Luís Freire: «Muita gente disse que íamos descer de divisão»
Treinador do Rio Ave contente com o progresso que a sua equipa está a fazer na 2.ª volta do campeonato
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Há sete encontros sem perder, o Rio Ave vai defrontar o Arouca esta sexta-feira pelas 20h15, naquele que é o duelo de abertura da 30ª jornada da Liga Betclic. Luís Freire, o técnico dos vila-condenses, fez a antevisão à partida e reconheceu que a sua equipa vai medir forças com um adversário com qualidade.
"Espero que sejamos iguais a nós próprios. Uma equipa ofensiva, focada no seu processo e que ataque o Arouca. Que os obriguem a pensar em nós, principalmente, e que apliquemos o nosso jogo em campo, porque temos identidade e capacidade para isso. Queremos ser Rio Ave, mas sabemos das dificuldades. O Cristo e o Mujica têm mais golos que muitas equipas, estão em grande forma. Mas, da nossa parte, não olhámos só para um ou dois mas sim para o coletivo. Focados mais em nós do que no adversário, porque temos de fazer mais coisas amanhã do que na Amadora, diferenciar algumas situações e os jogadores sabem disso. Temos vontade de ir para campo e demonstrar um chip de agressividade e ambição. Jogamos em casa e temos a ambição de vencer", revelou o treinador, de 38 anos.
O que falhou na Amadora e o que o Rio Ave tem de melhorar?
"Parece que, sempre que não ganhámos, há qualquer coisa que temos de fazer diferente. Às vezes é fazer melhor aquilo que já sabemos fazer. Vai ser um jogo diferente, são diferentes a defender e a atacar. Temos de estar despertos e ser inteligentes. Lá estivemos a ganhar 2-0 e podíamos ter feito o terceiro, mas acabámos por empatar. Portanto, penso que será um jogo aberto, bem jogado, com duas equipas que vão criar situações de golo, estamos identificados e conscientes com isso. Há coisas que não nos devemos agarrar, como às exibições anteriores, continuar a fazer bons jogos, em casa, com boas prestações."
Lamenta não estar mais acima na tabela e mais tranquilo na luta pela permanência?
"Comparar a época do Arouca à do Rio Ave é, no mínimo, injusto. O Rio Ave esteve 16 meses sem poder inscrever jogadores. Muita gente disse que íamos descer de divisão. Em janeiro, fizemos o que muitas equipas fizeram e fomos ao mercado, estivemos em último e antepenúltimo e tivemos de nos reforçar. Estarmos a comparar épocas entre nós e uma equipa que fez a Liga Conferência no início do ano... é injusto. Se me dissesse que, depois da temporada que começámos, estaríamos à frente de sete equipas em abril, eu assinaria por baixo. Já nos condenaram tantas vezes, mas esquecem-se que somos a 7.ª equipa da 2.ª volta com mais pontos conquistados. A realidade é essa. Os adeptos têm sido o verdadeiro reforço, mas nada está feito, ainda falta campeonato. E, enquanto ainda faltar, temos de lutar ao máximo."
Embaló perdeu espaço e meio-campo do Arouca
"O Arouca abastece muito o ataque com o meio-campo, tem um corredor central muito forte, com o David Simão, o Sylla e o Pedro Santos a poder jogar pelo meio, com um jogo interior muito forte, com grande capacidade no contra-ataque e na transição. Mais do que alinhar com A, B ou C temos a nossa própria estratégia. Foi uma semana curta e exigente para preparar o nosso jogo, mas estaremos preparados. Em relação ao Embaló, é um miúdo absolutamente fantástico, com muita qualidade. O Vrousai está muito bem, ainda agora fez um golo decisivo e o Joca foi o melhor em campo com o Gil Vicente... O Aziz tem feito golos e o Fábio também tem estado bem. Tem a ver com o momento, mas gosto muito das caraterísticas do jogador. Dá coisas diferentes, mas cada jogo é um jogo. Temos malta que tem estado bem, o Boateng também por exemplo e ainda bem que temos essas possibilidades. No último jogo, quem entrou teve uma prestação decisiva para termos aqui hoje um ponto."
Tem alguma marca pontual para atingir?
"Já estivemos a 10 pontos de algumas equipas e agora estamos à frente delas. Temos feito uma recuperação boa e consistente. Não sei quantos pontos serão precisos mas temos de ser exigentes e olhar para os próximos jogos comprometidos e ligados. Assim, estaremos mais perto de vencer e vencendo estaremos mais perto do objetivo. Só olhamos para amanhã, não vamos fazer futurologia. Já disseram que estávamos mal e estamos aqui. Peço aos adeptos que venham ao estádio, para apoiarem muito, em massa, para conquistar mais um objetivo para o Rio Ave."
Devenish é exemplo das alternativas no eixo defensivo?
"Por variados motivos ao longo da época temos rodado jogadores, o grupo não é só 11. Aqueles que não jogam também são importantes, como o Ukra, por exemplo. O Vítor [Gomes] que já não joga tanto é um dos capitães e é um exemplo de muita importância para nós. Há várias oportunidades a dar quando trabalham bem e, neste caso, o Devenish ajudou-nos numa fase complicada do campeonato e na reta final. Não tinha tanto ritmo de jogo, mas agora temos mais opções do que tínhamos na semana passada, por exemplo, e isso é positivo."
Ukra pode ser utilizado novamente?
"Ser profissional de futebol não significa que sejam só contratados para jogar. Já jogou este ano, jogou mais na 2.ª Liga e nos anos anteriores, mas o Ukra é um exemplo. A forma como contagiam os parceiros e, quando são chamados, correspondem, torna-nos muito mais fortes. Se tivermos dez pessoas muito empenhadas, somos mais fortes do que apenas nove. Temos o Vítor Gomes, o Ukra e o Adrien, que não têm jogado ultimamente, mas quem nos dera conquistar um décimo do que ele já conquistou. Agora, tem de ser a melhor opção neste momento, na altura entrou com o Gil Vicente e pode voltar a entrar, obviamente."