Sérgio Conceição: «Falhámos em algumas situações e falhámos todos»
Treinador do FC Porto em conferência de imprensa após o triunfo frente ao Sp. Braga
O FC Porto garantiu o terceiro lugar da Liga Betclic, ao vencer por 1-0 na visita ao Sporting de Braga, quarto colocado, no jogo da 34.ª jornada que fechou oficialmente a edição 2023/24 da competição. Ausente do banco por castigo, o treinador do FC Porto fez a análise ao encontro em conferência de imprensa.
Análise ao jogo
"Não estamos felizes porque não era isso que queríamos, acabar em 3.º lugar. Sabíamos que ia ser um jogo difícil perante um Sp. Braga que faz parte dos quatro clubes grandes em Portugal. Acho que entrámos muito bem, até à expulsão, ou após, acho que não estivemos tão bem como até então, a nossa circulação não foi rápida para explorarmos essa superioridade numérica que tínhamos, mas a equipa entrou bem, a perceber o que tinha de fazer para criar dificuldades ao Sp. Braga. Depois retificámos algumas coisas ao intervalo e na 2.ª parte criámos muitas situações e o resultado poderia ter sido outro se tivessemos sido eficazes. Foi um bocadinho o espelho da época. Entrávamos com alguma facilidade no último terço e, por falta de boa definição ou de perceber o que tínhamos de fazer nesses momentos, não conseguimos. Não estamos habituados a este lugar, mas é o que é. O campeonato acabou, temos de dar os parabéns ao Sporting, que foi um campeão justo com esta distância, e nós temos de olhar para o próximo jogo que é uma final e queremos meter mais um título no museu. É para isso que vamos trabalhar esta semana".
O que leva deste jogo que o pode ajudar nos próximos dias?
"Os jogos são todos diferentes. Aquilo que levo daqui são algumas situações que os jogadores normalmente fazem consoante o plano para o jogo e que vão tentando cumprir com máxima dedicação. Jogos são diferentes. Será uma final, tal como era hoje, e vamos ter esta semana para preparar o jogo. Daqui não levo nada a não ser 3 pontos que nos permitem ficar no 3.º lugar. A estratégia para o jogo vai ser com certeza diferente porque o adversário é diferente. A história do jogo vai ditar outras coisas que queremos que sejam favoráveis perante um adversário que conhecemos bem e que também nos conhece bem. Era bom que se falasse de futebol, sobre o que mudámos na 2.ª parte contra o Sp. Braga... Isso é que faz falta, para as pessoas perceberem o que se faz no campo, o que os jogadores fizeram, o tipo de ocupação de espaços que houve, o que mudámos para sermos mais agressivos com bola e provocarmos mais dificuldades ao Sp. Braga. Isso é que é bonito. Contra o Sporting vamos trabalhar dentro da mesma ambição e dedicação que temos".
Esta terá sido a época mais atípica desde que está no FC Porto. O que falhou?
"Não é tempo de balanços. Vamos fazê-lo daqui a uma semana, se quiser, teremos tempo para isso. Obviamente que falhámos nalgumas situações e falhámos todos. Todos. Num clube não se pode olhar só para os jogadores, para a imaturidade ou para uma equipa muito jovem. Tem que se olhar para tudo. Acho que não é o momento para o fazer".
FC Porto, mesmo sabendo que o empate era suficiente para o 3.º lugar, quis sempre chegar ao golo. Esse foi o melhor sinal dado hoje?
"Preparamos sempre os jogos para ganhar. Depois as incidências do jogo é que vão ditando o que temos de fazer enquanto treinadores. O que me parecia era que não se notava a nossa superioridade numérica. Mudámos uma ou outra situação importante e entrámos de forma diferente, criando diferentes problemas ao Sp. Braga".
Presença de Pinto da Costa no Jamor parece cada vez menos provável. Se não estiver, isso poderá servir de combustível?
"Vou dizer exatamente o mesmo que disse sabendo da sua intenção de estar presente. Não tem de ser um fator motivacional, da mesma forma que se estiver, não vai mexer na preparação. Motivação é natural, de estar num grande clube, disputar uma final, essa é a motivação que um jogador, treinador, dirigentes têm de ter. Isso é o mais importante".
O que pretendia dar à equipa com o João Mário?
"Tínhamos de atrair o adversário às zonas que queríamos para romper no espaço, na dinâmica que queríamos de apoio e profundidade. Era preciso desmontar a boa organização do Sp. Braga. Por dentro estava difícil e agudizou-se com a expulsão. Foi para isso e para criar situações. Viram que a ocupação do espaço dos nossos laterais foi diferente na 2.ª parte, Wendell era quase um médio interior, Galeno jogou mais aberto também em função do jogador do Sp. Braga que estava naquela zona. Evanilson e Pepê também ligeiramente diferentes. Precisávamos de arranjar soluções para fazer golos, era isso que queríamos. João Mário trouxe caraterísticas diferentes, o Martim esteve um bocadinho mais baixo na 1.ª parte e queríamos alguém que rompesse por dentro e fosse solução também por fora. Houve alguns ajustes".