Villas-Boas revela contratação mais difícil e atira: «Fechámos o negócio em 24 horas»
Presidente do FC Porto fala em "clube difícil de negociar" no que toca a vender "talentos"
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"É uma área que me dá muitas rugas, claramente". É desta forma que André Villas-Boas 'avalia' o mercado de transferências sublinhando, em entrevista ao canal de Youtube 'Primeiro Toque', o processo que o FC Porto segue. E vai mais longe: o presidente dos dragões aborda aquela que considera ter sido a contratação mais difícil atirando: "As de 2025/26 todas têm uma história muito específica".
Como se move o FC Porto no mercado: "Os processos de compra normalmente começam por... olhando para a base, por listas de scouting. Portanto, uma estrutura de scouting que funciona para servir uma organização ou para servir o clube como deve ser, empregue pelo próprio clube. Departamento de scouting esse que tem sido altamente fornecido por novas tecnologias e novas ferramentas, das quais o manuseamento, gestão de dados, inteligência artificial e filtração de dados. Portanto, dessas estruturas de scouting saem listas, listas dos melhores por posição, e depois em relação com o treinador ou não, por decisão da própria estrutura, tomam-se decisões sobre os jogadores que achamos interessantes contratar. Portanto, a partir daí dão-se os primeiros contactos. Normalmente é com os agentes, porque os clubes não podem diretamente entrar em contacto com os jogadores, portanto essa é a lei com a qual nós nos gostamos de proteger e usamos a figura do agente, e daí a sua importância no panorama do futebol mundial atualmente. Portanto, a partir do agente sabe-se mais ou menos as condições, primeiro o interesse, não é, da outra pessoa em juntar-se ao clube, portanto, partilha de visão de projetos, se o deseja ou não, ou se há namoro ou se há casamento, digamos, de futuro. E depois, condições económicas para o jogador e, infelizmente, para o agente que também faz o seu trabalho — alguns são mais caros que outros, mas se há seguramente algo de que nos orgulhamos foi ter trazido para níveis aceitáveis o comissionamento envolvido em negociações nas quais o FC Porto estava envolvido. Portanto, a partir daí, quando há um corpo comum de interesses, iniciam-se as negociações com o clube, que podem acontecer de forma direta ou através do agente também, e depois é um campo de batalha. Portanto, saber se o clube quer vender, por quanto é que quer vender, se quer guardar mais-valias futuras — ou seja, há muita gente que percebe que o FC Porto é também ele um clube vendedor e um veículo de criação de valor, e a partir daí pode haver por parte do outro clube um desejo de guardar mais-valias futuras no caso de uma futura transferência. Portanto, chegando a acordo é basicamente isso. E é o processo inverso também na venda: o FC Porto tem muito talento à disposição, é conhecido e quer manter-se conhecido como um grande negociador e um grande vendedor. Portanto, sabemos que temos grande talento à disposição, não o vendemos a qualquer preço. O que nós... sobretudo a marca FC Porto tem que ser uma em que o talento que sai do FC Porto tem que vencer nos melhores campeonatos da Europa, e é uma marca que queremos guardar. Portanto, também não queremos sujar essa marca e estar a vender só por vender, e aldrabar ou enganar o clube para o qual levam os nossos talentos. Essa criação de marca é importante, é algo de que nos orgulhamos. Portanto, somos um clube difícil, vendemos bem talento, mas somos um clube difícil de negociar."
Ao nível de contratações, a época 25/26 foi um sucesso, porque perdemos horas e horas em reuniões para criar o FC Porto ainda mais atrativo para muitos talentos
André Villas-Boas
Presidente do FC Porto
As 'dores de cabeça': "É uma área que me dá muitas rugas, claramente. Se há algo que já me deteriora a saúde e o aspeto físico são precisamente as transferências, fora tudo o que é stresse de jogos e alta competição. (...) As transferências é um dos problemas, porque há muitos grandes talentos que nós identificamos e que desejamos muito ter, e que depois não querem vir, ou têm outros clubes, e todo o trabalho que fizemos vai por água abaixo. Por isso é que é muito importante trabalhar em antecipação. Por isso é que esta época de 25/26 ao nível de contratações foi um sucesso, porque perdemos horas e horas e horas em reuniões para criar o FC Porto ainda mais atrativo para muitos talentos. E é por isso que reunimos nesta equipa de 25/26 uns talentos extraordinários. Portanto, foi fruto de muitas reuniões durante meses, muitos convencimentos, muitas táticas, muitas reuniões secretas também... e dá prazer, mas retira muito, retira muito de uma pessoa".
A contratação mais difícil que acabou no prazer do "estava a ver que isto não acontecia": "A de Samu, sem dúvida. Portanto, foi um negócio que fechámos em 24 horas. Portanto, era um daqueles talentos que não podia simplesmente estar no mercado. Portanto, essa história é muito curiosa porque dá-se o falhar da sua transferência para o Chelsea, com o Chelsea a alegar lesões que o jogador não tinha — ou seja, que no nosso departamento médico não foram revistas em exames médicos ou foram desvalorizadas em exames médicos. Portanto, quando cai a sua transferência para o Chelsea, o jogador ficou no mercado e, ao ter ficado no mercado, foram apenas em 24 horas que nos sentámos, rapidamente nos sentámos com o jogador em Madrid, na sede do Atlético Madrid, e que fechámos o acordo com o At. Madrid sem ninguém saber. Portanto, foi algo que nos orgulhou para conseguir atrair para o FC Porto um dos maiores talentos do futebol mundial, e alguém em quem depositamos grandes esperanças para o futuro e que neste momento não desagradou a ninguém. É um jogador cheio de paixão e de emoção, além de todo o talento que tem, que é único e não tem paralelo. As outras... as de 25/26 todas têm uma história muito específica. A do Franculino também, portanto não se chega a concretizar a sua transferência para a Bundesliga, mas a verdade é que estava apalavrada, ou seja, foi apalavrada depois do FC Porto já ter estado lá em Copenhaga com a sua família, com o agente. E depois, fruto da negociação que se deu entre esse clube da Bundesliga e o Copenhaga, não houve acordo e o FC Porto tinha uma janela muito curta de tempo para poder atuar, atuou e trouxe o jogador para aqui. Portanto, normalmente este jogador não devia estar aqui, devia estar no outro campeonato. E depois, pronto, todas as outras. A do Kiwior também foi muito especial porque era um jogador altamente talentoso da Premier League, com muito interesse de muitos clubes, dos quais grandes clubes europeus, e uma pessoa que adorou o projeto Porto, o que é que ele significava, e foi outra transferência que só conseguimos concluir em fecho de mercado porque estava associada à ida de um jogador para o Arsenal que libertava, em consequência, o Kiwior para o FC Porto. Portanto, todas contam diferentes histórias, diferentes batalhas que nos orgulham. Uma coisa é certa e não posso negar: uma foto como esta atrai muita gente - o FC Porto é o clube nacional com mais títulos no futebol, é o clube nacional com mais títulos no futebol internacional do futebol português, tem uma história sem paralelo e sem precedentes, e há muitas pessoas que veem uma fotografia destas e querem vir para o FC Porto".
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