Futebol sem mágoas nem sentimentalismo
Sem mágoas nem sentimentalismos, só o máximo profissionalismo. Esta é a imagem que Miguelito e Adriano, dois poveiros de gema do Rio Ave, pretendem transmitir no "derby" amigável de hoje à noite, na apresentação dos vila-condenses aos seus associados.
"Antigamente, a rivalidade era maior; e, se ainda existe, é nas bancadas ou nas ruas. Há aquela natural troca de "bocas" e picardias. Moro em Vila do Conde e sou frequentemente abordado na rua. Mas dentro de campo só nos preocupamos em jogar, todos querem ganhar. Tenho bons amigos no Varzim, ex-colegas e respeitamo-nos muito", afiança Miguelito, jogador que "cresceu" no Rio Ave depois de ter sido dispensado, ainda nas escolinhas, do Varzim. "Foram eles que não me quiseram", lembra.
Para Adriano, formado no Varzim e recém-chegado ao Rio Ave, oriundo do Valenciano (cedido pelos poveiros), as memórias são mais frescas. "É sempre um jogo especial e apetecível. E complicado, pois ainda sinto um carinho especial pelo Varzim. Mas, agora, defendo o Rio Ave e tudo farei para agarrar uma oportunidade e vingar neste clube, que tem superado todas as minhas expectativas. Tentarei abstrair-me ao máximo. Nada tenho a provar a ninguém; na Póvoa conhecem-me bem."
Quatro encontros nos últimos dez anos
Um Rio Ave-Varzim é sempre um "derby" interessante mas, provavelmente, não tão escaldante como noutros tempos. As emoções estão cada vez mais diluídas, em primeiro lugar, pelo profissionalismo dos futebolistas, concentrados e mais preocupados em defender o clube que representam, alheios a rivalidades de bancada, mas também pelos desencontros que têm sido frequentes: nas últimas dez épocas, apenas em 97/98, na I Liga e 2000/01, na II Liga, as duas formações competiram directamente. Valiam as Taça Amizade, mas a última não correu bem...
Actualizada lei da boa vizinhança
A realização deste amigável surge na sequência do esforço de aproximação entre os dois clubes, aproveitando mudanças de elenco em ambos. O convite foi endereçado há cerca de um mês, em retribuição da presença do presidente varzinista, Lopes de Castro, na tomada de posse dos novos órgãos sociais do Rio Ave.
Antes do jogo, as duas Direcções (a do Rio Ave sem Paulo de Carvalho, em férias) juntam-se num lanche de confraternização em mais um sinal da normalização de relações entre vizinhos rivais. Paulo Fangueiro, vice-presidente do Rio Ave, apela aos sócios que "puxem pela equipa, recebendo com cordialidade os seus vizinhos, muitos deles amigos e colegas de trabalho, num convívio salutar entre todos".
Os bilhetes até são acessíveis: 5 euros para sócios, variando entre os 2,5 euros (menores com mais de 12 anos,) 6 euros (senhoras) e 7,5 euros (homens) para o público em geral.