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Rui Alves deu esta sexta-feira uma grande entrevista no podcast oficial do Nacional. O presidente alvinegro abordou a escolha de João Gião, revelou as necessidades que o atual plantel tem - devem entrar jogadores para quase todos os setores - e garantiu que já há princípios de acordos com clubes e jogadores, mas não quis falar em nomes das futuras aquisições. Disse ainda que o técnico deverá ter 27 futebolistas às suas ordens, mas não serão todos 'Ferraris'. Quanto à "joia da coroa", Chucho Ramírez, não quis revelar se recebeu alguma oferta para a transferência do melhor marcador da equipa.
Para o líder do Nacional, a escolha de João Gião foi feita de uma forma muito concreta. “O Nacional costuma apostar em treinadores jovens. Vi nele uma fase de crescimento, de desafio e de ambição”, disse, explicando depois o porquê de não apostar em alguém mais experiente: “Um treinador mais experiente e já consolidado poderá ter exigências salariais que o Nacional não consegue suportar. Poderá também ter exigências estruturais e de funcionamento que o Nacional não pretende ou não consegue acompanhar. Além disso, no processo de construção do plantel, um treinador mais experiente tem muitas vezes maior dificuldade em compreender porque não pode ter 27 'Ferraris'. Nós temos de fazer a gestão com os pés bem assentes na terra, porque a sustentabilidade financeira representa um pilar fundamental da nossa existência”. E questionado sobre o que tinha pedido ao novo treinador: “Pedi-lhe que se deixasse ajudar pelo Nacional”.
"Contamos com Chucho Ramírez"
Chucho Ramírez tem contrato com o Nacional, mas já manifestou vontade em abraçar um novo projeto. Rui Alves não desmentiu a hipótese de venda do ponta de lança internacional pela Venezuela. “O ponto da situação é simples: o jogador tem contrato por mais um ano. Os rumores e todas as especulações que circulam podem apontar para diversos cenários, mas vejo essa realidade com tranquilidade. Não posso acrescentar nada de especial porque, neste momento, não existe nada de concreto para comunicar”, disse.
E sobre possíveis propostas: “Para mim, no futebol, as propostas valem aquilo que valem. O que me interessa são situações concretas e formalizadas. No futebol, 99% das vezes, aquilo que parece estar fechado acaba por não existir. Não vale a pena perder tempo com rumores. E o facto concreto é que temos um jogador com contrato com o Nacional e contamos com a sua continuidade”.
Meio-campo não deve ter reforços
Quanto ao futuro plantel, Rui Alves não quis revelar nomes dos reforços já apalavrados mas, no seu entender, devem entrar “dois guarda-redes", bem como "um lateral-direito". "No meio-campo estamos relativamente preenchidos. Nas alas, tínhamos um extremo emprestado pelo FC Porto e outro cujo contrato terminou. Portanto, no mínimo, precisamos de dois extremos. Quanto aos avançados, dependerá sempre das oportunidades que surgirem no mercado. As necessidades do plantel são relativamente simples de identificar”. Em relação ao número de jogadores que a equipa irá ter, o responsável nacionalista abordou o tema pegando no número da época passada (30 futebolistas). “O plantel deve ter cerca de 27 jogadores. Mas essa também é uma falsa questão”, disse.
Quanto a reforços, embora não abrindo o jogo, o presidente do Nacional adiantou: “Em concreto, neste momento, não existe nenhum jogador com contrato assinado. Existem alguns acordos estabelecidos com atletas e também com os clubes aos quais pertencem”.
Na época passada, os madeirenses tiveram jogadores emprestados e alguns vindos dos chamados grandes do futebol português. A experiência não é para continuar este ano. “Nunca foi uma característica do Nacional ter muitos jogadores emprestados pelos grandes clubes. Excecionalmente aconteceu em algumas épocas, mas a experiência também me diz que raramente isso produz resultados verdadeiramente positivos. Nós não gostamos de ter projetos assentes em 'barrigas de aluguer', sobretudo quando falamos de clubes que competem connosco na mesma Liga. Por isso, este ano não teremos qualquer atleta proveniente da formação dos grandes clubes nem jogadores dispensados por essas equipas”, revelou.
Orçamento ligeiramente mais baixo
Rui Alves revelou que o orçamento do seu clube na época que está aí à porta vai ser ligeiramente mais baixo. “O orçamento será ligeiramente inferior. Tem de ser mais baixo porque terminamos um ciclo contratual relacionado com os direitos audiovisuais. Estes dois anos que antecedem a centralização dos direitos televisivos foram marcados por uma negociação difícil e que resultou numa redução substancial das receitas. Naturalmente, existem cláusulas de confidencialidade que me impedem de divulgar valores concretos, mas posso afirmar que os montantes serão inferiores aos que recebemos atualmente”, afirmou.
Saber escolher o momento certo para sair
Já na parte final da entrevista concedida, o presidente alvinegro considera que, para si, só admite dois resultados possíveis: “Vencer ou aprender". "A derrota não existe no meu universo mental”, acrescentou.
Questionado sobre qual é o seu maior sonho para o clube, Rui Alves foi claro: “Quando iniciei este último mandato, o meu principal objetivo era terminar esse ciclo garantindo a continuidade do Nacional na Primeira Liga. Queria deixar a liderança do clube num patamar superior àquele em que a encontrei. Esse continua a ser o meu maior objetivo”, disse. E se pode ser o ponto final na liderança do clube, após o final do seu atual mandato: “Não direi isso de forma absoluta. Aprendi que as afirmações absolutas costumam sair caras. Mas é verdade que, fruto da idade que tenho, considero fundamental saber escolher o momento certo para sair. É importante que aqueles que acompanham o nosso trabalho, que o admiram ou simplesmente que gostam do Nacional, possam guardar boas recordações. Os seres humanos têm de saber quando devem parar para preservar essa memória positiva”.