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No dia em que o Nacional assinou um acordo com a Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste para poder utilizar o relvado do Centro Desportivo da Madeira, o Marítimo veio a público esclarecer a posição do clube em relação a um tema onde nega que se tenha auto-excluído do processo. Os verde-rubros dizem que continuam a aguardar uma resposta da entidade que gere o espaço da Ribeira Brava e mostra disponibilidade para chegar a um entendimento com a referida sociedade gestora do espaço na Ribeira Brava.
"O Marítimo mantém integralmente o interesse na utilização do Centro Desportivo da Madeira e nunca comunicou à Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste qualquer desistência ou indisponibilidade para celebrar o respetivo protocolo. Um acordo que era tripartido, passou a ser celebrado apenas entre duas partes, sem que o Club Sport Marítimo se tenha autoexcluído do processo.
O que o Clube solicitou, e continua a aguardar resposta, foi uma explicação objetiva para a alteração do valor mensal inicialmente apresentado e sucessivamente mantido nas negociações, que passou de 5.000 euros + IVA para 8.500 euros + IVA.
Importa, por isso, recordar os factos.
A 30 de junho, a primeira minuta enviada ao Marítimo pela Sociedade de Desenvolvimento estabelecia uma contrapartida mensal de 5.000 euros + IVA e atribuía à Ponta Oeste a responsabilidade pela gestão, manutenção e conservação da infraestrutura.
A 16 de julho, o Marítimo devolveu uma proposta mantendo exatamente esse valor, introduzindo apenas uma maior concretização das obrigações relativas à manutenção do relvado. O Clube identificou, de forma expressa, trabalhos técnicos como aeração, ressementeira, escarificação, verti-drain, controlo de pragas, descompactação, drenagem ou nivelamento, entre outros procedimentos habituais na manutenção de um relvado destinado ao futebol profissional.
A 5 de agosto, a Ponta Oeste remeteu nova minuta. O preço permaneceu nos 5.000 euros + IVA, apesar de ter eliminado a cláusula que discriminava aqueles trabalhos.
A 14 de agosto, o Marítimo voltou a propor a inclusão dessa discriminação técnica, mantendo novamente inalterado o valor de 5.000 euros + IVA.
Só na minuta enviada pela Ponta Oeste a 9 de setembro, no dia seguinte ao comunicado do Marítimo acerca do relvado do Estádio do Marítimo, surgiu uma alteração da contrapartida mensal para 8.500 euros + IVA.
Nessa mesma proposta, porém, a Ponta Oeste não aceitou a discriminação dos trabalhos técnicos pretendida pelo Marítimo, substituindo-a por uma formulação genérica segundo a qual lhe compete assegurar a manutenção técnica do relvado e os trabalhos necessários à preservação das condições de prática desportiva profissional.
Ou seja: o preço foi aumentado substancialmente sem que tenham sido incorporadas na proposta as obrigações específicas que o Marítimo pretendia ver contratualmente discriminadas.
Foi precisamente por essa razão que, no passado dia 11 de setembro, o Club Sport Marítimo solicitou formalmente à Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste uma fundamentação para a alteração do valor apresentado.
Até ao momento, o Clube não recebeu resposta.
Perante estes factos, existe uma questão simples que importa esclarecer:
Que circunstância objetiva ocorreu entre as anteriores propostas de 5.000 euros + IVA e a proposta de 9 de setembro que justifique a passagem da contrapartida mensal para 8.500 euros + IVA?
Tratando-se de uma infraestrutura pública regional, o Club Sport Marítimo considera igualmente indispensável que as condições da sua utilização sejam definidas segundo critérios transparentes, objetivos e equitativos para todas as entidades interessadas.
Nesse sentido, e perante os desenvolvimentos entretanto conhecidos relativamente à utilização da infraestrutura por outro clube, o Marítimo considera legítimo conhecer as condições financeiras em que foi estabelecido este acordo com a outra sociedade desportiva, bem como, as condições aplicáveis aos diferentes utilizadores, designadamente no que respeita à contrapartida financeira e aos serviços incluídos, garantindo que não existe qualquer tratamento diferenciado sem fundamento objetivo.
O Club Sport Marítimo continuará disponível para alcançar um entendimento com a Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste.
Essa disponibilidade não dispensa, porém, os esclarecimentos solicitados.
O Clube entende que uma diferença de 3.500 euros mensais relativamente ao valor que esteve na base das negociações durante mais de dois meses exige uma explicação clara.
É essa a explicação que o Marítimo aguarda desde 11 de setembro.
O Club Sport Marítimo continuará a defender os seus interesses e os interesses dos seus associados com serenidade, firmeza e total transparência."
O plantel do Marítimo gozou esta segunda-feira um dia de folga e amanhã treina na Camacha, no relvado do estádio do clube local, com uma sessão que está agendada para a parte da tarde. Ontem, os jogadores que foram convocados para a partida frente ao Moreirense, em Moreira de Cónegos, realizaram um treino no norte do país, dando já início à preparação da visita ao Gil Vicente, este sábado, às 15h30, no Estádio Cidade de Barcelos.
Os responsáveis maritimistas não veem motivo para alarme face às três derrotas consecutivas averbadas pela equipa, frente ao Arouca, Benfica e Moreirense, sendo só o desaire sofrido com os benfiquistas é que foi em casa dos verde-rubros. Mitchell van der Gaag vai continuar a desenvolver o seu trabalho de forma tranquila, pois os dirigentes do Marítimo, acreditam que o momento menos bom irá ser superado em breve, apesar de nas próximas jornadas - Gil Vicente (F), FC Porto (C), Vitória de Guimarães (F) -, não serem diante de adversários fáceis de superar. E há ainda o embate com o Sporting, em Alvalade, depois da visita a Guimarães, em partida relativa à Allianz Cup, quartos-de-final da competição.
No regresso ao trabalho, o departamento médico do clube, vai reavaliar o trio de lesionados: Simo Bouzaidi, Nathanael Ogbeta e Yellu Santiago.
Por João Manuel Fernandes