Carlos Pereira: «Investimento rondará 1,5 milhões de contos»
O presidente da SAD diz que decidiu não perder a oportunidade para tentar ir o mais longe possível numa prova europeia
Toronto – Um milhão e meio de contos, o maior orçamento de sempre, é o valor que o Marítimo estabeleceu para esta nova temporada, que marca o regresso do clube madeirense às competições europeias. O investimento confirma a aposta forte dos verde-rubros, quer no Campeonato Nacional da I Liga quer numa presença condigna a nível internacional.
"Foi com a preocupação de fazer um Marítimo forte que construímos esta equipa para a nova época. Não podemos esquecer que preparámos tudo com algum tempo, o que não foi fácil. Esta nova temporada vai envolver outros custos financeiros, diferentes daqueles a que estávamos habituados anteriormente", confirma o presidente da sociedade desportiva do clube maritimista, Carlos Pereira.
O dirigente justifica a aposta feita pelo emblema madeirense, revelando: "Tivemos uma fase de reequilíbrio financeiro, depois outra de contenção e chegou a altura de investir. Se me perguntassem antes se seria esta a época para apostar, diria que ainda não. Mas, fruto daquilo que aconteceu na época passada, com a presença na final da Taça de Portugal e a Taça UEFA garantida, fomos obrigados a antecipar em um ano aquilo que estava previsto em termos de tesouraria".
Promover a Madeira
Carlos Pereira nota que este é o maior orçamento de sempre. "O investimento não vai andar longe do milhão e meio de contos. Para ter qualidade precisamos de ter estes encargos. Não podemos fugir à regra. Nem deixar de salientar a alteração verificada no nosso planeamento desportivo: pela primeira vez na sua história, o Marítimo compra e faz parcerias em termos de passes de jogadores. Temos no plantel um património já bastante considerável", adianta, garantindo que todos os riscos e alterações são calculados.
"A administração da SAD ponderou os prós e os contras e decidimos não perder esta oportunidade para podermos ir o mais longe possível numa prova europeia. Temos um contrato-programa que nos obriga a promover e divulgar uma região que está por trás de nós", lembra.
O valor do apoio concedido pelo governo madeirense ainda não está definido, mas não tardará a ser publicamente anunciado. "O assunto já foi analisado pelo Instituto do Desporto da Madeira e pelo secretário regional da Educação. Aquilo que está no regulamento, que dá origem aos contratos-programa, define exactamente as percentagens a que o Marítimo tem direito pela participação na Taça UEFA" refere.
Confrontado com a hipótese do subsídio atingir 1 milhão de contos, Carlos Pereira afiança que não chega a tanto e revela: "Já falei com o secretário da Educação, que está agora a quantificar e a planear como serão feitos os pagamentos em duodécimos", conclui.
O presidente e o grupo "Os verde-rubros"
O grupo "Os verde-rubros", formado por um conjunto de sócios do Marítimo, convidou recentemente Alberto João Jardim para um jantar de homenagem ao antigo presidente Rui Fontes. Mas Carlos Pereira declinou o convite, justificando-o por claras incompatibilidades com os membros do referido grupo. E não deixa de lhes lançar duras críticas.
"Não tenho de fazer comentários a um jantar, pois o presidente do governo regional vai a tantos outros para os quais é convidado. Quem seria eu para fazer algum comentário sobre a sua presença num almoço ou jantar", começa por sublinhar.
Quanto à homenagem, dá a sua opinião: "Acho que elas devem acontecer em consonância com a Direcção, que neste caso não foi tida nem achada. Chegou uma carta ao clube a convidar-me para ir, mas não fui nem tenciono estar presente, pois não me sento à mesa com pessoas que denegriram a imagem do clube, o que lamento, que são testemunhas contra o Marítimo em tribunal, e que pagaram a outras para assobiar e enxovalhar a imagem do nosso treinador, no seu primeiro dia de trabalho, e do próprio presidente. Ou formalizam desculpas e deixam de mover acções contra o clube, e aí pensarei seriamente se estarei nalguma organização que eles promovam", adianta.
