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Miguel Caires do movimento "Salvar o Marítimo": «O clube está em coma profundo»
Associado maritimista admite ser candidato havendo eleições antecipadas
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O prometido é devido. O movimento "Salvar o Marítimo" entregou esta quinta-feira uma lista de assinaturas (67) de sócios que cumprem os regulamentos para serem assinantes, de forma a que o presidente da Assembleia Geral convoque uma assembleia extraordinária, para poder destituir a atual direção e marcar eleições antecipadas. Miguel Caires, um dos homens fortes do grupo contestatário a Rui Fontes foi claro nos esclarecimentos que foram prestados, sendo os mesmos feitos no local onde a alguns meses atrás, Rui Fontes, lançou a sua candidatura contra o então presidente Carlos Pereira. "Este é um dia que ficará para a história, pois foram entregues as assinaturas, para a convocatória de uma Assembleia Geral extraordinária, que como sabem, servirá para pedir esclarecimentos à atual direção do CS Marítimo. Este movimento "Salvar o Marítimo" é composto por uma larga falange de apoiantes e sócios preocupados com aquilo que se passa ao dia de hoje no nosso clube. Creio que é um dia assinalável, estando no mesmo local, onde alguns meses atrás, o atual presidente da direção lançou a sua candidatura e o seu programa para liderar um clube que ao cabo de alguns meses, diria mesmo, que está em coma profundo", começou por afirmar o jovem empresário ligado ao ramo ótico.
Para este responsável do movimento, "há que esclarecer os sócios de forma clara. A assembleia será discutir a atualidade do clube e saber o que está a ser feito, perceber de todo o programa que foi apresentado à época das eleições e da campanha, o que resta, pois nem 10 por cento foi feito e restará do que foi anunciado. Precisamos que os sócios sejam esclarecidos. Depois, logo se verá o que pensam das informações que iremos obter. Obviamente que nos podemos escudar em leituras do foro jurídico para não prestar declarações aos sócios, pois estes são os donos do clube, mais ninguém é dono do Clube Sport Marítimo. O clube detém mais de 90 por cento da SAD, é soberano e está perfeitamente legitimado, ao contrário desta direção, para prestar esclarecimentos aos sócios que são os donos do clube".
Este grupo de associados maritimistas já não acredita na palavra do atual presidente. "Já nem sei em que acreditar. Por um lado, dizem que estão disponíveis para esclarecer, mas depois dizem que não podem dizer nada. Em que é que vamos acreditar? As nossas perguntas foram muito concretas, escritas, foi preto no branco. Da nossa parte está tudo muito claro, pois só queremos saber o que se passa… e aquilo que soubemos esta manhã, é de certa forma, um fechar o clube aos sócios. Dizem que estão disponíveis para esclarecer, mas depois não podem dizer nada, em que é que ficamos?", disse.
Não vai haver reunião com Fontes
Nos primeiros dias em que se assumiram como críticos da atual gestão, o trio de sócios que formou o "Salvar o Maritimo", esperava agendar uma reunião com o líder maritimista, que deveria acontecer hoje. "O movimento foi convidado a se reunir com a direção. Agora, mais do que discussões com pouco sumo, mais do que discursos, mais do que palavras, precisamos de coisas concretas. Desde o primeiro convite que surgiu, pedimos ao atual presidente Rui Fontes que nos respondesse a cada pergunta que nós fizemos para podermos estar preparados para a reunião e torná-la mais produtiva, para o Marítimo, não para mim. Tendo em conta que isso não ocorreu, pois não obtivemos resposta por escrito, não faz qualquer sentido ter uma reunião com a direção. Não há tempo a perder com reuniões que não tragam resultados concretos e visíveis, é só perder tempo e não o temos para gastar", esclareceu.
«É público que posso ser candidato»
Miguel Caires não teve problemas em assumir que havendo eleições antecipadas, poderá avançar para ser um concorrente opositor a Rui Fontes. "Qualquer sócio poderá apresentar-se e mostrar as suas ideias para o clube, pois vivemos em democracia. O clube é enorme e com uma massa incrível e há muito boa gente com excelentes ideias com toda a certeza. Já é público que há duas semanas a esta parte, comecei a dar por mim a equacionar essa possibilidade. Quero um Marítimo forte. Esse é o meu objetivo, o resto logo se vê", disse sem entrar em grandes pormenores quanto às suas ideias. Mas uma coisa deixou claro: "Se eu me candidatar é para tornar o Marítimo mais forte que eu conseguir, não há dúvidas disso. A minha vida em tudo o que fiz até hoje, é para se fazer bem. Para tal, é necessário ter um conjunto de condições e o Marítimo tem essas condições todas. Acredito que o clube pode ser muito forte e não pode estar onde está hoje, nem pode estar onde tem estado nos últimos anos, tem de estar mais acima".
«Clube voltou a ser de um homem só»
Para este possível candidato, "quando assumimos um projecto, há que assumir todas as responsabilidades por toda a equipa. Nesta situação em concreto, claramente que o presidente do clube é responsável, pois liderou toda uma equipa que não funcionou. Houve uma campanha eleitoral à volta de um clube que deixaria de ser de um homem só e poucos meses depois, voltou a ser de um homem só. Algo está mal e com certeza que nas próximas semanas existirão mais dados que correspondem a esta minha descrição".
Questionado sobre os objetivos do "Salvar o Marítimo": "este movimento quer o Marítimo forte, mas sabe muito bem da importância do próximo jogo na segunda-feira. Esta foi a nossa última intervenção até terça-feira, pois estamos todos focados em dar a estabilidade, o equilíbrio e a energia que a equipa vai precisar. Espero que na segunda-feira à noite estejamos a festejar a conquista dos primeiros três pontos desta temporada, infelizmente ao oitavo jogo, mas que estejamos a festejar".