Rio Ave-Moreirense, 0-0: Um tiro para cada lado numa guerra táctica
Ponto alto no jogo: o golo de Demétrios. Um grande golo! O espectáculo foi digno. As duas equipas jogaram para ganhar. Mais a do Rio Ave
O jogo foi bastante táctico e aberto, numa primeira fase interessante e bem disputado, mas a qualidade depois do intervalo caiu uns pontos significativos. O empate acaba por se aceitar, refira-se, mas também é verdade que o Rio Ave foi a equipa que esteve mais próxima de chegar à vitória.
Os seus atletas tudo tentaram, é verdade, mas nada conseguiram, e principalmente por esta razão: a boa organização defensiva do adversário (todos com a máxima atenção) não permitiu. Sérgio Lomba, no último minuto, ia traindo os objectivos do Moreirense, mas Miguelito não soube aproveitar o brinde.
Aliás, essa foi uma das situações mais marcantes ao longo de todo o encontro - as duas equipas nunca conseguiram ter "sangue frio" no momento de disparar à baliza. Dos dois lados, e sobretudo na primeira parte, a elaboração do jogo foi feita sem grande dificuldade, jogou-se com boa intensidade e razoável agressividade até próximo da linha da grande área, mas, aí chegados, todos se precipitaram, e os avançados andaram sempre aos ésses.
Houve uma excepção, é verdade: Demétrios. O avançado brasileiro fez um grande golo, o golo do empate, e aí registou o ponto alto do jogo que, acrescente-se, foi quase sempre aberto, de início bem jogado, mas depois do intervalo nem por isso, com o já se disse.
Nesta última etapa ficou a sensação de que o Moreirense deu por feliz com o empate - a atitude da sua equipa apontou, pelo menos, nesse sentido. Os seus atletas não revelaram o mesmo sentido de aventura no seu jogo, já não se atreveram tanto no ataque à baliza de Mora, e dirigiram as suas preocupações para a defesa da sua área.
Todos revelaram grande sentido prático nessa missão, evidenciaram boa organização defensiva, e conseguiram criar sempre grandes barreiras aos propósitos dos vila-condenses.
A equipa de Carlos Brito assumiu na recta final a iniciativa, reivindicou a posse de bola, trocando-a com alguma precisão, embora a inteligência não tivesse figurado entre as suas qualidades.
Dito de outro modo: o Rio Ave jogava só até à linha da grande área, depois nada feito, a partir daí não havia autorização para entrar. Os visitantes, como já ficou explícito, optavam só pelo controlo do jogo, e muito em especial do adversário, numa atitude do género, joguem para aí, troquem a bola como quiserem, mas só em zonas do terreno sem influência. Daí resultou um empate, que acaba por se aceitar.
O árbitro esteve mal. Na despedida da primeira parte Vouzela fez "penalty" sobre Junas. Gralha, que foi muito mal assistido, estava próximo do lance, mas nada marcou.