Vasco Botelho da Costa: «Não foi uma semana diferente apesar de ter sido uma derrota dura»

Treinador do Moreirense fez a antevisão ao jogo com o E. Amadora

• Foto: Lusa/EPA

Vasco Botelho da Costa projetou, ao final da manhã deste sábado, o encontro com o E. Amadora. A partida da 15ª jornada da Liga terá lugar este sábado, pelas 20h30, na Amadora.

Foi uma semana difícil depois da derrota pesada com o Benfica?

"É sempre o primeiro dia. As semanas são sempre difíceis quando não ganhamos porque acreditamos que podemos sempre ganhar. É óbvio que vivemos todos dos resultados, os resultados são o que definem o que acontece. Mas, os resultado não acontecem por acaso, mas sim por uma ideia, um processo, o que está mais dentro do nosso controlo. Ainda que tenha sido uma derrota pesada e dura, não foi uma semana diferente. No primeiro dia olhamos para as situações de jogo, não só as positivas, mas também as negativas, mas a partir do segundo dia o foco virou para o Estrela que vai obrigar-nos a dar muito de nós para disputar os três pontos".

Como interpreta a forma como foi analisada a derrota com o Benfica, os erros que apontaram ao Moreirense?

"Olha, eu sou muito honesto, não dedico um minuto do meu tempo a isso. Notícias, sim, aquilo que é factual, aquilo que diz respeito até mais aos nossos adversários, porque vocês muitas vezes têm informações importantes, quem é o jogador que joga, quem é o jogador que não joga, quem é que está lesionado, quem é que não está. A parte do comentário não me diz nada, nem sequer procuro. É algo que também tem a ver com o nosso crescimento enquanto treinadores, algo que eu defini que queria que fosse assim na minha vida e no meu dia-a-dia. Ainda que eu respeite muito, porque muitas dessas pessoas estão ligadas ao futebol há muitos anos, vêm muitos jogos e seguramente têm opiniões válidas, mas a verdade é que uma equipa de futebol vive do seu dia-a-dia. Do dia-a-dia sabemos nós que estamos cá em todos os momentos, a todas as horas, e muitas coisas acontecem fruto daquilo que nós fazemos diariamente. E, portanto, colocam-me claramente numa posição em que o maior crítico àquilo que nós fazemos vou sempre ser eu. É algo que eu partilho muito com os jogadores que é, quando um jogo acaba, independentemente do resultado, nós temos que cada vez mais olhar para dentro, para aquilo que podíamos ter feito de melhor. A tendência é muito olhar para fora, para qualquer coisa que tenha facilitado o resultado, que não a minha própria ação, as chamadas desculpas. E, portanto, as ilações deste jogo, como todos os outros, foram seguramente tiradas por mim. Não deixamos de ter chegado agora à Liga. Este tipo de jogos com os grandes são um pouco diferentes, porque são jogos onde há uma diferença de nível muito significativa. E, portanto, também eu, enquanto treinador, preciso de passar por estas experiências para tirar todas as aprendizagens necessárias para poder ser melhor. Depois de ter feito a análise do jogo, tornei-me melhor treinador, como espero tornar-me no domingo depois do jogo do Estrela. Porque isto é um caminho de aprendizagem, é um caminho de crescimento, onde nós todos juntos tentamos ser melhores a cada dia. Eu gosto de perceber que os erros são muito importantes para o nosso crescimento. E a verdade é que aquilo que se fala em relação à questão dos golos desferidos, são situações que já aconteceram noutros jogos, mas algumas delas não deram golo. E, para mim, vão ter exatamente a mesma dose de importância. Eu que analiso o processo, tenho que conseguir perceber que há um erro que nós cometemos e que, por alguma razão, a bola vai ao poste e sai. Eu tenho que valorizar esse erro da mesma forma que a bola que vai ao poste e entra. Eu acredito é na consistência. É que se esse erro acontecer muitas vezes, eu estou sempre mais perto de sofrer. Naquele dia não sofri, no jogo do Benfica sofri. E, portanto, nós trabalhamos é para minimizar os erros. Como eu disse depois do jogo, são situações de análise, situações de decisão. A forma como correu a primeira parte teve que nos deixar satisfeitos, porque nós fizemos uma primeira parte de muito valor, de muito mérito em que sofremos o golo na única situação que nós tivemos ali um pequeno erro, em que os jogadores acabaram por sair demasiado cedo da defesa da baliza numa sequência da bola parada. E, na segunda parte, tornamos a entrar bastante bem. Acho, sim, que o segundo golo nos tirou um pouco do emocional e acabámos por desligar um pouco o foco e a concentração e tomar decisões que não devíamos ter tomado. Precisamos passar por isto para crescer, para ser melhores e é sempre nesse sentido que nós olhamos para essas situações".

Que análise faz do Estrela da Amadora? A concentração será um fator crucial?

"A concentração é um fator crucial em todos os jogos, quando não estamos concentrados estamos mais longe de fazer o que é certo. Em relação à equipa do Estrela, desde que o João Nuno entrou, eu penso que a equipa melhorou significativamente. É uma equipa que também procura adaptar-se muito àquilo que são as características do adversário, de jogar em diferentes sistemas. Os princípios são semelhantes. Uma equipa que tenta jogar sempre que possível. Também gosta de pressionar, mas com timings, com cautelas. No seu estádio são muito fortes. É um ambiente muito próprio o ambiente da Amadora, que eu também conheço bem. Vai ser um adversário muito, muito difícil para nós. Trabalhamos da mesma forma, focados naquilo que podemos fazer, quer do ponto de vista defensivo, quer do ponto de vista ofensivo, perceber quais são os pontos menos fortes do nosso adversário, que nós podemos eventualmente explorar e tentar ao máximo que o jogo dependa muito de nós e da forma como nós o abordarmos".

Estamos perto da abertura do mercado. Já tem alguma ideia do que pode acontecer?

"Sou muito honesto, ainda não me sentei com as pessoas para debater esse tema. Trabalhamos muito como um todo, essa responsabilidade é muito mais de quem está acima de mim do que minha, ainda que depois todos juntos conversemos para chegar a conclusões. Mas, ainda não chegou o momento em que essa parte chegou ao treinador. As pessoas estão a trabalhar, têm as duas ideias e quando chegar o momento vamos sentar-nos para tirar as ilações a tirar.. Como em todos os mercados, queremos sair mais fortes".

Que mensagem para Vasco Sousa? Qual será o tempo de paragem?

"Não há previsão do tempo de paragem tendo em conta que é uma segunda lesão. É uma situação que nos deixa tristes, sensibilizado, porque é um miúdo incrível. Não há uma pessoa nesta nossa família que não o adore. Já quando aqui chegou era uma história de resiliência, uma história de superação e crença nas suas capacidades. Não tenho a mínima dúvida de que vai prolongar a sua história porque é menino com muita vontade, a quem a vida pregou mais uma partida. Estamos muito solidários. O foco agora é a recuperação, devagarinho para dar os passos rumo ao regresso que eu tenho a certeza que vai acontecer".

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