Sérgio Conceição explica o que o levou a só agora quebrar o silêncio: «A minha saída do FC Porto não foi fácil»
Ex-treinador do FC Porto falou pela primeira vez desde que deixou o Dragão
Foi há dois anos que Sérgio Conceição deixou o FC Porto e o treinador só agora quebrou o silêncio sobre essa passagem marcante pelo Dragão. Na primeira parte da entrevista que concedeu à TVI, exibida esta segunda-feira, o treinador explicou o que o levou agora falar sobre esse momento marcante na sua carreira.
Conceição também voltou à sua infância e falou sobre as dores de ter perdido o pai e a mãe cedo na sua vida. E também abordou as passagens recentes pelo Al-Ittihad e pelo AC Milan.
Quebrar o silêncio após a saída do FC Porto: "Vários motivos, a minha saída do FC Porto não foi fácil, a todos os níveis. Ligação de 7 anos como treinador, o fim de um ciclo de alguém que marcou a minha carreira desportiva, o presidente Pinto da Costa. Era a altura que tinha de ser."
Arábia: "Cheguei depois de um ano positivo do clube. Ganharam campeonato e a King Cup, mas sabia-se de alguns problemas na estrutura. Saio com uma experiência muito diferente. Eles não estão habituados a treinar durante o dia. Se tivéssemos mais do que um treino por dia já era difícil para eles respeitar os horários."
Itália: “Os
seis meses no Milan foram bastante interessantes.”
O que diria ao falecido pai se tivesse cinco minutos com ele? "Abraçava e
agradecia. Os sacrifícios dele foram muitos ao longo da nossa vida, tive a oportunidade
de estar 16 anos com ele e recebi ensinamentos fantásticos. Mesmo nos silêncios dele,
ele ensinava. Mesmo nos momentos em que era difícil alguma coisa depois de um
dia de trabalho, ele ensinava. Sim, cheguei a trabalhar com ele nas férias da
escola. Tenho 5 filhos, todos bem formados, o mais novo tem 11 anos, vai pelo
mesmo caminho. Respeito, gratidão, humildade… valores intrínsecos, fazem parte
de mim. Trajeto muito difícil. O meu
queria que acabasse os estudos para trabalhar com ele. Apesar de me acompanhar nas camadas jovens da Académica, ele não me elogiava. Não me lembro de o meu pai dizer ‘gosto muito de ti’,
mas mostrava de outras formas. Acho que estaria orgulhoso da minha carreira, a minha mãe também."
Onde foi buscar força para continuar a acreditar na vitória: “Cheguei ao FC Porto, fiquei no lar de Costa Cabral com alguns jogadores africanos e de outros países e de outras cidades de Portugal. A minha mãe estava doente na altura, ia a Coimbra levar algum dinheiro para ajudar. Não foi fácil. Olhei para o futebol como algo que me dava satisfação enorme. Eles podiam olhar para mim e ver que tudo o que foi o sacrifício deles valeu a pena. Lutei sempre com isso em mente. Sim, choro. Penso neles, no meu irmão, nas pessoas que me ajudaram e estão vivas."
Dinheiro: “Dinheiro tem importância, facilita a vida, ajuda a ter alguns dos prazeres da vida mundana, mas não é algo que valorizo muitíssimo. É importante, trabalhamos para isso, mas o prazer de ganhar títulos, de ter sucesso na vida. Houve cuidado na gestão do dinheiro, mas não é algo que dê prioridade. Se calhar por isso acontece de forma natural, estou tranquilo a esse nível agora. O que me mais preocupa é o próximo projeto, não o dinheiro.”
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