O goleador que queria ser guarda-redes
Pavão era o ídolo do bi-bota de ouro portista...
Poucos dias antes de receber a sua 2.ª Bota de Ouro, Fernando Gomes deu uma grande entrevista à revista do clube, a "Dragões", que dava os seus primeiros passos, na qual confessou que em miúdo queria ser guarda-redes. Mas foi algo que durou pouco pois aos dez anos já queria ser aquilo que foi, ou seja, goleador. "Acho que iria dar um bom guarda-redes", fez questão. porém, de juntar quem ao serviço do FC Porto apontou 342 golos.
Na 2.ª Bota de Ouro que conquistou, em 1985, Gomes apontou 39 golos mas 12 foram conseguidos da marca dos onze metros, o que causou alguma polémica sobretudo no "Domingo Desportivo" da RTP. O que faria com que a estação pública nem tivesse marcado presença na cerimónia de entrega desta bota dourada.
"Ser fora-de-série dá muito trabalho", referiu ainda Gomes na entrevista conduzida pelo jornalista Manuel Luís Mendes. "Nascemos com o dom mas não nos podemos deitar à sombra dele", sublinhou o Bi-Bota.
O ídolo de Fernando Gomes era Pavão."Embora não fosse ponta-de-lança, adorava vê-lo jogar", contou quem na altura já dizia que não tinha planos para ser treinador. "Gostaria de ficar ligado ao FC Porto num cargo digno para mim como, por exemplo, relações públicas ou secretário-técnico", referiu. Hoje, Gomes trabalha mesmo na área das relações públicas, tendo sucedido a Vítor Baía na qualidade de embaixador internacional dos azuis e brancos. Mas durante muitos anos teve de pagar lugar anual para ver os jogos do FC Porto. Tudo porque...terminou a sua carreira no Sporting.
Depois da conquista do título europeu de 1987, Gomes, que não jogou a final devido a uma grave lesão, sofreu o primeiro golpe quando ouviu o treinador Tomislav Ivic dizer que Gomes "é finito". Em 1989, aconteceu o que nem o próprio jogador esperava: viu-se obrigado, aos 33 anos, a rumar a Alvalade. Tudo porque num estágio do FC Porto na Madeira se insurgiu, na qualidade de capitão de equipa, contra o facto de a equipa técnica estar a servido do jantar primeiro que os jogadores, após uma cansativa viagem para o Funchal. Octávio Machado assumiu o papel de mau da fita na defesa do seu chefe, Artur Jorge. E Gomes acabou dispensado...
No Sporting, cumpriu duas épocas. Na 1.ª marcou apenas 9 golos mas na segunda apontou 29 (22 no campeonato). O último golo que apontou foi na baliza do Gil Vicente, no dia 26 de abril de 1991, em Alvalade.
Mas há outro Gomes a despontar. Martim Gomes, de 17 anos, joga no Foz. O filho do Bi-bota de ouro é, naturalmente, ponta-de-lança.