O mau e o bom do génio de Esnaider
QUANDO o Real Madrid o contratou há dez anos, antes do Mundial de sub-20 em Portugal, Juan Eduardo Esnaider era um candidato a prodígio. Não vingou em Madrid, onde chegou muito jovem (18 anos) para aquela equipa em reconstrução após a era da "Quinta del Buitre". Nem vingou quando regressou, dois anos depois, com o epíteto de "pesetero" em Saragoça, onde pareceu encaminhar seriamente a carreira. Esnaider passaria despercebido de novo em Madrid, até reeerguer-se pelo Atlético pós-dobradinha (16 golos). Passou em branco pela Juventus, depois de um relançamento no Español. E são os fracassos nos dois grandes clubes por onde passou que nunca projectaram a carreira que se adivinhava.
Na época passada, entrou a meio em Saragoça disposto a apagar a má imagem de quando saiu. A equipa só se salvou no último dia da despromoção mas viria a ganhar a Taça de Espanha de novo ante o Celta, como em 94. Um saltimbanco, mas um profissional que aprendeu a cuidar de si. Muito castigado pelo tipo de preparação física na Juventus, ganhou problemas persistentes no tendão de Aquiles. Em Saragoça, ante o Villarreal (20 de Maio), quis jogar lesionado, correu-lhe mal, a equipa foi assobiada, ele fez sinal às bancadas de que os apupos não se ouviam, depois foram-lhe dirigidos na altura da substituição e não se conteve, saiu do carro e enfrentou os adeptos. A rotura era insanável e já havia ameaças de morte que tornaram insustentável a sua permanência em Saragoça. Na última jornada foi expulso ante o Celta e perdeu as meias-finais e a final da Taça do Rei. É assim Juan Eduardo Esnaider. um tipo raro, um carácter sul-americano à flor da pele, que fizeram falar dele tanto quanto a sua qualidade técnica indiscutível.
Taça das Taças do Saragoça com assinatura de Esnaider
Foi uma grande conquista, a Taça das Taças para o Saragoça em 1995, em Paris, mas só porque Esnaider fez os golos das qualificações dos quartos (2-0 ao Feyenoord) e meias-finais (3-0 ao Chelsea), antes de abrir o marcador na partida decisiva com o Arsenal que Nayim, num chapéu desde o meio-campo, decidiu. Esnaider fez oito golos na prova.
Voltar à Liga dos Campeões após época no Atl. Madrid
E as proezas de Esnaider na Europa foram menores na Liga dos Campeões com o Atlético de Madrid em 96-97. Enquanto Jardel entrava em grande no FC Porto (dois golos em Milão), Esnaider começava a campanha com dois golos ao Steaua (4-0), mas fez só mais um nos quartos-de-final com o Ajax (1-1, 2-3).
Presença na Copa América adiada pela desistência da Argentina...
Esnaider podia ter estado ocupado até domingo com a selecção argentina, se tudo tivesse corrido bem durante a competição e a selecção nacional não se tivesse recusado, à última hora, a participar na Copa América que domingo terminou na Colômbia. Era um reencontro especial com a equipa de Bielsa, pois esporádicas foram as presenças do novo portista com as suas cores nacionais.