"Não há fim-de-semana em que os adeptos não se lembrem dos livres e dos cantos do Heitor. Resolvia muitos problemas difíceis". Palavras do presidente Rui Fontes no decorrer da homenagem que o Marítimo fez esta quinta-feira à noite, nos Barreiros, a um ex-jogador que ficou na memória dos adeptos pela sua eficácia nas bolas paradas, nomeadamente livres, cantos e penáltis. Agora com 59 anos, o antigo defesa brasileiro é um dos símbolos da equipa treinada por Paulo Autuori que, faz terça-feira 30 anos, conseguiu a primeira qualificação europeia dos madeirenses.
Acompanhado da família, em especial dos dois filhos que nasceram na Madeira, Heitor mostrou-se emocionado pela distinção que recebeu do clube, pelo qual fez 135 jogos e marcou 26 golos – é um dos defesas mais goleadores de sempre no nosso país. Chegou a Portugal para o V. Guimarães e ficou 8 anos na Madeira, quatro no Nacional e quatro no Marítimo. "Era um projeto da família vir à terra onde nasceram os meus filhos, a minha filha em 1988 e o meu filho em 1990. Oportunidade também para rever os amigos madeirenses e recordar os oito anos que passei cá, com muitas alegrias", salientou Heitor, que há alguns anos foi Prefeito de Laranjal Paulista, cidade do interior de São Paulo.
O antigo número 2 tem acompanhado o percurso da equipa de José Gomes e tem confiança que ela vai ser feliz no playoff com o E. Amadora. "Esse ano foi difícil. Em muitas ocasiões, o Marítimo até jogou bom futebol mas os resultados não aconteceram. Mas a vitória com o Vizela mostra que houve uma luz no caminho. Acredito que o Marítimo vai superar o playoff", salientou.
Muitos consideram que falta um Heitor nesta equipa – o próprio Rui Fontes assumiu que procurou em janeiro um jogador com estas características – e o brasileiro apontou: "O nosso tempo foi bom. Cada época do futebol tem as suas particularidades e logicamente que a bola parada é muito importante. Claro que queremos sempre ter alguém que bata os cantos, livres e penáltis e possa resolver as partidas. De tempos em tempos aparece um jogador com essa caraterística. Mesmo no futebol brasileiro há uma limitação de marcadores de livres, mas ‘torcemos’ sempre que apareçam novos talentos", disse.
Bruno pede inteligência
Vários antigos jogadores, de gerações distintas, marcaram presença neste jantar de homenagem, um deles o antigo médio Bruno Fernandes, que deu a receita para o playoff com o E. Amadora. "Há que ter esperança e apoiar os jogadores e equipa técnica. São sempre jogos onde é preciso atitude e inteligência. Também se ganha sabendo interpretar o jogo e o plantel do Marítimo tem capacidade suficiente para superar esta eliminatória", disse o também antigo jogador do FC Porto, frisando: "Quem gosta teme sempre (a descida), mas há que ter confiança e apoiar a equipa. Não é fácil e os jogadores não queriam estar nesta situação. Ninguém queria. Mas desde que haja atitude – e a do Marítimo tem sido excelente – e inteligência vamos acreditar ", disse.
Bruno realça que é importante respeitar o E. Amadora. "Joga numa divisão muito combativa, estão habituados aos contatos e o Marítimo tem de estar preparado para isso. Se calhar, não dá para jogar muito bonito mas o importante são as vitórias".
Por Gonçalo Vasconcelos