Sérgio Conceição: «Se fosse sempre igual o Otávio nem me ouvia»
Fala na necessidade de se reinventar a cada época, mas sem fugir da "essência inegociável"
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Tendo dominado o plano interno durante a última temporada, foi sugerido a Sérgio Conceição que o FC Porto seria o alvo a abater em 2022/23. À entrada para a sexta época seguida no Dragão, terá o treinador uma nova fórmula para manter os índices de sucesso? "Temos de nos reinventar. O Otávio trabalha comigo há seis anos, se eu fosse sempre igual com ele, já nem me ouvia depois de dois segundos de conversa. Temos que ter essa capacidade, temos de procurar sempre coisas diferentes. No discurso, na forma de motivar, naquilo que somos aqui dentro. Depois, temos de respeitar o que somos na nossa essência, e isso eu faço e não abdico. É inegociável", afirmou Sérgio Conceição, no Olival, durante a primeira conferência de 2022/23, de lançamento do jogo de hoje, frente ao Tondela, para a Supertaça.
"Depois, há todo um trabalho que nós fazemos aqui, não sou só eu, em que, a cada ano, tem de haver a mesma dedicação, ambição, determinação, mas é fundamental não fugir da essência", prosseguiu, alargando o seu leque de análise para concluir: "Vamos encontrar rivais fortes, consistentes. O Sporting, por exemplo, leva algum tempo a trabalhar com o mesmo treinador, o Benfica mudou e tem nova vida, novo treinador, contratações... Temos de ir à procura de andar no limite, é o mínimo que podemos fazer. Logo no primeiro dia, o discurso no balneário foi diferente do ano passado. Época nova, vida nova. Para ganhar, temos de procurar ser os melhores no nosso trabalho. Vivemos de resultados."
"Demissão? Completamente falso"No final da conferência, Sérgio Conceição lamentou ter falado pouco do Tondela e ter sido ele a puxar o tema à conversa, mas não deixou pergunta sem resposta, nem naquelas sobre os temas mais quentes da pré-época, incluindo a saída de Francisco para o Ajax, o ataque que o líder dos Super Dragões lhe dirigiu e o pedido de demissão que teria pedido a Pinto da Costa.
"Demissão? É mentira. Os jornalistas também têm dias maus e o senhor que deu essa notícia estava num dia mau, é completamente falso. Todos os jogadores que não fazem parte do clube, não falo deles. E reações de adeptos não vou comentar", reagiu.
Sérgio Conceição também falou dos castigos de um jogo de suspensão aplicados a Diogo Costa, Manafá, Fábio Cardoso e Otávio. "Aparecem-me esses castigos e obviamente não contava com esse timing. Não vou dizer se os castigos são certos ou não, não sou nenhum jurista isento do Conselho de Disciplina da Federação para me pronunciar sobre isso", atirou Sérgio, já depois de lhe ter sido pedido para analisar a venda de Vitinha ao PSG por 40 M€. "Não sou dirigente para saber se foi bom ou mau negócio, sou treinador e há gente muito capaz neste clube, conforme tem demonstrado ao longo de 40 anos, nomeadamente o nosso presidente. Tudo passa por ele, como a liderança de um clube e de uma direção que trata desses assuntos", devolveu.
Veron "tem tudo para se afirmar" e já foi convocadoO mais recente reforço do FC Porto, Gabriel Veron, também foi tema de conversa na conferência. Sérgio Conceição admitiu que já conhecia as qualidades do brasileiro, e por isso foi contratado, acrescentando: "Precisa do seu momento de adaptação, mas tem tudo, à imagem de outros, para se afirmar no nosso futebol e na Europa, onde existem as melhores equipas do Mundo, e onde nós estamos incluídos. Agora é uma questão de tempo e adaptação que pode levar uma semana ou um mês, depende do que demonstrar diariamente." De resto, apesar de o FC Porto não ter revelado a lista de convocados para hoje, Record sabe que Veron está entre os eleitos, faltando perceber se terá lugar na ficha de jogo com o Tondela.
Humildade e respeito na receita para a SupertaçaDepois de quase um mês a trabalhar em função do jogo de hoje, Sérgio Conceição conheceu, na passada segunda-feira, mais duas baixas, as de Diogo Costa e Fábio Cardoso, devido a castigo, mas isso não mudou nada no objetivo de conquistar, em Aveiro, o primeiro troféu da época. "Não espero um jogo fácil, antes pelo contrário, e cabe-nos ter respeito e humildade e a partir daí encontrar a base para depois ganhar mos o jogo", afirmou o treinador em jeito de receita para o duelo com o Tondela, a quem deixou muitos elogios. "Teoricamente somos a equipa que tem obrigação de ganhar o jogo, pela história que temos no campeonato português e nesta prova, mas é preciso prová-lo em campo", alertou.