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João Gião revela lesão de Chucho e é claro: «Espero receber mais jogadores»

O treinador durante a apresentação
• Foto: Hélder Santos

João Gião esteve esta sexta-feira na sala de imprensa do Estádio da Madeira, para fazer o lançamento do seu primeiro dérbi na Madeira, sábado nos Barreiros contra o Marítimo, para o Troféu Autonomia. O técnico do Nacional mostra-se satisfeito com o grupo de trabalho, mas ainda espera receber mais reforços. Quanto à sua vinda para os alvinegros, diz-se feliz com a escolha que fez para a sua estreia na 1ª Liga. O técnico adiantou que o goleador Chucho Ramírez é baixa garantida face a um problema num pé, mas que Pablo Ruan tem sido uma agradável surpresa na posição de ponta-de-lança.

“O balanço é positivo. Gostaria de ter mais algum tempo, para fazer mais alguns jogos de preparação, poder experimentar mais algumas coisas e ver a adaptação de alguns jogadores, pois temos jogadores vindos de latitudes diferentes do globo e que necessitam de tempo para se adaptarem. Era importante também ter mais tempo para perceberem as nossas ideias, mas é o que é. Fomos crescendo, com os jogos da pré-época fomo-nos tornando mais equipa e mais competitivos. Foi também uma oportunidade para rodar muita gente e experimentar alguns fora das suas posições naturais, por alguma necessidade e também demos a oportunidade a toda a gente, pois praticamente todos tiveram o mesmo tempo de utilização. Isso foi importante para nós, para podermos avaliar e perceber em que ponto estamos. Todos os treinadores acham que o tempo nunca é suficiente, mas foi uma pré-época positiva”, começou por revelar o técnico.

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Quanto à chegada de novos jogadores, Gião não abriu o jogo: “Espero receber mais jogadores, estamos alinhados nisso, nós equipa técnica com a administração da SAD, e irão chegar mais jogadores, eventualmente também poderão sair alguns. Tudo depende de uma ou outra saída, em função do mercado. Diria que quase todos os setores poderão sofrer um retoque, mas não me quero comprometer com isso, pois o mercado é dinâmico, há saídas que se podem concretizar e que neste momento nós não perspetivamos."

Perder Chucho é preocupante

Nesta antevisão da partida com os verde-rubros, o treinador nacionalista mostrou-se preocupado com a possibilidade de vir a perder o goleador venezuelano Chucho Ramírez, melhor marcador da equipa na época passada, com 19 golos, 18 deles na 1ª Liga.

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“Seria hipócrita se dissesse que não estava preocupado em perder o Chucho Ramírez. É o nosso capitão, um grande jogador, uma referência dentro do balneário, um jogador muito importante, que conhece bem o clube e o balneário. Sabe acolher os jogadores jovens e nós tem um plantel muito mais jovem em termos de média de idades, em relação à época passada. O jogador mais velho que contratámos tem 26 anos, se não estou enganado, os outros estão na casa dos 20 anos e o Chucho, nesse papel, é importante para ajudar a adaptá-los rapidamente e dar-lhes algum conforto e segurança. É um jogador fantástico, claro que gostaria de o manter e seria hipócrita se dissesse que, se sair, não muda nada. Claro que muda, sai um dos melhores jogadores nas últimas épocas, um grande marcador, que tem feito a diferença no clube. Se sair, e espero que não, teremos de olhar para a frente e encontrar soluções”, disse, numa sequência de elogios ao 'matador'.

João Gião fez uma revelação curiosa, para evitar especulações: “Estou contente com os dois avançados que temos. O Chucho fez uma pré-época muito profissional, em crescendo, e até já fez 90 minutos. Aproveito para vos dizer, para evitar especulação, que amanhã não vai estar no jogo, pois está lesionado. Teve um acidente fora do treino, tendo de ser suturado com três pontos num dedo do pé e estará ausente amanhã." E não há garantias que esteja apto para a estreia no campeonato.

Face à ausência do principal ponta-de-lança, o brasileiro Pablo Ruan deve ser o titular na frente de ataque. “Estou contente com o Pablo, que tem dado muito boa resposta, tem feito golos, o que não é só o único elemento de avaliação num avançado. Tem estado com uma boa relação com a baliza. Tem tido uma postura muito boa, uma entrega e uma energia muito grandes, batendo até recordes de intensidade individuais ou até da equipa”, afirmou. E quando questionado se via neste jogador um verdadeiro homem de área, respondeu assim: “Nós temo-lo colocado a ponta-de-lança. Não foi uma descoberta, mas percebo que tenha jogado noutra posição, pois é um avançado que pode jogar como extremo, pois tem características e dinâmica, agilidade para sair do drible num corredor e tem velocidade. Mas utilizamo-lo mais tempo como ponta-de-lança."

