso que optou bem apesar de, claro, o Silvino estar ainda no início de uma nova actividade onde poderá evoluir muito mais. Fará carreira, seguramente."

- Pronto para a selecção?

- Gosto muito da selecção. Já lá estive e não lhe escondo que um dos momentos mais arrepiantes, a nível de emoção, da minha vida, foi quando representei, pela primeira vez, o meu país, na selecção. Ainda hoje me arrepio quando penso nisso. Claro que sonho com a selecção mas não estou obcecado. Tenho muito tempo. Só o estar aqui, hoje, a representar o campeão nacional já é, para mim, muito bom. A selecção virá por acréscimo. Se não for agora...

- Mundial, Euro-2004...

- Sempre soube ocupar muito bem a minha posição. A seu tempo as coisas acontecerão naturalmente.

COSTA SANTOS

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