Destinos cruzados na arena do Bessa
A pressão do trabalho diário de um treinador deixa pouco tempo livre para recordações. No entanto, o percurso desportivo de homens como Jaime Pacheco e Carlos Brito acaba por ter aspectos interessantes. Alguns menos conhecidos, talvez, mas que alicerçam muito do prestígio adquirido por ambos no seio do futebol português.
Poucos se lembrarão, mas Pacheco foi jogador-treinador do Rio Ave em 1994/95, em passagem efémera e pouco feliz por Vila do Conde. Na altura, era capitão de equipa um defesa-central chamado Carlos Brito, que dois anos volvidos viria a transitar para adjunto de Henrique Calisto e assumiria o comando técnico da equipa quando a esperança de permanência era nula.
Depois de começar a jogar futebol no Progresso, Carlos Brito mudou-se para o Boavista pela mão de Jaime Garcia. Actuava a ponta-de-lança, era internacional jovem, e perante o interesse do FC Porto na sua contratação, o Boavista deu-lhe um contrato profissional, chamando-o a actuar pelos seniores. A sua saída do Bessa deveu-se ao facto de Calisto o ter solicitado como moeda de troca para a cedência, pelo Salgueiros, do brasileiro Tonanha aos axadrezados. Mais tarde, Carlos Brito chegou a ser abordado por Valentim Loureiro para regressar, mantendo até hoje um sentimento especial pelo Boavista.
Quando Pacheco não foi "Roque Santeiro"
Faz este mês 10 anos que Jaime Pacheco assumiu o comando técnico do Rio Ave, em 1994/95, quando o clube apostava no regresso ao escalão principal. Tal como nas duas passagens por Paços de Ferreira, Pacheco não abdicou de ser jogador-treinador. A aventura foi breve, acontecendo a saída de Vila do Conde em conflito, mas ainda com humor para uma tirada que ficou registada nos anais. "Não sou o Roque Santeiro para fazer milagres", disse, fazendo alusão à conhecida telenovela e à pressão para conseguir a subida. No cargo, Jaime Pacheco rendeu o brasileiro Abel Braga. Coadjuvado por Manuel Gonçalves, o actual técnico do Boavista registou 3 vitórias, 4 empates e 3 derrotas e fez 9 jogos completos, mandando Carlos Brito para o banco. Passou três rondas da Taça de Portugal e acabou rendido por Henrique Calisto.