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Três guardiões com potencial

Para defender a  baliza, o Nacional contratou Renato Marín e João Gonçalves, mantendo Kevyn Vinícius. Sobre a perda de Kaique e também de Lucas França, João Gião não se mostrou preocupado. “O Nacional perdeu dois bons guarda-redes. O Kaique fez uma época fantástica e o Lucas França também conheço de o defrontar em épocas anteriores. Os jogadores que vieram e o Kevyn, que já estava, têm dado uma boa resposta, apesar de jovens e de terem poucos jogos na 1ª Liga, podendo manifestar-se isso nos jogos, mas acredito no seu potencial e pagar o preço pelo seu crescimento. Os três têm um potencial muito grande e acreditamos neles”, disse.

Sobre o facto do plantel ser muito extenso em relação à linha média, o técnico também não se alongou em comentários. “Temos muitos médios, não sei se sairá algum ou não. A nossa forma de jogar é um bocado maleável, a minha ideia é às vezes poder jogar com dois médios, outras vezes com três, em que um faz a função um bocadinho mais de um 10, ou jogar a quatro médios. Por isso, ter muitos não será um problema”, disse, revelando ainda que na calha está a chegada de mais jogadores:  “Vamos olhar para ter retoques em todos os setores, sem falar em revoluções, pois a base do plantel está feita."

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Sobre o jogo de sábado com o Marítimo: "Não vou fugir ao tema de ser o meu primeiro dérbi. Há muitos comentários e isso mostra a vitalidade da ilha e dos dois clubes. São momentos importantes para o sentimento de pertença aos adeptos de ambos e não ignoramos que é um jogo diferente. Os jogadores também não o ignoram e os que estão cá há mais tempo têm recordado o jogo da época passada. Este ano vamos ter três dérbis de certeza, e até pode acontecer um quarto com a Taça de Portugal. É importante para a ilha, para os adeptos e nós não o ignoramos, mas acima de tudo está a preparação da 1ª jornada com o Santa Clara e não tomaremos nenhuma decisão que possa hipotecar essa partida. Mas estou a pensar só no jogo de amanhã."

Condicionantes orçamentais

No seu ano de estreia na principal Liga portuguesa, aos 39 anos, o técnico diz-se feliz com a aposta feita no emblema da Choupana. “Estou muito contente no Nacional, com muita energia. Passaram cinco semanas e a minha energia tem vindo a crescer. Isso é um sinal claro de que podemos fazer as coisas bem. Também estou consciente das dificuldades que encontrámos, do enquadramento de um clube como o Nacional e eventualmente como o Marítimo, que partem ao dia de hoje numa concorrência diferente no campeonato português, do que era há 10 ou 5 anos, ou até diferente do que era a época passada. Serão, à exceção dos grandes clubes portugueses, os únicos que não pertencem a um investidor. Isso são condicionantes orçamentais na formação do plantel e estava consciente dessa limitação quando aceitei o desafio”, disse. Sem rodeios, completou: “Não me refugio nisso e prefiro olhar para o copo meio cheio, para as coisas positivas. Estou satisfeito pela forma como fui acolhido dentro do clube, como o plantel me recebeu muito bem, com os jogadores que estão aqui há muitos anos, que receberam a equipa técnica de uma forma muito boa, muito aberta, embora tenhamos algumas ideias diferentes. Estou muito motivado."

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Ivanildo é opção

O carismático capitão nacionalista, João Aurélio, arrumou as botas e está agora numa posição bem diferente no balneário, o de diretor desportivo. “O João Aurélio é alentejano como eu, por isso culturalmente temos uma aproximação, embora eu seja do distrito de Évora e ele de Beja, que são a alguns quilómetros de distância. Conhece bem a casa, tem sensibilidade para lidar com a equipa técnica e fazer a ponte com os jogadores, pois conhece bem a realidade de um lado e do outro, tem visão e valores certos, em termos humanos, para cargo. Acho que vai fazer uma carreira muito boa e o Nacional tem aqui um recurso humano muito bom para o futuro”, considerou.

No fecho de uma longa conferência, João Gião abordou ainda o atual estado do defesa-central Ivanildo Fernandes, que faz parte do plantel. “Veio de uma paragem muito prolongada, de três anos sem jogar, e já não é um jogador com 20 anos, mas sim com 30. Iniciou a pré-época totalmente integrado connosco, e ressentiu-se num certo momento, pois a pré-temporada, como sabem, é muito exigente. Não foi connosco para estágio, pois sentiu um desconforto. Mas foi reintegrado esta semana e é jogador do clube”, revelou. 

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Por João Manuel Fernandes
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