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Quando tudo parecia crer que o Plano Estratégico apresentado por Rui Fontes aos sócios do Marítimo iria ser chumbado na Assembleia Geral desta noite, a votação de braço no ar, mostrando um cartão, deu luz verde ao presidente maritimista para poder negociar a venda de até 40 por cento do capital social da SAD. A AG mobilizou cerca de 600 sócios, mas alguns deles não exerceram o seu direito de voto, pois estavam em desacordo com o processo: a votação não foi secreta, com votos na urna, mas sim de braço no ar, ao longo das bancadas do pavilhão do clube. Votaram 445 associados, dos quais 234 (52,6 %) deram luz verde ao presidente Rui Fontes para alienar até 40 por cento do capital social, enquanto 138 sócios votaram contra. Houve 66 votos nulos e sete abstenções.
A segunda intervenção de Rui Fontes na AG foi decisiva na conquista de uma maioria inesperada para muitos que estiveram na sessão de esclarecimento realizada na semana passada, pois levava a crer que o Plano Estratégico apresentado seria chumbado. Com esta aprovação, a direção está mandatada para poder vender a possíveis investidores 40 por cento do capital social, com o diretor financeiro da SAD, Carlos Batista, a revelar que o valor mínimo definido é de 17 milhões para a venda dessa percentagem.
"Naturalmente que tenho de estar satisfeito, pois a nossa proposta venceu com 52,6 por cento dos sócios, sentindo a confiança para poder avançar no sentido de o clube se transformar num clube mais moderno", disse Rui Fontes após a votação da AG. E prosseguiu: "Sinto mais responsabilidade agora, não no facto de sair com a liderança reforçada, mas no sentido de na segunda Liga podermos ter uma equipa forte".
Houve muita contestação à forma como a votação se realizou, com braço no ar nas bancadas do pavilhão: "É um problema ao qual não posso responder. Os estatutos do Marítimo dizem a forma de votação, que é através de colocar o braço no ar. Nós cumprimos o que os regulamentos dizem. Não percebo essa questão".
Trabalhar a todo o vapor. É esta a ideia de Rui Fontes sobre possíveis investidores. "Vamos analisar as propostas que já temos e dar indicações, que rapidamente tudo se resolva, pois o Marítimo quer construir uma equipa de futebol forte e só com investimento é possível fazê-lo", afirmou.
Sobre o valor pretendido para a entrada no capital social da SAD: "Até 17 milhões é a entrada de capital, não significando que seja tudo para investir na compra de jogadores. Sei mais ou menos quanto custam os jogadores que interessam, mas posso avançar muito mais". O tempo é curto, com o regresso ao trabalho da equipa no próximo dia 6 de julho. "Até ao dia 6 de julho não se consegue a entrada de capital na SAD. Mas tendo a perspetiva de que as coisas podem agora acontecer face a essa entrada de dinheiro, já podemos trabalhar com mais tranquilidade em relação à aquisições de jogadores".
"Sem margem para erros"
O atual líder dos verde-rubros falou de forma clara quanto ao presente e um futuro próximo. "A tranquilidade conseguida com esta AG é não permitir errar, pois esse erro é fatal. O Marítimo não pode errar. Temos que trabalhar muito bem, pois os sócios não nos vão dar mais um voto de confiança se nós os desiludirmos à segunda oportunidade", afirmou.
Quando questionado sobre quem irá gerir os valores introduzidos na SAD: "O dinheiro entra na SAD e esta é que irá gerir esse valor. Vamos começar a negociar todos os aspetos com os possíveis investidores. Agora, estamos autorizados a negociar. Depois, vamos trazer o resultado dessas negociações para uma assembleia geral. Nessa altura vamos conhecer quais são as exigências dos investidores". E quanto ao valor patrimonial da sociedade maritimista: "A avaliação que foi feita da SAD, é que 40 por cento, valem 17 milhões. No entanto, não quer dizer que seja esse o valor, pode ser menos". Num futuro próximo, Rui Fontes garante que em relação aos "ordenados, salários, despesas correntes, já ficou provado que é possível suportar". "O que não tínhamos era capacidade de investir como os outros diretos concorrentes. Agora, tivemos esta grande alegria e satisfação de os sócios nos darem esta grande oportunidade de poder entrar numa nova era do Marítimo".
"Fazer tudo para subir de divisão"
O líder maritimista não tem dúvidas em relação ao caminho traçado com vista a um futuro mais risonho: "A SAD é uma empresa que compra e vende jogadores. Vamos fazer tudo para subir de divisão. Vamos trabalhar já para isso. Ainda bem que esta votação aconteceu com este resultado. Estava muito preocupado se não conseguimos esta maioria". E se a sua proposta não vencesse? "Se não houvesse condições para trabalhar, claro que pedia demissão."
Oposição desconfiada
Luís Olim, ex-administrador da SAD verde-rubra, saiu da AG desiludido: "O que a direção veio aqui pedir foi uma autorização para negociar propostas. Mas ao mesmo tempo disse que já tinha três propostas em cima da mesa. Veio pedir poder para iniciar negociações, quando já existem. Podem negociar e contratar quem quiserem contratar. O futuro do Marítimo não vai ser alterado pelo que aconteceu aqui hoje". Uma das vozes mais ativas na sessão de esclarecimento realizada sobre o Plano Estratégico, André Gomes, também saiu desiludido: "Respeito a vontade dos sócios, mas não era a minha vontade. Este caminho não é correto. Respeito esse voto de confiança a Rui Fontes".
Ricardo Sousa: "é um desastre!"
O ex-administrador da SAD maritimista na era presidida por Carlos Pereira não tem dúvidas quanto ao futuro dos verde-rubros. "Vamos para a terceira divisão. Não tenho dúvidas. Isto é um desastre! Os sócios quiseram assim. Passou-se um cheque em branco quando ganharam as eleições e caímos na Segunda Liga. Vamos voltar à mesma coisa, a promessas? O Marítimo precisa de trabalho. Apresenta-se um Plano Estratégico de Amadores. Isto vai correr mal. Gosto demasiado do Marítimo para assistir ao que assisti aqui hoje. Mais promessas sobre promessas! Onde é que está a equipa para subir de divisão? Estou indignado! Isto não vai correr bem", afirmou à saída da AG.
Outra voz discordante, Miguel Silva Gouveia, ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal, também saiu desiludido: "Infelizmente votou-se a entrega de 40 por cento da SAD a um possível investidor. Não foi esse o meu voto. Não é este o caminho. Vamos aguardar, irão surgir propostas concretas dos investidores. Hoje votou-se praticamente nada! Vamos ver…"
No final da votação, um dos sócios presentes teceu duras críticas à forma como a mesma correu. "Saio insatisfeito com uma votação destas. Tenho dúvidas que tenha havido uma contagem certa e credível. Isto tinha de ser feito com urnas. É o que se faz com clubes com investidores e menores que o Marítimo. Decidi não votar, pois não concordo com esta forma de votação", afirmou Francisco Gonçalves.