Santa Clara-FK Teplice, 1-4: Um final kafkiano
O Santa Clara nem a honra salvou ao permitir uma goleada por 4-1 diante do FK Teplice da República Checa, depois de ter sucumbido no domingo passado por demolidor 5-1. Conclui-se que esta segunda eliminatória da Taça Intertoto foi kafkiana e depressiva para os açorianos, como os livros do autor checo Franz Kafka. O treinador dos açorianos, Manuel Fernandes, prometera uma vitória em casa após a derrota estrondosa de Litomerice, mas o que se viu foi uma equipa destroçada com o avolumar do resultado, mal fisicamente, e sem capacidade defensiva nem ofensiva para impor-se aos checos.
Contrariando a mais pequena ideia de reviravolta, a equipa do Santa Clara confirmou que está ainda muito mal fisicamente. E prestou um mau espectáculo de futebol, por falta de iniciativa e de vontade. Mas também em boa parte devido a uma negligência defensiva que resvalou para o ridículo.
A equipa orientada por Manuel Fernandes nem a honra deixou intacta, numa eliminatória que ficará para sempre na memória de jogadores e técnicos como um desperdício. Como uma daquelas que terá estado sempre ao alcance dos portugueses. Mas a realidade é outra, e não se compadece com equilíbrios teóricos: cabe agora ao FK Teplice defrontar os alemães do Kaiserslautern nos jogos da terceira eliminatória desta Taça Intertoto da UEFA, a realizar nos próximos dias 20 e 27.
O atraso na preparação do Santa Clara face ao FK Teplice é a única atenuante para o mau espectáculo protagonizado pelos açorianos. Escrevo atenuante porque os checos começam o campeonato na próxima semana, enquanto os portugueses terão de esperar até 25 de Agosto para iniciar a I Liga frente ao Sp. Braga. E se foi profundamente redutora a exibição do S. Clara, ao ponto de fazer pena o descontrolo defensivo e a incapacidade de criar uma única situação clara de golo em toda a primeira parte.
A colocação de tantos jogadores de características defensivas revela má apreciação das circunstâncias, ou na melhor hipótese um reconhecimento claro de inferioridade face ao adversário checo. Dois trincos (Paiva com o apoio defensivo de Bruno Ribeiro) na frente de um trio de centrais (Sandro, Kali e Sérgio Nunes) compuseram uma defesa formada ainda por um falso lateral-direito (Luís Vouzela) e um lateral-esquerdo mais ousado que na primeira "mão", mas igualmente ineficaz (Pedro Henriques).
Falta muito trabalho, Manuel Fernandes, muito trabalho! Até 25 de Agosto. Mas para já, que tal umas fériazinhas? Que este regresso ao activo para jogar a Intertoto foi desastroso e devastador para o físico e os espíritos dos jogadores, com viagens pela euro-asiática Arménia e República Checa da Europa Central.
Que tal uma pausa para reflectir no que correu mal e rectificar processos defensivos? Que tal preparar com afinco os regressos dos lesionados Vítor Vieira e Glaedson, e esperar que não seja nada com Kali (substituído aos 28 minutos, e que hoje será reavaliado)? Que tal um tempo para acertar o provável melhor plantel de sempre do Santa Clara?
O FK Teplice mereceu a vitória e a passagem na eliminatória, porque mostrou sempre melhor preparação, vontade, condição física, empenho e rigor táctico. Depois dos quatro e três defesas em linha de Litomerice, desta vez dispôs-se em 4x5x1 compensando muito bem o reforço que Manuel Fernandes introduziu no meio-campo. No S. Clara, Miner foi para o banco e George entrou para o ataque. Sem sucesso.