Stjepanovic após a época de estreia no Moreirense: «O treinador está satisfeito, assim como as pessoas do clube»
Médio concedeu entrevista a jornal sérvio
Mateja Stjepanovic fez um balanço positivo da primeira época no Moreirense. Utilizado por Vasco Botelho da Costa em 32 encontros, o internacional sub-21 sérvio revelou ter ficado “muito feliz” com a temporada em Moreira de Cónegos.
Numa entrevista ao jornal Meridian Sport, da Sérvia, o jogador do Moreirense destacou o facto de ter sido “a primeira vez que joguei com regularidade no futebol profissional. Não posso contar com o tempo que passei a jogar no Partizan, porque não é a mesma coisa quando não se tem continuidade – quando se joga um jogo e depois se perde cinco. Sempre acreditei que tudo voltaria ao normal. Joguei 32 jogos, quase todos. O treinador está satisfeito, assim como as pessoas do clube”, destacou.
Stjepanovic recordou a mudança para Portugal, no verão de 2025, e uma conversa com Vasco Botelho da Costa que o ajudou a preparar-se para a nova etapa no Moreirense. “O treinador disse-me abertamente, durante a primeira conversa, que todos lutam pelo seu lugar, que seria sempre honesto comigo. Gostei disso. No jogo-treino antes do início do campeonato, joguei metade da partida, assim como o outro médio defensivo. Ninguém sabia quem seria o titular. No segundo jogo da época, contra o Santa Clara, joguei muito bem, mas nunca imaginei que fosse eleito o melhor em campo. As pessoas vieram dar-me os parabéns e fiquei em choque. No clássico com o Vitória de Guimarães, em casa, quase todo o estádio estava cheio de adeptos do Vitória. As bancadas são perto do campo, senti a pressão. Cometi logo um erro na saída para o ataque, mas felizmente nada aconteceu. Os meus colegas apoiaram-me, o treinador chamou-me e explicou-me para relaxar, que estava tudo bem. Depois disso, joguei muito bem.”
Num percurso nem sempre fácil, Stjepanovic recordou as jornadas em que teve de atuar como central, em fevereiro, face às baixas no plantel do Moreirense: “Jogámos contra o Vitória e fui ‘obrigado’ a jogar como defesa porque tínhamos muitas baixas no plantel. Só havia um central disponível e, uns dias antes da partida, o treinador perguntou-me se podia jogar nessa posição, porque tínhamos um problema grave. Eu disse que sim, claro,. Falhámos algumas oportunidades na primeira parte, mas seguramos bem a defesa, Depois, não me entendi com o lateral-direito, ele pensou que eu ia disputar a bola, e eu esperava que ele o fizesse. O avançado passou entre nós, mas eu tinha a certeza que lhe ia roubar a bola e escorreguei. Fiz o penálti e sofremos um golo, que ditou a derrota. Depois do jogo, fiquei a pensar que eu era o principal culpado pela derrota. Chorei, estava nervoso, mas todos os jogadores e a equipa técnica apoiaram-me e encorajaram-me. O treinador foi o primeiro a falar comigo no balneário e disse à frente de toda a gente: 'Tenho de agradecer ao Stjepa, jogou numa posição que não era a dele e foi excelente’. Depois, foi à conferência de imprensa e disse a mesma coisa. Não consegui dormir nessa noite, mas o apoio significou muito para mim."
No período de descanso antes do arranque da pré-temporada, Mateja Stjepanovic deixou ainda claro que se sente perfeitamente adaptado a Portugal. “Não tenho queixas. O ambiente é agradável e as pessoas são descontraídas e simpáticas. Não há pressão, tensão ou discussões no trânsito, são pessoas muito tranquilas, o que me agrada muito. Estou muito satisfeito. Aprendi a língua até certo ponto e compreendo tudo o que os treinadores dizem. Num jogo, sei o que fazer quando me dizem algo em português. Só me falta melhorar a minha comunicação. É importante para mim não precisar de um intérprete nos treinos. Vou trabalhar nisso, com certeza.” A adaptação contou com a ajuda de Lazar Carevic, guarda-redes do Famalicão: “Milovanovic (ex-Chaves) e Lekovic (Estrela Amadora) vivem muito longe de mim. Só os vi em jogos. Estive com Matija Mitrovic (V. Guimarães)algumas vezes, e convivo mais com o guarda-redes Lazar Carevic, que joga no Famalicão. Ele vive no mesmo prédio, por isso passamos muito tempo juntos. Isso significa muito para mim. No primeiro dia em que me mudei para o prédio, vi Mirko Topic. Ele vivia lá com a mulher, mas passados apenas dois ou três dias mudou-se para a Inglaterra. Infelizmente, já não tivemos oportunidade de nos vermos.”
Ao recordar a saída do Partizan, onde fez a formação e chegou à equipa principal, o médio do Moreirense revelou “um certo arrependimento por não ter deixado uma marca mais profunda, por não ter tido uma oportunidade mais concreta. Cheguei ao Partizan com oito anos. Fui um dos primeiros da minha geração a chegar à equipa principal, e à partida isso era impensável. Não é realista começar a jogar imediatamente, a não ser que se seja alguém que faça a diferença. Lutei para entrar no onze, por isso consegui alguns minutos. Nunca consegui lutar por um papel mais importante. Digo sempre que se não existisse o Partizan, não existiria o Moreirense. Estou grato a Deus por ter chegado à equipa principal. A verdade é que fiquei insatisfeito durante um longo período, porque tinha consciência do meu desempenho nos treinos e na preparação.