Revolta de Ghilas

Avançado argelino estava desanimado até ao jogo da Taça de Portugal...

Revolta de Ghilas
Revolta de Ghilas • Foto: Manuel Araújo
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Um ponta-de-lança vive de golos e, por muito que o seu trabalho em campo seja elogiado, nunca merece o mesmo destaque se não marcar. Era essa a sensação de Nabil Ghilas, depois das exibições com o Penafiel e o Marítimo, para a Taça da Liga. Quem o conhece sabe que o internacional argelino, de 23 anos, não atravessava um bom momento do ponto de vista psicológico, pelo que o tento apontado ao Estoril, o primeiro com a camisola do FC Porto, poderá marcar uma viragem no seu percurso. “Tinha estado com ele nos últimos dias e senti que andava triste por não marcar. Por isso fiquei satisfeito por vê-lo chegar ao golo, já que também ajudei a formá-lo”, revelou a Record, Jorge Casquilha, destacando o facto de “o golo ter contribuído para a vitória”.

O antigo treinador de Ghilas no Moreirense admitiu que tenha existido “alguma desconfiança” dos adeptos do FC Porto relativamente ao valor do jogador, mas lembrou que esse sentimento era “injusto”, devido aos “poucos minutos de utilização no campeonato”. Além do golo, o ponta-de-lança reforçou a ideia de que tem condições para jogar mais solto no apoio a Jackson Martínez.

“O Ghilas pode fazer as três posições do ataque, mas é muito mais forte a ponta-de-lança, face ao seu poderio físico. No entanto, a facilidade que tem em jogar com os dois pés permite-lhe atuar nas alas, conforme aconteceu por algumas vezes no Moreirense. Aliás, tem mais possibilidades de alinhar nessa posição, dado que não é fácil tirar o lugar a um dos melhores pontas-de-lança do Mundo”, revelou Jorge Casquilha, referindo-se ao Cha Cha Cha.

Felicidade

Quem o acompanha diariamente é o seu empresário, e ainda ontem estiveram juntos a ver o vídeo do jogo com o Estoril. Romeu Magalhães não vislumbrou em Ghilas qualquer sinal de euforia pelo golo marcado, mas apenas uma grande satisfação “por se sentir importante na equipa”. O avançado precisava de um clique para dar a volta à situação.

“Era fundamental que ele marcasse para aumentar o controlo emocional. O golo teve um grande significado, mas o essencial é que ele ajudou a equipa a ganhar e a seguir em frente na Taça de Portugal”, destacou Romeu Magalhães, em conversa com o nosso jornal. Ghilas ficou feliz “por deixar a sua marca” num jogo muito difícil.

Passe de letra e penálti foram um bom tónico

O ano de 2014 está a ser mais produtivo para Ghilas que tem vindo a ganhar protagonismo na equipa, e o golo ao Estoril acabou por ser uma consequência do trabalho levado a cabo nas últimas semanas. Depois do passe de letra para o primeiro tento de Jackson Martínez frente ao Penafiel, o ponta-de-lança esteve em destaque diante do Marítimo, igualmente para a Taça da Liga, ao conquistar a grande penalidade que deu a vitória. Desde 5 de maio de 2013 que Ghilas não marcava em termos oficiais e fê-lo ainda pelo Moreirense, no campeonato. Pelos dragões não deixava a sua marca desde a Emirates Cup, em agosto, frente ao Nápoles.

Paulo Fonseca e Helton dão-lhe muita confiança

Ghilas passou por períodos difíceis na presente época, mas nesses momentos teve a ajuda de todos para se reerguer. A começar logo por Paulo Fonseca. “Tem-lhe dado muita confiança e está sempre a incentivá-lo nos exercícios de finalização nos treinos. O Helton também já lhe disse para não se preocupar, porque tem talento”, revelou-nos Romeu Magalhães, apontando Jackson Martínez como mais um bom exemplo: “Ele já o elogiou publicamente, e esse é um indicador muito bom.” Recorde-se que Ghilas custou 3,8 milhões de euros, por 50 por cento do passe.

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