Carlos Pereira não se fica por aqui e é contundente, sem falar em nomes: "Onde estavam essas pessoas aquando da mudança de Direcção? – a criticarem a anterior e apoiarem a nossa entrada; onde estavam até a saída do anterior treinador; onde estavam aquando do lançamento do nosso concurso ´Estádio Cheio´ e quantos cartões compraram; onde estavam nas feiras que nestes anos organizámos e nas quais não marcaram presença; onde estavam no lançamento da SAD e quantas acções compraram – nenhuma, garanto; onde estavam no último jantar de apresentação da equipa aos sócios – ocupados, pois não foram", dispara.
Para Pereira, "com esta santa paz e os trabalhos arranjados, estão reunidas as condições para essas pessoas e aberto o caminho para o clube único. Mas eu continuo a favor do único clube – o Marítimo", comenta, acrescentando que "não somos nenhum centro de emprego, nem servimos para as pessoas regressarem à política activa".
O presidente da SAD diz não esquecer "certos telefonemas anónimos que recebi há algum tempo" e observa que estas críticas "nada têm a ver com as pessoas que vão a esses jantares pelo seu amor clubístico e que não conhecem os pormenores que estão por detrás dessa organização".
A concluir, nota que "hoje o clube é uma SAD auditada por um Revisor Oficial de Contas, com contabilidade organizada e que recupera impostos do passado. Não tem casos em tribunal e os poucos que surgem são inventados por uns ignorantes, tipo Benny Hill. São deficiências de cura difícil", finaliza.
Novo departamento para os emigrantes
O Marítimo vai criar um novo departamento para manter contactos regulares e poder satisfazer as solicitações dos muitos emigrantes madeirenses espalhados pelo Mundo.
De acordo com Carlos Pereira, a visita ao Canadá e aos Estados Unidos que a comitiva do emblema do Funchal efectuou durante duas semanas confirmou a necessidade de o clube madeirense prestar maior atenção às comunidades de verde-rubros.
"É quase obrigatório criarmos um departamento para continuarmos com esse relacionamento. E vamos de imediato pô-lo a funcionar, pois muitas solicitações foram feitas, quer em termos de ´merchandising´ quer de angariação de novos sócios", observa o responsável do clube madeirense.
A dimensão de maritimistas pelo mundo é difícil de quantificar, mas o líder verde-rubro crê que o número ascenda a um milhão.
"Face aos contactos que existem e se atendermos ao milhão e trezentos mil madeirenses emigrados, de certeza que a mesma proporção que temos na Madeira – 75 por cento – são simpatizantes do nosso clube", diz o presidente da sociedade desportiva do Marítimo.
Carlos Pereira realça que com estas saídas "vê-se bem a força e a grandeza do Marítimo" e lamenta não ser possível mais vezes alargar estes laços de amizade. "Com esta digressão que efectuámos ao Canadá e aos Estados Unidos, concluímos que estamos quase mais dentro do que fora da Madeira", constata o dirigente maritimista com agrado.
Emocionado com a forma como as pessoas vivem o clube, o dirigente faz uma revelação: "Houve quem se deslocasse do Canadá a Boston, por via terrestre, para ver o nosso jogo com a selecção nacional de Cabo Verde", sublinha Carlos Pereira, reafirmando os aspectos positivos da digressão.
Estágio rendeu benfícios
Financeiramente, a digressão do Marítimo à América do Norte foi um sucesso, a avaliar por aquilo que diz Carlos Pereira. Não só nada custou, em especial devido ao ´cachet´ negociado no jogo com Cabo Verde, como ainda rendeu algum dinheiro. Em resumo, foram conciliados três aspectos essenciais: o desportivo, o financeiro e o social.
"As nossas preocupações em termos de pré-temporada prendem-se essencialmente com o aspecto desportivo e as condições para trabalharmos. Pelo conhecimento que o prof. Nelo Vingada tinha de Nottawasaga, onde já estivera a trabalhar, optámos por esse local e penso que os objectivos foram alcançados, quer pelo espaço proporcionado quer pelos jogos realizados" começa por sublinhar.
A partir daí, "quisemos juntar o útil ao agradável, que era estar com os madeirenses e outros que, não sendo da região, são adeptos do Marítimo e do desporto em geral".
"A outra parte importantíssima foi não termos custos com a pré-temporada. Melhor do que isso, o Marítimo teve mesmo benefícios financeiros", confirma.