Miguel Leal: «Qualidade de jogo só virá mais tarde»

Miguel Leal: «Qualidade de jogo só virá mais tarde»
Miguel Leal: «Qualidade de jogo só virá mais tarde» • Foto: dr record
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O novo timoneiro do Moreirense quer arrancar a Liga com uma equipa a primar pela organização defensiva e esse será o principal segredo para a tão desejada permanência...

RECORD – Que tipo de futebol se pode esperar do Moreirense neste regresso à Liga?

MIGUEL LEAL – Acima de tudo, temos de pensar que o objetivo do Moreirense é a permanência. Não defendo um futebol defensivo, mas teremos de ter algumas características defensivas. Quero uma equipa que prime por uma organização defensiva muito forte, que saiba o que fazer em todos os momentos do jogo e exijo que os jogadores se entreguem ao máximo. As equipas não praticam o mesmo futebol ao longo de todo o campeonato. Ando há mais de 20 anos nisto e sei bem isso. À medida que o campeonato vai decorrendo, o tipo de jogo vai-se modificando. Se calhar, o Moreirense vai começar com características teoricamente mais defensivas e ofensivamente seremos uma equipa mais objetiva. Depois vamos melhorando estas competências ofensivas e a qualidade de jogo aparecerá naturalmente mais tarde. Será aí também que os jogadores se vão valorizando. Esse tem sido um dos segredos das minhas equipas. Defensivamente mantêm regularidade e no aspeto ofensivo vão crescendo. É lógico que isto tem a ver com o contexto do clube onde estou. Se estivesse num clube com outros objetivos e outros argumentos, seguiria outro caminho.

R – O Moreirense vai adotar o 4x3x3 que usava em Penafiel?

ML – Eu funciono muito com a história do próprio clube. O Penafiel jogava sempre assim e eu não quis alterar. A própria constituição do plantel também me obrigava a isso. Ultimamente, o Moreirense tem jogado em 4x3x3 e esse será o nosso ponto de partida, mas quase de certeza que haverá uma surpresa na manga. O plantel está a ser construído com jogadores que permitem, num momento ou noutro, alterar o sistema.

R – Costuma-se dizer que quem sobe é um dos candidatos à descida. Concorda com essa ideia?

ML – Se olharmos para a história, ela reflete um bocadinho isso, mas tenho a certeza que o Moreirense não vai descer!

R – Sabendo-se da importância de entrar bem no campeonato, está assustado com os adversários das primeiras jornadas? Dois candidatos ao título e três equipas europeias....

ML – Não vejo isso dessa forma. Cada jogo vale 3 pontos e eu não sei onde os vou ganhar. O mais importante é somar pontos. Se é contra um candidato ao título ou contra quem vai ficar em último, para mim é indiferente. Não estou nada assustado com o calendário. A única coisa que eu gostava era de jogar o primeiro jogo em casa, mas apenas por gosto pessoal, porque sei que isso não interfere com o resultado final.

R – Subiu o Penafiel e acabou por sair. Porquê?

ML – Tinha várias possibilidades e optei por aquela que me dava mais condições de progredir na carreira. Tive outras propostas para além da do Penafiel e do Moreirense. As ideias da direção e as minhas são idênticas e quem quer ter sucesso precisa que os jogadores tenham a estabilidade que aqui há.

R – Mais ansioso pela estreia como treinador principal na Liga ou ainda orgulhoso por aqui ter chegado?

ML – Não faz parte da minha maneira de ser estar ansioso. Sou uma pessoa ponderada e racional. Quando é preciso ter emoção, também a tenho, mas sei bem para onde quero ir e qual o caminho que tenho de percorrer. O passado dá-me mais confiança, mais autoestima, mas sei que isso agora não conta para nada. Zero! Tenho consciência de que o que fizer daqui para a frente é que vai contar.

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