Lino: «Nunca passou pela cabeça ser um dia defesa-direito»
O guineense diz sentir-se bem na nova posição e considera mais difícil ser lateral que avançado. Classifica de positiva a carreira da equipa, embora reconhecendo que na segunda volta é imperioso conquistar mais pontos fora de casa
CONTRATADO ao Varzim há dois anos e meio, o guineense Lino protagoniza um caso curioso no Marítimo: ele, que era inicialmente extremo-esquerdo, notabiliza-se há cerca de um ano como lateral-direito. Ou seja, atravessou o campo na diagonal, cumprindo a nova posição com distinção, de acordo com a generalidade da Crítica.
“Estou muito contente porque estou a jogar, que é o mais importante. Esta não era a minha posição, mas agora passou a ser. Isso não quer dizer que um dia não possa voltar a jogar a médio, pois não perdi essas características, mas sinto-me bem aqui e tudo farei para corresponder à confiança do treinador”, adianta.
O jogador confessa que “nunca me passou pela cabeça ser um dia defesa-direito”, até porque sempre alinhou como médio-esquerdo ou mesmo avançado.
Tudo começou há cerca de um ano, numa eliminatória da Taça com o Sp. Braga. “O Rui Óscar, que era o titular, estava lesionado e o prof. Nelo Vingada apostou em mim como lateral-direito. Correu bem e a partir daí lá fiquei, aceitando a sugestão do treinador”, conta.
A adaptação foi relativamente rápida, apesar da especificidade do posto. “É muito difícil, mais do que como avançado, pois temos de ser completos, defendendo bem e ajudando a equipa a atacar”, reforça.
Ainda com um ano de contrato, além deste, Lino diz que o vai cumprir, embora deixe uma porta aberta para um eventual “salto” na carreira. “No futebol nunca se sabe o que vai acontecer amanhã”, observa, ele que já foi dado como possível reforço do Benfica.
Ir o mais além
Relativamente à carreira do Marítimo na I Liga, Lino confessa que esperava um pouco mais. Os 22 pontos conquistados em 15 jornadas, que dão direito a um modesto 9.º lugar, não reflectem a qualidade da equipa.
“Também não estamos assim tão mal, mas claro que esperava mais. Nos Barreiros temos feito uma boa carreira - só empatámos dois jogos -, mas fora de casa temos de ir buscar mais pontos. Faltou-nos sorte em muitos jogos e fomos algumas vezes prejudicados, com arbitragens polémicas, o que contribuiu muito para este desenlace”, diz. O jogador não esquece “os diversos jogos em que tivemos de actuar com dez unidades durante largos minutos”.
Na segunda volta da prova, Lino pretende amealhar mais pontos. “Vamos enfrentar fases complicadas, já que a luta pela Europa e para não descer vai tornar-se mais renhida, mas vamos encarar todos os desafios com a ambição de ir o mais longe possível.”
Inquirido sobre a possibilidade de voltar a participar numa competição europeia, o agora defesa mostra-se cauteloso. “Claro que podemos chegar lá, pois as outras equipas também perdem. Não é impossível, mas sem dúvida muito difícil, pois há poucos lugares e muitas equipas candidatas, como o Boavista, Braga e Belenenses.”
O jogador concorda que a Taça de Portugal pode ser uma via mais fácil, mas para isso “é preciso ter sorte e... ganhar os jogos”.
Naturalização avança bem
O guineense aguarda que se conclua o processo de naturalização, de forma a deixar de contar como estrangeiro. Tudo está bem encaminhado para que, dentro em breve, Lino seja português.
“Os documentos estão prontos e faltam só alguns pormenores para que o processo avance, o que deve acontecer na próxima semana. Penso que no início do próximo ano terei a nacionalidade portuguesa”, revela.
Lino já está em Portugal há sete anos. Começou por representar o FC Porto, nos seus escalões de formação, antes de ser cedido ao Varzim. Seguiu-se a transferência para o Marítimo, há dois anos e meio, na altura sob o comando de Augusto Inácio.
Selecção suspensa prejudica geração
A Federação da Guiné-Bissau foi suspensa pela FIFA durante quatro anos, o que impede a selecção daquele país de jogar. Lino vê-se assim impossibilitado de representar as cores do seu país, ele que era presença assídua no lote de seleccionados desde há algum tempo.
“É uma situação muito complicada e que se lamenta, mas não podemos fazer nada. Estou um bocado triste, pois quatro anos é muito tempo e naturalmente que prejudica toda uma geração. Eu incluo-me nesse grupo, mas paciência. Agora tenho de olhar para a minha carreira”, refere. A opção de naturalizar-se português é uma das consequências desta situação.
Despenalizado duas vezes
Além da regularidade exibicional, a época de Lino fica marcada pelas duas expulsões de que foi alvo, em casos que geraram acesa polémica. Na terceira jornada, o Marítimo perdeu em Vidal Pinheiro devido a uma contestada grande penalidade, por falta do guineense sobre um adversário. O jogador viu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Todavia, dias depois seria despenalizado pela Comissão Disciplinar da Liga de clubes.
Na nona jornada, noutra visita à cidade do Porto, para defrontar o Boavista, os madeirenses viram-se privados de Lino no início da segunda parte, numa altura em que o marcador registava 1-1.
Expulso por acumulação de cartões, o jogador viu depois a sua equipa perder por 3-1. O recurso do Marítimo acabou por ser, de novo, favorável às suas cores, pois Lino foi despenalizado pela segunda vez nesta época e pôde defrontar o Benfica na jornada seguinte.