Vasco Seabra: «Temos de ser mais equipa e não me vou agarrar a desculpas»
Técnico assume ambição de crescimento e o plano de mostrar raça já na receção ao Nacional
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O técnico Vasco Seabra não fez segredo de nenhum dos argumentos que o levaram a trocar o conforto de Arouca pela ambição desportiva que Vila do Conde lhe apresentou, bem como também não se refugiou nas limitações de desempenho inconstante do Rio Ave para alimentar a ideia da equipa apresentar uma atitude diferente já na receção ao Nacional.
O que o levou a trocar Arouca por Vila do Conde? "Foi um momento especial e difícil. Deixar Arouca foi difícil pela ligação a todos. Criámos algo realmente especial e foi complicado largar o lugar, uma equipa bem oleada e um sentimento que construímos algo de muito bom. Quando surgiu a hipótese Rio Ave foi tudo muito rápido devido à forma como presidente e o investidor me abordaram e a convicção que demonstraram em ser a escolha ideal para liderar este projeto ambicioso, que tem tido dores de crescimento naturais. A hierarquia demonstrou-me que era a pessoa indicada para liderar este projeto e, desde que isso ficou definido e muito claro, também surgiu a minha ambição de querer liderar neste projeto."
O investimento invulgar feito na sua aquisição pode ser um factor de pressão acrescida? "É um factor de motivação, de responsabilidade e de confiança. Não há ninguém que queira vencer mais do que eu, pelo que vou assumir isso com convicção e energia para representar uma ideia do que queremos ser. Uma equipa com responsabilidade e alegre. Todos vamos estar a lutar por Vila do Conde."
Qual foi o aspecto que teve mais peso na decisão de abdicar do conforto estabelecido em Arouca? "Financeiramente é um contrato muito mais vantajoso, mas isso é transversal a qualquer profissão. Se alguém receber uma proposta melhor irá sempre ponderar, mas também posso revelar que há três meses recebi uma proposta financeiramente bem mais elevada do que a do Rio Ave, pelo que, muito mais do que a parte financeira, a minha opção está relacionada com a minha convicção sobre este projeto ambicioso, bem como pela perspectiva de poder liderar algo que pode ser sustentável. O Rio Ave já anunciou o projeto de uma nova bancada, há também uma nova bancada para formação, uma equipa sub-23 competitiva, dois campos relvados só para a equipa principal. Uma estrutura grande que demonstra capacidade e que é um motivo para orgulhar o Rio Ave. A forma como podemos assumir um projeto com esta dimensão foi o que mais pesou."
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Que se pode esperar de diferente na equipa sendo certo que o Arouca e o Rio Ave têm modelos muito idênticos? "Temos cinco treinos, mas não vou estar constantemente a falar que preciso de mais tempo porque já sabia que ia entrar de imediato. Quero apresentar já coisas relacionadas connosco, uma ideia de jogo que não é do treinador, mas do clube. Demonstrar raça, competitividade, ambição para recuperar a bola e ter prazer em ter a bola e ferir o adversário. Estes são os princípios inegociáveis e quero que os adeptos sintam já essa predisposição. O modelo de jogo contempla algumas coisas idênticas, mas os princípios de pressão e de construção são muito diferentes. Quero também deixar uma palavra ao Sotiris, que deixou trabalho de conquista e que vamos tentar, dentro das nossas ideias, orgulhá-lo pelo que deixou."
Criar a mesma conexão no Rio Ave perante tantas nacionalidades pode ser uma contrariedade? "Em termos de nacionalidades até brinco com eles porque em Arouca houve um jogo em que jogámos com 10 ou 11 nacionalidades diferentes. Não é algo diferente ao que estava habituado a trabalhar, mas o importante são as relações. Estamos cientes que temos de ser mais equipa e sofrer mais uns pelos outros e orgulharmo-nos mais uns pelos outros. É um chavão dizer que temos de ser uma família, mas dentro da minha família, quando discuto com a minha mulher, é com o propósito de resolver algo juntos. No Rio Ave será o mesmo. Blindar o balneario e sentir que cada um de nós é capaz de dar a vida.
Além disso, desde o momento em que assumo um desafio não me vou agarrar a desculpas, sejam elas do relvado ou dos jogadores. Parece-me redutor dizer que não há margem quando estamos na 7ª jornadas. São quatro pontos conquistados e parece que já estamos a falar em crise ou a fazer o funeral, até porque vejo um grupo com potencial e um clube com condições de trabalho para inverter o rumo. Contudo, antes de falar de vitórias, o que é que temos de falar é o que fazer para lá chegar. A forma como nos queremos desafiar é que nos fará chegar vitórias consolidadamente. Temos muita margem de crescimento e o plano é convencer os adeptos com energía de dentro para fora."
O que espera da sua estreia e do Nacional? "O Nacional começou mal com o Alexandre, mas aproveitou claramente a paragem para aproximar as ideias. É um técnico metódico e é um adversário que também quer dar uma resposta, mas, mais do que a qualidade individual do adversario, se queremos conseguir responder temos de olhar muito para nós. Todos os adversarios são extremamente competitivos, chame-se ele Nacional ou qualquer outro, pelo que temos de ganhar duelos, correr muito e mostrar que somos uma equipa que se liga e que comunica."